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Impressão sustentável

sexta-feira, 08 de agosto de 2008.

De acordo com a Universidade das Nações Unidas, o descarte de equipamentos eletrônicos já superou a marca das 40 milhões de toneladas de lixo. No mercado de tecnologia, existem muitas opções para quem quer comprar novos equipamentos, mas há poucas soluções para reduzir ou eliminar o lixo eletrônico.

Originada da IBM em 1991, a fabricante americana de impressoras Lexmark resolveu se dedicar ao tema da sustentabilidade. No Brasil, fez uma parceria com uma empresa especializada em manufatura reversa. E com isso, passou a recolher equipamentos e suprimentos usados para reaproveitá-los como peça para reciclagem.

Para medir seu impacto na atmosfera, a empresa resolveu calcular sua pegada ecológica. Em suas pesquisas ao redor do mundo, descobriu que suas impressoras e multifuncionais são mal utilizadas. De forma geral, as empresas têm mais equipamentos do que precisam e desperdiçam papel aos montes. Foi então que o presidente da companhia americana, o engenheiro Paul J. Curlander, resolveu adotar o caminho da sustentabilidade. Em sua visita a São Paulo, ele concedeu a seguinte entrevista:

O que é sustentabilidade para uma fabricante de impressoras?
Paul J. Curlander – Em geral, quando se fala em sustentabilidade, a maioria das empresas pensa em eficiência energética. Fizemos uma grande pesquisa para avaliar o uso dos nossos equipamentos no dia-a-dia de 3000 companhias. Descobrimos que havia máquinas demais, nos lugares errados. E que ali havia grande oportunidade de reduzir o número de equipamentos e melhorar a produtividade. Era muito comum encontrar toner de impressora que já saiu de linha junto de toner atual. Vimos que havia uma grande oportunidade para reciclar esses produtos e suprimentos.
Num outro estudo que fizemos na Europa, no ano passado, descobrimos que no Reino Unido, metade de tudo o que é impresso é descartado logo em seguida. Um trabalhador de escritório comum imprime pouco mais de mil páginas por mês, em média. Vamos imaginar uma empresa com 2 mil funcionários, cada um imprimindo 13 mil páginas por ano. O resultado são 26 milhões de páginas impressas todos os anos, em apenas uma empresa. São 6,5 hectares de árvores por ano só para suprir de papel uma companhia de 2 mil funcionários. É insustentável.

Qual o tamanho da pegada ecológica de sua empresa?
Paul J. Curlander –Fizemos uma análise do ciclo de vida dos nossos produtos e também um levantamento das nossas emissões de carbono. O processo de manufatura representa 9% das emissões. O de transporte e distribuição, só 0,3%, o consumo de energia, 5%, o toner responde por 8%. A maior fatia, de quase 80%, ficou com o papel. Chegamos à conclusão de que precisávamos urgentemente reduzir papéis para ser sustentáveis. A mensagem central é que precisamos imprimir menos. Para isso, criamos algumas iniciativas como incluir certas funcionalidades nos equipamentos para controlar a impressão. Também criamos soluções para facilitar o envio de documentos digitalizados por e-mail.

Quais os resultados concretos?
Paul J. Curlander – Implantamos essas soluções em nossa sede em Suresnes, na França. O resultado foi uma redução pela metade no consumo de energia e no número de impressões, que caiu mais de 40%. Depois repetimos a experiência em nosso escritório próximo de Frankfurt, na Alemanha. E o impacto foi ainda maior. Houve uma redução de 67% no número de impressões com medidas simples, como a autorização da impressão apenas com a passagem do crachá do funcionário na impressora.

O que significa uma fabricante de impressoras sugerir que se imprima menos?
Paul J. Curlander – Imprimir menos significa ter menos equipamentos, menos páginas impressas e menor consumo de energia, é um conjunto de ações em benefício da sustentabilidade. Só no ano passado, reciclamos e reutilizamos 7600 toneladas métricas de cartuchos usados.
Não vamos deixar de fabricar impressoras e multifuncionais para entrar no ramo de software, mas oferecemos algumas soluções para gerenciar a impressão. Uma das funcionalidades dos produtos é a impressão dos dois lados do papel, a utilização adequada do toner. Fundamentalmente, nós temos que mudar nosso comportamento.
Nosso objetivo é reduzir o desperdício. Recolhemos os equipamentos de nossos clientes tanto na Europa quanto nos Estados Unidos e no Brasil. O mesmo vale para os cartuchos usados das impressoras. Basta ter mais de três e solicitar o recolhimento por telefone ou pelo site e nós vamos buscar.

