Artigos da categoria ‘Resíduos Industriais’

Estudo mostra crescimento do setor privado de tratamento de resíduos

terça-feira, 18 de novembro de 2008.

Um estudo realizado pela Abetre (Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos), com dados levantados, consistidos e tabulados pela PricewaterhouseCoopers, mostra que o setor privado de tratamento de resíduos cresceu 41,4% em faturamento em 2007 em relação ao ano anterior. No mesmo período, a quantidade de resíduos  de indústrias e empresas dos setores de comércio e serviços que foram tratados, processados e dispostos de formas ambientalmente corretas aumentou em 33,6%.

Finalizado em outubro, o estudo é o mais representativo do setor, pois baseia-se em uma amostra de empresas que representa 87% do mercado, formado por empresas prestadoras de serviços como disposição em aterros, incineração, co-processamento, tratamentos biológicos, entre outras tecnologias. A Abetre reúne 16 companhias e grupos empresariais que representam 82% do setor de tratamento de resíduos industriais, com 38 unidades operacionais em funcionamento que geram mais de 7 mil empregos diretos.

De acordo com o levantamento, o setor de tratamento de resíduos faturou R$ 1,7 bilhão em 2007, receita 41,4% superior à de 2006 e que representa o dobro do faturamento de 2004.

A quantidade de resíduos industriais processados subiu 33,6% em 2007, em relação ao ano anterior. As tecnologias que têm maior participação são a disposição em aterros (75%) e o co-processamento em fornos de cimento (17%, incluindo pneus).

O setor privado de tratamento de resíduos também registrou um avanço significativo no segmento de resíduos urbanos (lixo doméstico e de limpeza pública em geral), que pode ser atribuído ao progressivo fechamento de lixões clandestinos e ao final da vida útil de alguns aterros sanitários públicos. A indústria de tratamento de resíduos registrou um aumento de 36,1% nas quantidades processadas de resíduos urbanos.

“O crescimento do setor privado de tratamento de resíduos pode ser atribuído, principalmente, ao aprimoramento da gestão ambiental nas empresas e nas prefeituras, motivado pelas pressões da sociedade e pela maior atuação do ministério público e dos órgãos ambientais. E no caso das empresas, também por exigências de mercado “, afirma o presidente da Abetre, Diógenes Del Bel. “Com os últimos períodos de crescimento econômico, as empresas também passaram a investir mais na área ambiental, gerando uma demanda maior por empresas especializadas nas tecnologias de tratamento de resíduos.”
(Envolverde/Assessoria)

Mutirão do Lixo Eletrônico será dia 30 de Outubro

quinta-feira, 23 de outubro de 2008.

O que você fez com aquela bateria recarregável ou o celular quebrado que não funciona mais ? Se você jogou no lixo comum, saiba que isso pode causar a contaminação de rios e reservatórios do solo, além de trazer danos à nossa saúde.

A Secretaria Estadual do Meio Ambiente divulgou o projeto “Mutirão do Lixo Eletrônico” que abordará no dia 30 de outubro o destino correto desse lixo eletrônico. As prefeituras municipais vão receber urnas para a coleta do e-lixo e empresas de diversos segmentos também vão atuar como parceiras no Mutirão. As pessoas poderão trocar este lixo por mini-coletores.

O Mutirão não poderia vir em hora melhor, pois o Brasil superou a marca de 120 milhões de celulares e já existem mais de 30 milhões de computadores , além disso, a venda de eletrônicos vem aumentando a cada dia por equipamentos melhores.

As substâncias contidas nos equipamentos podem ser reutilizadas, como por exemplo, um quilo de celular pode-se reaproveitar de 100 a 150 miligramas (mg) de ouro, 400 a 600 mg de prata, 20 a 30 mg de paládio, 100 a 130 gramas (g) de cobre e 200g de plástico.

Para obter mais informações sobre o Mutirão, assim como detalhes sobre o e-lixo, vá até o site da campanha: http://www.ambiente.sp.gov.br/mutiraodolixoeletronico

Por: Wilton Paulo para o Meio Bit

Copyright do Meiobit.com

http://meiobit.pop.com.br/meio-bit/internet/mutirao-do-lixo-eletronico-sera-dia-30-de-outubro

Reciclagem: pérolas no lixo

quinta-feira, 21 de agosto de 2008.

