Artigos da categoria ‘Energias Renováveis’

Os dez maiores dilemas ambientais no Brasil

quinta-feira, 09 de outubro de 2008.

Um dos mais renomados especialistas brasileiros no fenômeno das mudanças climáticas, o pesquisador Eneas Salati elaborou um decálogo dos principais problemas ambientais a pedido do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), do qual foi consultor. Salati diz que o aumento de temperatura previsto para a Terra – de 0,6°C – parece pouco, mas é dramático e equivale à explosão de dez bombas de Hiroshima por segundo.

Ex-assessor do Banco Mundial e de seu braço financeiro, o International Financial Corporation (IFC), Salati atualmente é diretor técnico da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS) e membro do Fórum de Mudanças Climáticas. E defende que quando se trata de meio ambiente, metade da solução aparece quando se consegue definir em detalhes os problemas que se pretende enfrentar.
Nesta quarta-feira 8, Salati foi convidado para apresentar seu decálogo ambiental num encontro promovido pela Global Reporting Initiative (GRI), que define as regras para as empresas relatarem suas práticas e preocupações socioambientais.

Numa atitude inédita no mundo, a GRI, com sede em Amsterdã, na Holanda, escolheu o Brasil como projeto piloto para elaborar uma série de protocolos específicos para que as organizações brasileiras possam relatar suas ações sociais e ambientais nos balanços e relatórios de final de ano de forma condizente com as realidades nacionais.
A seguir, o decálogo dos dilemas ambientais segundo Eneas Salati:

1. Crescimento Populacional
Se tudo continuar como está, teremos um aumento populacional de 26% nos próximos trinta anos. Passaremos de 6,5 bilhões para 8,2 bilhões de pessoas no planeta.
Certa vez discuti com minha mãe sobre o impacto do crescimento populacional na degradação ambiental. Mas sou o nono filho de uma família de dez crianças e se tivesse controle populacional, eu não existiria.

2. Aumento do consumo de energia
Com o atual padrão de consumo, esperamos um aumento de 62% no consumo energético nos próximos trinta anos. Mais importante de tudo, se a China mantiver o mesmo padrão de consumo dos Estados Unidos, será necessário dobrar a produção de petróleo em vinte anos. Sobretudo, não há espaço para descartar todos os produtos que produzimos hoje.

3. Pobreza
Eu escolhi a palavra miséria para trata desse tema, mas o pessoal do BID e do Banco Mundial prefere a palavra pobreza. O que me interessa é traçar o paralelo entre miséria e pobreza e a degradação ambiental. Historicamente, a população mais pobre sempre ocupou áreas mais pobres em nutrientes, mais difíceis de se irrigar, menos férteis, mais passíveis de alagamento, desmoronamento, e com menos possibilidade de construção e de saneamento básico.

4. Aquecimento global
Em 2007, o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) confirmou, com 95% de certeza, que o atual aquecimento da Terra é provocado pelas atividades humanas. Há quem considere pouco o aumento de 0,6° C na temperatura média da Terra, mas é bom lembrar que isso representa uma explosão de dez bombas nucleares de Hiroshima por segundo no planeta. Nos mares, a situação é séria. Até 300 metros de profundidade, já começamos a notar um aquecimento de 0,5° C na temperatura da água dos oceanos.
O mais crítico mesmo é o degelo da calota polar do Ártico, uma estrutura que existe há milênios e que em poucos anos derreteu em ritmo acelerado, diminuindo em espessura e em tamanho. As projeções para as próximas décadas são péssimas. Num relatório recente, o IPCC falava que a calota polar do Ártico devia desaparecer em 50 anos, hoje já se fala que em 15 anos ela pode deixar de existir. O que os modelos climáticos apontam é que o aumento da temperatura em todos os continentes foi bem além das oscilações naturais do planeta.

5. Destruição dos ecossistemas
Estima-se que 11 milhões de hectares de florestas tropicais sejam desmatados anualmente no mundo, uma área equivalente ao território da Guatemala. As florestas tropicais prestam serviços ambientais e isso tem valor. No Brasil, existe uma excelente legislação ambiental. A implementação dessa legislação é que é deficiente e falha. O resultado é que perdemos espécies animais e vegetais num ritmo acelerado.
Quando vivi na Amazônia, como diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) na década de 70, havia apenas 0,5% de desmatamento. Hoje o desmatamento está em 20% de corte raso, sem contar a extração de madeira de lei.