As idéias são a moeda do futuro

sexta-feira, 18 de julho de 2008.

As idéias são a moeda do futuro

Quem dá a receita é Adam Werbach, um dos papas da sustentabilidade

Considerado um dos maiores especialistas em sustentabilidade do mundo, Adam Werbach é o principal executivo à frente da Saatchi & Saatchi S, a maior agência de sustentabilidade do planeta. Aos 23 anos, foi eleito o mais jovem presidente da história do Sierra Club, a mais antiga organização ambiental dos Estados Unidos. Em 1998, fundou a agência de sustentabilidade Act Now, com o objetivo de mobilizar o mundo corporativo e a mídia para as mudanças sociais, ambientais, culturais e econômicas. Hoje, sua empresa tem entre seus clientes a rede de varejo Wal-Mart.
Ex-militante do Greenpeace e autor de “O Ambientalismo Está Morto?”, Werbach veio ao Brasil participar do Fórum Dow de Sustentabilidade – América Latina – Planeta, Pessoas, Futuro, que aconteceu na terça-feira 15 de julho, em São Paulo, e reuniu personalidades do mundo todo, de diferentes setores e áreas do conhecimento, para discutir o relacionamento das companhias com a sociedade e apontar as melhores formas de garantir o equilíbrio entre os interesses de todos e as necessidades do planeta. Durante o evento,Werbach falou com a reportagem da Silcon Ambiental. Eis os melhores trechos:

Pergunta: Dez anos atrás, seria difícil imaginar o senhor falando como um igual para um auditório com centenas de representantes da indústria química. Quem mudou, o senhor ou os empresários?

Adam Werbach: Todo mundo mudou, as empresas, os governos, os movimentos ambientalistas, eu certamente. Antes de embarcar para o Brasil, recebi telefonemas de amigos meus do movimento ambientalista dizendo para eu não dar essa palestra para os fornecedores e clientes da Dow Química na América Latina porque eles representavam o mal. Pelo contrário, esse é o momento do diálogo. Vivemos a crise dos recursos limitados e ao mesmo tempo, temos a oportunidade de reinventar a economia. A sustentabilidade representa uma revolução, a maior oportunidade dos últimos 50 anos para preservar a floresta Amazônica e conseguir resultados. Durante gerações, as empresas e a sociedade civil viveram em guerra, havia uma força de resistência de ambos os lados. Hoje as organizações abraçam iniciativas de investimento social e ambiental como um negócio, não como filantropia. Sempre digo aos empresários que os seus filhos vão saber de suas decisões de hoje.

Pergunta: Quais os desafios atuais para o mundo ser mais sustentável?

Adam Werbach: Combustível barato e céu limpo eram a grande oferta e a base da sociedade no século XX. Desde 1900, a expectativa de vida aumentou muito e a tecnologia teve papel fundamental. Hoje tem um celular para cada habitante na Terra e o mais recente iPhone, da Apple, tem o poder de um equipamento do sistema de Defesa dos Estados Unidos em 1965. Ainda assim, 137 espécies desaparecem todos os dias da Terra, que em 2050 terá 9 bilhões de habitantes. Os recursos naturais limitados do planeta representam o grande desafio do século XXI e podem servir de solução para transformar o mundo. O lado da demanda, que é o consumidor consciente de suas decisões e de seu poder de compra, serão o grande catalisador desse movimento pela sustentabilidade.

Pergunta: As organizações estão avançadas nesse processo?

Adam Werbach: Estamos sedentos por mudanças que vão além dos produtos verdes. E foi daí que surgiu o movimento do azul, que reconhece que tudo no mundo está interligado. Um produto ou uma empresa azul é aquela que trata do aspecto social, cultural, econômico e ambiental.
A primeira chave desse movimento é o conceito de felicidade, de cada um manter uma vida plena, tanto profissional quanto pessoalmente. No Wal-Mart, que é associado ao movimento azul, cada funcionário coloca em prática uma decisão pessoal capaz de lhe trazer felicidade e realização. Pode ser parar de fumar ou ir ao trabalho de bicicleta, por exemplo. A segunda chave para ser uma empresa azul é a transparência. Todas as rotas da sustentabilidade, no final das contas, têm que levar ao resultado para o negócio.
Quanto mais controle se der a cada funcionário, mais rápido as informações vão fluir dentro da organização e ser solucionadas. Funcionários realmente envolvidos significam retorno mais rápido e desempenho melhor. O grande desafio agora está em as empresas melhorarem sua eficiência energética, divulgando melhores práticas e inovando. As idéias são a moeda do futuro, a grande inspiração. Na Saatchi & Saatchi S, nós dizemos que nada é impossível, basta acreditar.

