Minc diz que povo é o melhor fiscal do meio ambiente

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008.

O ministro Carlos Minc disse nesta segunda-feira (15), na abertura do Encontro de Educadores Ambientais do Ministério do Meio Ambiente, que para fortalecer a educação ambiental é necessário reforçá-la no Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama), órgão responsável, entre outras coisas, pelo acesso a informações ambientais no MMA. Segundo ele, não existe melhor fiscal que o povo, uma vez que o Ibama conta hoje com apenas 500 fiscais capacitados no combate aos crimes que resultam em degradação ambiental.

O ministro, que teve o encontro como primeiro compromisso no Brasil após o retorno da Conferência sobre Mudanças Climáticas, na Polônia, disse ainda que a gestão ambiental do país tem que incorporar a educação ambiental e não mais tratar a questão, considerada de grande importância, como assunto periférico. Para tanto, segundo ele, é preciso assegurar os recursos necessários de forma continuada, caso contrário a educação ambiental corre o risco de ficar apenas no plano das idéias e vontades.

O encontro, que vai até quinta (18), reúne educadores ambientais do Ibama, Instituto Chico Mendes e Departamento de Educação Ambiental do MMA. Trata-se de um novo passo para a rearticulação das ações na área de educação ambiental no MMA. Minc se disse otimista quanto ao resultado do encontro. Em uma primeira reunião, realizada nos dias 17 e 18 de novembro, participaram educadores ambientais do ICMBio e do Ibama de dez regiões, além da sede e centros especializados. A idéia é reunir as experiências para traçar ações conjuntas entre os três órgãos.

O Sisnama, criado pela Lei 6.938, de 1981, é constituído pelos órgãos e entidades da União, dos estados, do Distrito Federal, dos municípios e pelas fundações instituídas pelo poder público responsável pela proteção e melhoria da qualidade ambiental, tem como preocupação o acesso da opinião pública a informações relativas a agressões ao meio ambiente e ações de proteção ambiental, na forma estabelecida pelo Conama.

Participaram da abertura do encontro a secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do MMA, Samyra Crespo, o presidente do ICMBio, Rômulo Mello, e a diretora de Qualidade Ambiental, Sandra Klosovski.
(Envolverde/MMA)

Museu de zoologia da USP lança exposição “Crise da biodiversidade: A natureza ameaçada”

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008.

Mostra reúne fotografias inéditas da vida selvagem e da relação do homem com a natureza, documentários temáticos, exemplares raros do acervo científico do Museu – apresentados pela primeira vez ao público, além de ciclos de palestras e filmes. De 18 de dezembro a 17 de maio de 2009. Abertura para convidados, dia 17 de dezembro, às 19h

Não há mais dúvidas sobre a grave crise ambiental que ameaça o planeta. Diante do sombrio cenário produzido pelas ações humanas nos últimos tempos, que se traduz em mudanças climáticas globais e perda da biodiversidade, as discussões sobre o futuro da Terra saíram das esferas científicas para fazer parte das preocupações de todos os cidadãos . A necessidade urgente de conservação dos ecossistemas e da sua biodiversidade tornou-se um consenso, de fundamental importância para o desenvolvimento sustentável da humanidade.

No Brasil, entretanto, a reação da sociedade diante deste quadro alarmante ainda é incipiente, com poucas oportunidades oferecidas à população em geral, para que se familiarize com a complexidade do tema. Motivado por essa conjuntura, o Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo – (MZUSP) - considerado uma das maiores instituições zoológicas do mundo, lança a exposição temporária “Crise da Biodiversidade: a natureza ameaçada”. A mostra tem o objetivo de contribuir efetivamente para o debate sobre a preservação ambiental e o desenvolvimento sustentável.

A exposição reúne 30 fotografias de André Pessoa – um dos mais importantes fotógrafos brasileiros de meio-ambiente e vida selvagem da atualidade, documentários da DGT Filmes, exemplares raros do próprio acervo científico do Museu, painéis com textos explicativos, além de um ciclo de palestras com a participação de especialistas e outro ciclo de filmes temáticos. “Esta exposição abre para os visitantes uma rara oportunidade de encontro entre arte e ciência, uma forma possível do exercício de cidadania, a partir do olhar, da reflexão, da formação de opinião e participação nos destinos da sociedade”, explica o curador da mostra e coordenador de Difusão Cultural do Museu de Zoologia, Hussam El Dine Zaher.
Roteiro expositivo

“Crise da Biodiversidade: a natureza ameaçada” ocupa a Galeria de Exposições Temporárias do Museu de Zoologia, dividida em módulos. Logo na entrada, um filme/animação de 3 minutos já convida o público à reflexão, ao relatar o crescimento populacional desde o século I até 2008, quando a população mundial atinge cerca de 6,7 bilhões de pessoas. Crescimento demográfico e hábitos de consumo ameaçam os biomas sem precedentes, pondo em risco a existência humana.