Todos os anos, cerca de 160 mil toneladas de produtos longa vida são produzidas no Brasil, como leite, suco, molho de tomate e água-de-coco. Impermeáveis, resistentes e consideradas seguras para o consumidor, essas embalagens sempre representaram um dilema para a indústria de reciclagem, porque só o papel era aproveitado – o alumínio e o plástico iam para os aterros sanitários. Com o aumento no consumo, as embalagens longa vida passaram a ser também um desafio para o meio ambiente: na mais otimista das estimativas, só um quarto delas é reciclado no País.

Do ponto de vista ambiental, a reciclagem reduz em 100% o impacto que estas embalagens teriam ao serem descartadas, o que no Brasil, o segundo maior consumidor deste tipo de material no mundo, significa muito. Socialmente e economicamente, tende a aumentar o preço da tonelada recolhida, o que impacta a vida dos catadores e aumenta o interesse de prefeituras em bancar a separação do lixo.

Baseado nessas informações a Silcon Ambiental Ltda. Se propõe a desenvolver a valorização desses resíduos atráves do Gerenciamento de Resíduos Industriais. Atuando no que chamamos de lógistica integrada de Resíduos.

O Gerenciamento de Resíduos Industriais é baseado nos mais modernos conceitos ambientais, como produção mais limpa, ecoeficiência e os 4 R’s (reduzir a produção de resíduos, reutilizar, reciclar e repensar os hábitos de consumo e produção).

O controle sobre todo o ciclo de vida do resíduo garante a qualidade, a responsabilidade, a excelência e a segurança de que o resíduo será eliminado por completo.

Concluída última etapa que modifica normas de produção e descarte de pilhas

quarta-feira, 13 de agosto de 2008.

A Câmara Técnica de Saúde, Saneamento Ambiental e Resíduos Sólidos do Conama aprovou, nesta segunda-feira (11), o relatório final modificando a resolução Conama 257/99 que trata dos indicadores para produção de pilhas e do gerenciamento ambientalmente adequado de pilhas usadas.

Essa foi a última etapa de tramitação. O relatório será levado para apreciação do plenário do Conama nos dias 10 e 11 de setembro. Uma das principais alterações propostas é o prazo de até julho de 2009 para que o setor produtivo se adeque aos padrões que limitam o uso de metais pesados e ampliam o número de pilhas a serem coletados pelos fabricantes.

A Câmara Técnica também aprovou duas recomendações para a Receita Federal. Se aprovadas no plenário, o Conama solicitará ao setor aduaneiro da Receita Federal mais atenção com as pilhas piratas, que entram no País contrabandeadas. Segundo técnicos do Conama, essas pilhas podem carregar até dez vezes mais cádmio e mercúrio do que as produzidas de acordo com as normas do Conama.

A segunda recomendação diz respeito à redução de impostos para pilhas recarregáveis. O intuito é aumentar o uso dessas pilhas que, por terem uma vida útil mais longa, chegam a substituir até 1000 pilhas convencionais.

A reunião também determinou um calendário para os próximos encontros. A discussão sobre a coleta e destinação de pneus ficou para 28 e 29 de agosto, na sede da Fiesp, em São Paulo. Segundo estudo apresentado na Câmara Técnica, 50% da produção de pneus, o que equivale a 100 milhões de unidades por ano, não têm destinação adequada.

Nos dias 9 e 10 de outubro a Câmara Técnica debate o transporte de resíduos e nos dias 13 e 14 de novembro os técnicos estudam uma proposta de resolução para a gestão dos resíduos sólidos.
(Envolverde/MMA)

Descarte de remédios: uma questão muito grave

terça-feira, 12 de agosto de 2008.