Entrevista: “Poluição é matéria-prima jogada fora”.

quinta-feira, 08 de novembro de 2007.

Entrevista: “Poluição é matéria-prima jogada fora”Por Darlene Menconi

Durante a Feira Internacional do Meio Ambiente Industrial - FIMAI -, que aconteceu em São Paulo entre os dias 24 e 26 de outubro passado, Haroldo Mattos de Lemos, presidente do Comitê Brasileiro do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), falou sobre os efeitos da ecoeficiência e da produção limpa no dia-a-dia das empresas. Através da análise do ciclo de vida do produto, desde a matéria-prima até seu descarte final, as organizações conseguem detectar falhas ao longo de seu processo industrial. Com essas informações em mãos, elas podem corrigir seus rumos e seus erros, de modo a evitar desperdícios e ser mais eficientes no consumo dos recursos naturais. Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e um dos pioneiros do meio ambiente no Brasil, Mattos de Lemos diz que a sustentabilidade é um caminho sem volta: “Ou a indústria entra no caminho da ecoeficiência, ou a vida dela vai ser curta.” Leia a seguir os melhores trechos da entrevista.

Pergunta: Como é possível alcançar a sustentabilidade?

Haroldo Mattos de Lemos: Temos três grandes desafios que a humanidade tem que enfrentar para atingir a sustentabilidade. O primeiro deles é economizar recursos naturais para garantir que nós tenhamos recursos para nos servir no futuro, quando precisarmos, principalmente os não-renováveis. O segundo deles é não jogar sobre a biosfera mais resíduos do que ela é capaz de absorver, tanto no ar, quanto nas águas, quanto no solo. Um dos fatores do aquecimento global é que estamos jogando mais coisa na atmosfera do que ela consegue absorver de volta. E o outro grande desafio é praticar o desenvolvimento sustentável.

Pergunta: De que forma a melhoria do processo de produção e a melhoria do produto podem ajudar uma empresa a ser mais competitiva?

Haroldo Mattos de Lemos: Depois de melhorar o processo de produção, a coqueluche atual é você estudar o projeto do seu produto. A produção mais limpa é exatamente isso, é você entrar numa empresa e ver onde tem desperdícios de matéria-prima. Em geral, esse desperdício vai direto para dentro do efluente para ser tratado, vira resíduo. Na realidade, poluição é um tipo de resíduo, é matéria-prima que você está jogando fora. O que você está jogando fora como poluição você comprou na véspera como matéria-prima. A produção mais limpa entra numa empresa, vai ver onde tem desperdício, e verificar como você pode calibrar a sua produção para que, no final das contas, você consiga produzir a mesma coisa gastando menos energia, menos água, menos matéria-prima e gerando menos resíduos para serem tratados. Se você consegue isso, seu produto fica mais barato e você fica mais competitivo. As empresas ganham muito em competitividade quando conseguem fazer isso.

Pergunta: Quando falamos em investimento ambiental, estamos falando em melhoria da competitividade, em lucro, afinal?

Haroldo Mattos de Lemos: Claro, e é isso o que fez a atitude empresarial em relação ao meio ambiente mudar da água para o vinho nas duas últimas décadas. Até a metade do século XX, quando uma empresa era intimada a não jogar mais poeira na atmosfera do que a norma permitia, a única forma de resolver era botar um filtro na chaminé. Mas isso significava fazer um investimento, com gente fazendo manutenção, e o produto ficava mais caro. Até final da década de 70, início da de 80, a atitude empresarial em relação ao meio ambiente era reativa porque atender às questões ambientais significava perder competitividade, aumentar o custo do produto. Hoje a situação é diferente. Primeiro pela melhoria de produtividade e dos processos de produção, com redução de resíduos, de energia, de água, e economia de matéria-prima. Hoje existe uma segunda fase que é a melhoria do projeto dos produtos, o estudo do ciclo de vida desse produto, para verificar em que fase, se foi na retirada do material da natureza para gerar o produto, se foi durante sua fabricação, se é durante o uso do produto ou se é quando você joga ele fora, que está a fase de maior impacto sobre o meio ambiente. Hoje em dia a atitude empresarial é pró-ativa. A maioria das grandes empresas tem desempenho ambiental superior ao que é exigido pela lei, porque elas estão tendo lucro com a melhoria da produtividade. Para cada empresa tem uma solução indicada, ou é produção mais limpa, ou é gestão ambiental, ou é substituição de matéria-prima. Muitas empresas hoje sabem que cuidar do meio ambiente dá lucro.