As instigantes fotos de André Pessoa revelam desde a harmonia e a beleza dos biomas brasileiros até as mudanças provocadas pelo homem na natureza - das quais não escapam as queimadas e o trabalho infantil. Produzidos pela DGT Filmes, documentários de cerca de 8 minutos, complementam os relatos que mostram tanto as belezas naturais da biodiversidade brasileira quanto terríveis estágios de degradação atual.

E pela primeira vez, o Museu apresentará ao público cerca de 500 exemplares de sua coleção científica, espécies já extintas ou em vias de extinção, coletados na região de entorno ao Museu, no bairro do Ipiranga, no final do século XIX e começo do XX, entre moluscos, insetos, peixes, aves e mamíferos.

Perda de biodiversidade pode causar danos irreversíveis ao planeta

De acordo com o curador, Hussam, a desinformação que permeia o debate sobre a crise da biodiversidade não condiz com a sua relevância e atualidade, o que aponta para a necessidade de um esforço concentrado de divulgação por parte dos organismos especializados. Os países pertencentes às Nações Unidas e signatários da Convenção sobre a Diversidade Biológica (CDB), do qual o Brasil faz parte, reconhecem a necessidade de um plano de ações para reverter de forma emergencial os impactos nefastos produzidos pela perda global de biodiversidade. Entretanto, diz o curador, os esforços em torno destas ações globais revelaram a colossal desproporção entre o conhecimento adquirido e a real dimensão da trama biológica que constitui a biodiversidade. A simples tarefa de nomear as espécies existentes na Terra expõe o problema de forma vívida, gerando números literalmente estratosféricos: já foram descritas aproximadamente 1,4 milhões de espécies de organismos vivos, mas esse número representa apenas uma fração da biodiversidade real que está estimada entre 14 e 40 milhões de espécies. A título de exemplo, em um grupo já altamente conhecido como o dos mamíferos, cerca de 10 novas espécies são descritas a cada ano apenas para a América do Sul.

Museu de Zoologia é referência mundial

O Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo é uma referência mundial em zoologia e detentor do mais completo acervo da fauna da região Neotropical do planeta - que abrange da Patagônia ao México.

Sua “Exposição de Longa Duração”, permanente, apresenta ao visitante parte do magnífico acervo da instituição, que possui mais de 8 milhões de exemplares de animais, e cuja organização foi iniciada há mais de 100 anos. Dividida em módulos, retrata a evolução da biodiversidade, de eras remotas aos dias atuais. No dia 17 de dezembro, a exposição permanente ganha uma novidade: a coluna geológica, totem digitalizado de 11,5 m de altura, que conta a história da vida na Terra nos  últimos 650 milhões de anos.

Réplicas em tamanho natural de animais extintos há milhares de anos, fósseis encontrados no Brasil ou na América do Sul, esqueletos de primatas (gorila, chimpanzé, humano e orangotango), modelos fiéis de dinossauros que antecederam as aves, entre infinidades de outros exemplares fazem parte da exposição, ambientados de forma dinâmica, com recursos cenográficos, tecnologia, efeitos de iluminação, além de filmes de curta duração em projeção contínua.

A visita ao Museu de Zoologia é uma atividade cultural e de lazer muito proveitosa também por sua inserção em local histórico da capital paulista, o bairro do Ipiranga, e pela arquitetura ímpar de seu edifício inaugurado em 1941, projetado pelo arquiteto Christiano Stockler das Neves, mesmo autor do projeto da Estação Júlio Prestes. Representações de animais aparecem nas fachadas e nos belíssimos vitrais feitos em cristal belga, no interior do edifício. A origem do Museu está associada à Comissão Geográfica e Geológica da Província de São Paulo (CGG), criada em 1886 para organizar expedições de coletas de amostras de fauna e flora.

Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo

Avenida Nazaré, 481 – Ipiranga
São Paulo – SP -Tel (0xx11) 2065 - 8100 - http://www.mz.usp.br
Horário de funcionamento: de terça a domingo, das 10h às 17h
Ingresso: R$ 4,00 (grátis para visitantes menores de 6 anos e acima de 60; estudantes com carteira pagam meia-entrada)
A partir de 2009 o último domingo do mês terá a entrada franqueada para os visitantes.

Crédito da imagem
:André Pessoa
(Envolverde/Assessoria)

Os novos defensores do meio ambiente

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008.

Instituto Terra forma, em Aimorés, a primeira turma de Terrinhas, monitores ambientais mirins que atuam nas escolas como replicadores do saber ambiental; Diante do sucesso do programa, esse modelo de ensino ambiental será expandido para mais 77 escolas do Vale do Rio Doce a partir de 2009

Em Aimorés, Minas Gerais, existe um grupo de meninos e meninas, com idades entre 8 e 14 anos, que está pronto para agir em defesa do meio ambiente e da Mata Atlântica. São 350 estudantes do ensino fundamental das escolas públicas e privadas do município mineiro que passaram os últimos três anos conhecendo, praticando e repassando informações sobre como é possível viver e prosperar em harmonia com a natureza.

Esse time de jovens integra a 1ª turma formada pelo Projeto Terrinhas, do Instituto Terra, e que participou na última semana de novembro, entre os dias 24 e 25, das atividades de encerramento do projeto, realizadas na Fazenda Bulcão.

O Projeto Terrinhas é um programa de educação ambiental do Instituto Terra desenvolvido, como projeto piloto, em escolas públicas e privadas de Aimorés. O sucesso dos resultados obtidos e uma parceria recém-firmada com a empresa Vale permitirá implantar o programa em mais 77 escolas a partir de 2009, atingindo mais quatro municípios do Vale do Rio Doce - Resplendor e Itueta, no Estado de Minas Gerais, Baixo Guandu e Colatina (com o distrito de Itapina), no Estado do Espírito Santo.

O programa forma monitores ambientais mirins, selecionados entre alunos da 5ª a 7ª séries (ou do sexto ano ao oitavo ano do ensino fundamental de nove anos) das escolas atendidas pelo Programa Meio Ambiente na Educação. Esses monitores participam de atividades educativas em visitas ao Instituto e recebem kits com material didático, que compartilham com os colegas nos trabalhos escolares ligados ao tema Meio Ambiente.

Os “Terrinhas” recebem informação para atuar nos projetos pedagógicos de educação ambiental desenvolvidos nas escolas e por meio desse efeito multiplicador, o projeto já atingiu mais de 3,2 mil alunos da rede de ensino pública e particular de Aimorés, somando mais 12,8 mil pessoas da comunidade local como beneficiários indiretos.

O projeto teve início no ano de 2005, em parceria com a Unesco e Rede Globo/Projeto Criança Esperança, e já foi selecionado por duas vezes pela Unesco como projeto modelo de educação ambiental.
(Envolverde/Assessoria)

Uma verdade inconveniente brasileira

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008.

Por Henrique Andrade Camargo*

Falar em verdade inconveniente no Brasil chega a ser pleonasmo. Há várias delas em todo lugar da nação. Por hora, vamos ficar com o aquecimento global e tratar de um ponto que Al Gore não trata no “Uma verdade inconveniente” dele: a pecuária.

Diz-se que a demanda por energia dos países ricos é a principal culpada pela situação desagradável que enfrentamos hoje. A queima de combustíveis fósseis para a produção dessa energia libera muitos gases de efeito estufa na atmosfera, principalmente o demonizado CO2.

Não é o caso do Brasil, já que 80% da energia utilizada no país vem de hidrelétricas, consideradas fontes limpas. Mas a situação aperta quando o assunto é pecuária.

Não vamos fazer catecismo vegetariano ou declarar guerra aos carnívoros e pecuaristas do mundo (muito menos em época de festas). O importante é ter consciência de como um simples ato de alimentação pode condenar todo um sistema (não vamos abordar sobre qual é o melhor ou pior regime para o ser-humano). No fim das contas, cada um escolhe o que coloca dentro da própria boca.