Remédios são essenciais para resolver os problemas de saúde, mas depois que a enfermidade passou, normalmente sobram comprimidos nas caixas, xarope nos vidro e até ampolas de injeção. Tudo isso fica guardado nos armários até perder a validade. E o que fazemos com eles, então? Não há outra alternativa do que jogá-los fora, mas resíduos de medicamentos podem contaminar o solo e a água quando descartados no lixo ou na rede de esgoto comum. O problema é que boa parte da população não sabe disso e, pior, não há postos de recolhimento.

Segundo Luiz Carlos da Fonseca e Silva, médico e especialista em Vigilância Sanitária da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o consumidor não pode devolver os remédios para as drogarias e farmácias, a exemplo do que fazem os proprietários de celular nas lojas do ramo. “As drogarias e farmácias não têm obrigação legal para aceitá-los e, além disso, haveria risco de comercialização indevida do produto”, afirma.

Centros de saúde ou qualquer outra instituição de serviço de saúde também não devem aceitar medicamentos mesmo que estejam dentro da validade estipulada. “A razão é que sempre serão desconhecidas as reais condições de armazenamento e conservação nos domicílios, que poderiam adulterar as propriedades terapêuticas do medicamento. Exemplo: o medicamento não pode ser guardado perto de fonte de calor ou em local úmido”, afirma o especialista da Avisa.

Ajuda de risco

O farmacêutico Carlos Eduardo do Nascimento trabalha em uma rede de farmácias de São Paulo e é voluntário em uma instituição religiosa que ajuda pessoas carentes. “Alguns clientes vêm à farmácia com caixas de remédios que muitas vezes estão fechadas. Outro dia, uma senhora comprou quatro caixas de um determinado remédio e no dia seguinte o marido dela faleceu. Ela voltou aqui e doou os medicamentos. Tinha só uma caixa com um comprimido consumido, o resto estava intacto. Verifiquei tudo e levei para a instituição na qual sou voluntário”, afirma ele.

O farmacêutico reconhece que essa prática pode ser perigosa, mas diz que tem muita gente passando necessidade e que se recusa a jogar os remédios no lixo. “Tem gente que traz remédios vencidos. Esses eu não aceito, pois sei que o descarte é mais complicado e ainda não temos uma legislação sobre isso”, afirma ele.

“Os remédios têm componentes resistentes que se não forem tratados acabam voltando para nossa casa e a gente pode até consumir água com restos de remédios. Eles são produtos químicos e não podem ser jogados no lixo comum”, afirma Carlos Eduardo do Nascimento.

Uma das alternativas para evitar o descarte de medicamentos no lixo comum e na rede de esgoto seria a criação de pontos para coleta dos remédios vencidos para que sejam encaminhados para o descarte adequado. “Isso evitaria que os remédios fossem descartados no lixo doméstico e na rede de esgoto. Os remédios vencidos devem ser recolhidos por uma empresa especializada e incinerados”, sugere o farmacêutico.

Uma forma de diminuir a quantidade de medicamentos a serem descartados é a compra de remédios fracionados, isto é, comprar apenas a quantidade necessária ao uso, o que evitaria o acúmulo desnecessário. A prática é pouco comum entre as farmácias. “Isso seria o ideal, pois o indivíduo compraria a quantidade justa, evitando o descarte inadequado no lixo”, diz Ana Maria da Costa Aguiar, farmacêutica que também não sabe ao certo qual destino dar aos remédios vencidos. Ela sugere que se alguém encontrar um medicamento no lixo, encaminhe para a Vigilância Sanitária, “assim, quem sabe se todo mundo começar a fazer isso eles resolvem o problema de uma vez por todas”.

Pesquisas

Algumas toneladas de medicamentos são produzidas por ano e aplicadas na medicina humana e veterinária, mas geralmente a produção exata não é publicada.

Recentemente, o monitoramento de medicamentos no meio ambiente – conhecidos na literatura como ‘fármacos’ – vem ganhando grande interesse devido ao fato de muitas dessas substâncias serem freqüentemente encontradas, em concentrações altas, em efluentes de Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) e águas naturais.