Pergunta: Na prática o mercado já reconhece isso?

Haroldo Mattos de Lemos: O sistema financeiro é um excelente indicador. Os bancos perceberam que as empresas que cuidam do meio ambiente são mais sustentáveis e mais competitivas, e, portanto, têm maiores probabilidades de pagar um empréstimo. Tem uma frase famosa que diz que as empresas que não entrarem no caminho da competitividade, que não entrarem no caminho da ecoeficiência, não serão um problema no futuro porque elas deixarão de existir. Ou a indústria entra no caminho da ecoeficiência, e no caminho da sustentabilidade, ou a vida dela vai ser curta.

Palco de excelência

sexta-feira, 26 de outubro de 2007.

Palco da excelênciaAssim como já virou tradição, a nona edição da FIMAI - Feira Internacional de Meio Ambiente Industrial reuniu as principais empresas do setor, com foco em novas tendências, inovações tecnológicas e práticas bem sucedidas. Nos dois primeiros dias do evento, o estande da Silcon Ambiental, um dos maiores da feira, recebeu mais de 1500 visitantes, interessados em conhecer ou prestigiar o que há de mais inovador e moderno na área de tratamento de resíduos sólidos.

O evento aproximou clientes, parceiros e entidades representativas do setor num ambiente de confraternização e negócios. Pelo estande da Silcon no Pavilhão Branco do Expo Center Norte passaram parceiros como a Koletus Transportadora e Coletora de Resíduos. Voltada ao transporte e destinação de resíduos de pequenas e médias empresas, a Koletus oferece soluções e presta assessoria completa, de acordo com a necessidade de cada cliente.

“Nosso objetivo é que o cliente faça a destinação correta de seus resíduos, somos intermediários entre a tecnologia de tratamento e a empresa geradora”, conta Valdeny Veloso de Souza, supervisor de vendas da Koletus. “A Silcon é um dos nossos melhores parceiros comerciais, é cercada de bons profissionais, que nunca nos deixam na mão”, resume.

Entres os clientes presentes ao evento estiveram representantes da Fundação para o Remédio Popular, a Furp, do governo do Estado de São Paulo. Além das leis ambientais, esse setor obedece a orientações específicas para a destinação e a incineração de todo tipo de material e produto que tenha contato com a matéria-prima, o que resulta em resíduos perigosos, que exigem acompanhamento de sua destinação final.

Silvia Martarello Astolpho e Odair Luiz Segantini da ABRELPECoordenadora de departamento da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), Silvia Martarello Astolpho também esteve presente no estande da Silcon na FIMAI. “Este evento é onde se pode conhecer as tecnologias, as novidades e a política nacional de resíduos sólidos. Isso tudo casado representa um avanço muito grande, que mostra as diretrizes do setor, como fazer e as tecnologias disponíveis para colocar o conhecimento na prática”, diz Silvia.

“A Silcon é um ator importante nessa cadeia, uma vez que ajuda os geradores na solução do problema de sua responsabilidade, que é a destinação final dos resíduos”, diz a coordenadora da Abrelpe. O papel da associação é mostrar que pode haver equilíbrio entre todas as pontas desse processo. “Isso é o que nossos associados oferecem: tratamento de qualidade e garantia de que eles são co-responsáveis pelos seus resíduos”, avalia Odair Luiz Segantini, coordenador de departamento da Abrelpe.

“Se uma empresa tem uma mancha em sua reputação, não vejo como alguém possa entregar seu resíduo a ela com tranqüilidade”, diz Segantini. Ele completa: “nesse mercado é fundamental ter a garantia e a segurança de que haverá um tratamento adequado dos resíduos, e isso a Silcon tem de sobra”.