Um gás malcheiroso

Toda vez que vou ao cinema aqui em Londres, onde moro atualmente, sou obrigado a assistir ao reclame da fabricante de sorvetes Ben & Jerry’s. Eles se dizem livres da pegada ecológica. Um dos pontos da propaganda é a menor flatulosidade de suas vaquinhas leiteiras que, como afirmam, contribui para diminuir o efeito estufa.

Apesar de soar um tanto cômico, aquilo me chamou a atenção. Quer dizer que, além de malcheirosos, os traques também esquentam o globo?

Claro! O metano produzido pela digestão bovina (ou por qualquer outro meio) é um dos gases que mais contribuem para o efeito estufa. O CH4 tem uma alta capacidade de armazenar calor - 21 vezes maior que o grande vilão CO2.

E está aí uma das maiores contribuições do Brasil para o aquecimento global.

O país conta com aproximadamente 200 milhões de cabeças de gado. É o maior rebanho comercial do mundo. Levando-se em conta que cada boi emite até 60 kg de CH4 por ano, chega-se a 12 milhões de toneladas desse gás despejadas na atmosfera pelos bovinos brasileiros. Já que o metano é 21 vezes pior que o CO2, não seria exagero dizer que essa quantidade equivale a 252 milhões de toneladas de dióxido de carbono, o mesmo montante produzido pelas queimadas na Amazônia.

A Organização das Nações Unidas (ONU) já estudou o caso. De acordo com a entidade, a criação animal para consumo humano contribui em 40% mais para o aquecimento global do que os aviões, carros e caminhões do planeta.

Não foi à toa que, há alguns meses, Su Taylor, da Vegetarian Society, organização vegetariana do Reino Unido, disse à revista New Scientist que a maneira mais fácil de reduzir a pegada ecológica é parar de comer carne.

Claro que isso não vai acontecer. Mas uma conscientização do ônus ambiental causado pela pecuária é o primeiro passo para, pelo menos, diminuir o consumo e, conseqüentemente, o estrago dessa atividade.

* Henrique Andrade Camargo é jornalista e blogueiro (http://www.minhalondres.blogspot.com). Já trabalhou para a Gerência de Comunicações do Grupo Abril e colaborou com revistas como Viver Psicologia, VIP e Superinteressante. Nesta última, junto com a equipe da publicação, ganhou medalha de ouro no Prêmio Malofiej 2005, o Oscar da infografia mundial, que é concedido pela Universidade de Navarra, na Espanha.

(Envolverde/Mercado Ético)

Amazônia perdeu 541 quilômetros quadrados de floresta em outubro

terça-feira, 09 de dezembro de 2008.

O desmatamento na Amazônia em outubro atingiu 541 quilômetros quadrados de floresta, área equivalente à metade do município do Rio de Janeiro. O número é 8% menor que o registrado em setembro, quando os satélites identificaram 587 quilômetros quadrados de novas áreas desmatadas. Os dados são do Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), divulgados sexta-feira (05/12) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Mato Grosso, Pará e Rondônia foram responsáveis por 90% do desmatamento da floresta no período. Pelo segundo mês consecutivo, Mato Grosso lidera a lista de maiores desmatadores, com 233 quilômetros quadrados, 43% do total. As motosserras do Pará foram responsáveis por outros 218 quilômetros quadrados de desmate, o que garantiu ao estado o segundo lugar em devastação em outubro. Rondônia aparece em seguida, com 36 quilômetros quadrados de novas áreas desmatadas.

De acordo com o relatório do Inpe, a cobertura de nuvens sobre a região pode ter encoberto a visualização de mais desmatamentos. Por causa das condições de visibilidade, os satélites deixaram de verificar 33% da Amazônia Legal em outubro. “Estados como o Amapá, e parte do Amazonas e Pará, por exemplo, não puderam ser monitorados adequadamente, pois apresentaram um alto índice de cobertura de nuvens no período”, indicou o Inpe.

Por causa do aumento da intensidade de nuvens na Amazônia, previsto para os próximos meses, o Inpe vai interromper a divulgação dos dados do Deter. “Todos os dados apurados pelo Deter neste período serão publicados até o final de fevereiro [de 2009], assim como o respectivo relatório de avaliação”, informou o instituto.

A medição do Deter considera as áreas que sofreram corte raso (desmate completo) e as que estão em degradação progressiva. O sistema serve de alerta para as ações de fiscalização e controle dos órgãos ambientais.

Por Luana Lourenço, da Agência Brasil
(Envolverde/Agência Brasil)