As engenheiras químicas do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação da Universidade Estadual do Rio de Janeiros (COPPE-UFRJ), Daniele Maia Bila e Márcia Dezotti, afirmam que uma parte significativa dos medicamentos é descartada no esgoto doméstico. Estudos demonstram que várias dessas substâncias parecem ser persistentes no meio ambiente e não são completamente removidas nas ETEs. Sendo assim, muitos resíduos resistem a vários processos de tratamento convencional de água.

“Em todo o mundo, fármacos como antibióticos, hormônios, anestésicos, antiinflamatórios, entre outros, foram detectados no esgoto doméstico, em águas superficiais e de subsolo. Na Alemanha, 18 antibióticos foram identificados em efluentes de ETEs e águas superficiais”, afirma a pesquisadora Daniele Maia Bila.

Os medicamentos são desenvolvidos para serem persistentes, mantendo suas propriedades químicas o bastante para servir a um propósito terapêutico. “Porém, 50% a 90% de uma dosagem do fármaco é excretado inalterado e persiste no meio ambiente. O uso em excesso de antibióticos acarreta dois problemas ambientais: um deles é a contaminação dos recursos hídricos e o outro é que esses produtos acabam com microorganismos menos resistentes, deixando vivos apenas os mais resistentes”, afirmam as pesquisadoras.

As bactérias podem fazer mutações no seu material genético, adquirindo resistência aos fármacos. Assim, uma bactéria presente em um rio que contenha traços de antibióticos pode adquirir resistência a essas substâncias.

De acordo as pesquisadoras, nas ETEs há três destinos possíveis para qualquer medicamento:

1.Pode ser biodegradável, ou seja, mineralizado a gás carbônico e água, como por exemplo, o ácido acetilsalicílico;

2.Pode passar por algum processo metabólico ou ser degradado parcialmente, como as penicilinas;

3.Pode ser persistente, como o clofibrato.

Uma outra fonte de contaminação ambiental que tem sido observada vem da disposição indevida de resíduos provenientes de indústrias farmacêuticas Segundo as pesquisadoras, é necessária uma avaliação criteriosa dos efeitos desses medicamentos no meio aquático. “Uma vez conhecidos os efeitos, será necessário estabelecer os limites de concentrações para o descarte seguro. O monitoramento da eficiência de remoção desses medicamentos pelos processos convencionais de tratamento de efluentes domésticos das ETEs é de grande importância pois, no futuro, podem ser necessárias adaptações, ou mesmo implantar outros processos de tratamento que complementem a remoção adequada desses resíduos”, afirma Daniele Maia Bila.

Vigilância

Quando questionado sobre o que fazer para resolver o problema, o médico da Anvisa, Luiz Carlos da Fonseca e Silva, diz que a Agência faz parte do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária. “É um órgão regulador e a fiscalização fica sob responsabilidade das vigilâncias sanitárias dos estados, municípios e do Distrito Federal. As normas existentes dizem respeito aos estabelecimentos de serviços de saúde; ainda não foram editadas normas que abranjam o consumidor final com relação ao descarte de medicamentos.”

O médico informa que “estados e municípios têm autonomia para legislação própria, desde que não contrariem as normas federais. Caso existam legislações estaduais e municipais, as mesmas devem ser observadas”. E acrescenta, “os riscos dos itens descartados devem ser sempre analisados. No caso de medicamentos, devem ser avaliados os riscos existentes nos princípios ativos dos mesmos, levando-se ainda em consideração a quantidade que está sendo descartada, a forma farmacêutica e os possíveis danos ambientais decorrentes do descarte dos mesmos”.

E Luiz Carlos da Fonseca e Silva ressalta que, “de acordo com o IBGE, apenas 12,5% dos municípios brasileiros têm aterro sanitário. O restante tem os chamados lixões, o que é muito mais perigoso para a população”.

Conclusão: o problema existe, é grave, mas ninguém está trabalhando para solucioná-lo. Enquanto isso, a população continua jogando fora os remédios de forma inadequada, e, sem saber, colocando em risco a sua própria saúde. Possivelmente, o primeiro passo para resolver a questão seja divulgar cada vez mais as conseqüências do descarte incorreto de medicamentos para que as pessoas comecem a pressionar as autoridades por um ação rápida e eficaz.
(Envolverde/Instituto Akatu)