Fabiano Freitas - Vendedor Técnico da Silcon AmbientalNem sempre os corredores da FIMAI são o fórum apropriado para a concretização de negócios. “Mas esse tipo de evento é uma ótima oportunidade para expandir contatos, que vão dar frutos e negócios no futuro”, resume Fabiano Freitas, vendedor técnico da Silcon Ambiental. “O atendimento é nosso foco principal. Costumamos dizer que não existe problema sem solução e é por isso que estamos aqui, para mostrar aos nossos clientes e parceiros que isso é possível”, diz Freitas.

Veja galeria de fotos da IX FIMAI

A ameaça do lixo hospitalar

quinta-feira, 28 de junho de 2007.

A ameaça do lixo hospitalarO novo surto de tuberculose provocado pela destinação incorreta de material hospitalar nos Estados Unidos é um alerta dos riscos que o Brasil pode ter que enfrentar. O material descartável de hospitais que depois do uso não foi convenientemente destruído e destinado a um aterro com os cuidados devidos acabou fazendo com que a bactéria da tuberculose se alastrasse. O bacilo mais resistente foi constatado num cidadão americano, que foi isolado, encaminhado para sua casa num vôo exclusivo e colocado em quarentena - um procedimento que não acontecia em território americano desde a década de 1960.

No Brasil, os procedimentos em um caso semelhante não seriam os mesmos, segundo explicou Edson Rodriguez, diretor de operações da Silcon Ambiental e vice-presidente da Abrelpe (Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais). O procedimento determinado pela Anvisa, o órgão brasileiro de vigilância sanitária, é não descartar esse resíduo até que se constate que ele é realmente nocivo e tem a presença de bacilo alterado, resistente ou perigoso.

“Nossa legislação está um pouco confusa. Hoje tem uma orientação da Anvisa que recomenda que muitos resíduos devem ser destinados a aterro sem tratamento”, explicou Rodriguez em uma entrevista de rádio. E isso, segundo ele, é algo preocupante, tendo em vista os vários casos de doença que surgiram com a mutação de bacilos, como ocorreu com a tuberculose nos Estados Unidos.

Rodriguez explica que, de acordo com a resolução da Anvisa, os resíduos hospitalares originados do pronto atendimento de pacientes com tuberculose, hepatite ou aids não precisam ser tratados de forma especial. Em tempos de globalização, quando é intensa a viagem de pessoas, de mercadorias e produtos de vários cantos do mundo, essa medida pode ser arriscada e insuficiente, ele defende.

No caso da tuberculose, apesar da análise, medicação ou tentativa de diagnóstico, nem sempre se consegue detectar a presença da doença. A situação é alarmante porque uma pessoa incubada com o bacilo transmite anualmente essa doença para mais de quinze pessoas. O vice-presidente da Abrelpe alerta ainda para a capacidade de multiplicação dos agentes perigosos e a possibilidade de um problema de saúde pública no Brasil, já que os resíduos gerados podem ter uma destinação inadequada, entrar em contato com mais pessoas e com isso haver a proliferação de doenças.

O material hospitalar não vai para os aterros junto do lixo doméstico. Se vai, é por desvio ou por uma forma fraudulenta de destinação. No Rio de Janeiro, o problema é ainda mais sério por se tratar de uma cidade grande, que recebe turistas do mundo inteiro e não tem nenhum cuidado com o tratamento do lixo hospitalar. As 50 toneladas diárias de resíduo sólido de saúde produzidas na Cidade Maravilhosa são destinadas para gramar um lixão com a presença de catadores, aves, ratos e insetos.

Edson Rodriguez informa que existe uma ação da Promotoria determinando que os resíduos não sejam mais destinados ao aterro, uma vez que se trata de um procedimento de segurança para a saúde pública. A urgência da situação se dá por conta da proximidade dos jogos Pan Americanos do Rio de Janeiro, que ocorrem no próximo mês. O risco é de se repetir a história de forma trágica. Em 1963, os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro tiveram de ser suspensos por causa de um surto de meningite.

Já o Estado de São Paulo foi na contra-mão ao não aceitar as recomendações estabelecidas pela resolução da Anvisa. Quem vetou o processo foram os órgãos ambientais responsáveis, que poderiam responder criminalmente em caso de um eventual dano à saúde pública. O Estado tem cerca de 4500 hospitais, que produzem entre 80 e 90 toneladas diárias de resíduo sólido de saúde, ou 1% do total do lixo domiciliar. Dessa montanha, apenas vinte hospitais são responsáveis por 80% de todo o lixo produzido, e que segue para tratamento especial.