6. Matriz energética de transporte
Hoje o petróleo representa 96% da matriz energética mundial para o transporte. O gás natural responde por 2,4%, a eletricidade por 1,2% e o carvão, 0,4%. Já no Brasil a matriz é diferente. O petróleo representa 83,9%, o gás natural, 3,8%, a eletricidade por 0,2% e as energias renováveis respondem por 12% da nossa matriz energética. Precisamos investir em energias renováveis.

7. Lixo
A quantidade média produzida por um ser humano é de cinco quilos por semana. A produção diária de lixo no Brasil é de 240 mil toneladas. Na prática, 88% desse volume de lixo vai para os aterros sanitários ou lixões. O custo anual entre a coleta e o descarte é de R$ 4,1 bilhões. Uma das tecnologias mais utilizadas na Europa é a da incineração. Ela é cara, sem dúvida, mas é extremamente eficiente.

8. Impacto sobre a biodiversidade

Os impactos sobre a biodiversidade são de várias naturezas. Hoje há uma exploração excessiva dos recursos naturais e a introdução de espécies e doenças exóticas.

9. Recursos hídricos
A questão da água tem várias implicações. Primeiro que há uma sobre-utilização dos recursos hídricos por parte da agricultura. O saneamento básico praticamente não existe, há legislação, existe obrigação, mas ninguém faz, nem o município, nem o Estado, nem o governo federal. É preciso tratar os resíduos industriais e resolver a escassez e o manejo dos recursos hídricos no semi-árido brasileiro. Não é falta de tecnologia o que temos, também não há falta de dinheiro. No caso do saneamento básico, falta vontade.

10. Mudança climática global
O problema é muito mais sério do que parece. As mudanças climáticas não vão ocorrer hoje, nem amanhã, mas já começam a acontecer. O modelo hídrico para a Amazônia e o Nordeste brasileiro precisa de um viés diferente. Não apenas para a produção de eletricidade e de comida, mas para a produção de resultados socioambientais.
Os atuais padrões de consumo são incompatíveis com a disponibilidade de recursos naturais. A velocidade de consumo está além da capacidade de reposição natural do planeta. É preciso fazer uma revisão e atualização das legislações referentes ao tema.
Por isso considero importante esse Anexo Nacional proposto pela GRI para estimular as empresas a se adequarem a padrões internacionais de qualidade de gestão ambiental, indo além da própria legislação ambiental nacional.

A eleição americana e o futuro do planeta

quinta-feira, 25 de setembro de 2008.

Qualquer que seja o vencedor da próxima eleição presidencial dos Estados Unidos, quem assumir no dia 20 de janeiro de 2009 vai herdar uma lista de desafios consideráveis. E terá um papel vital na forma de os americanos e o mundo lidarem com as mudanças climáticas.
Para marcar as diferenças entre os dois candidatos à presidência americana – Barack Obama e John McCain – a revista científica britânica Nature divulgou esta semana um detalhado relatório para revelar o que Democratas e Republicanos pensam sobre o aquecimento global e o futuro da energia.
Os Estados Unidos buscam recuperar seu papel de negociador relevante nas conferências internacionais sobre o clima. O tempo é crucial para isso, já que o próximo encontro mundial, marcado para dezembro de 2009, em Copenhagen, na Dinamarca, é o prazo final para a negociação do sucessor do Protocolo de Kyoto – que toma como parâmetro as emissões de gases de efeito estufa de 1990 e propõe uma redução média de 5,2% até o ano de 2012.

Ao assumir a Presidência dos Estados Unidos, além das questões nacionais, Obama ou McCain também enfrentará um dilema interno na questão do clima. Terá de colocar em prática a legislação climática e tornar uma prioridade a redução americana de gases que agravam o efeito estufa.

Alguns especialistas consultados pela publicação científica britânica apostam que o mais provável é que o sistema americano siga o modelo de reduzir as emissões por intermédio de incentivo econômico para quem limitar suas emissões, de forma a poder negociar os créditos restantes.

A seguir, um retrato dos candidatos à Presidência dos Estados Unidos.

Republicanos

O senador John McCain está liderando a causa das mudanças climáticas antes mesmo de ela se tornar um assunto central no Partido Republicano. Ele promoveu a primeira emenda no Senado defendendo uma redução compulsória das emissões de gases de efeito estufa.

Antes contrário à exploração petrolífera em águas profundas, o senador que fez das mudanças climáticas uma de suas bandeiras mudou de idéia, sob pressão do aumento recorde dos preços do barril de petróleo. Agora McCain defende agressivamente a expansão e a produção doméstica de petróleo e gás.

A indicação da governadora do Alasca, Sarah Palin, como vice-presidente traz uma mensagem ambígua quando se trata de clima e energia. Em entrevistas recentes, Palin questionou publicamente se o aquecimento global era mesmo resultado da influência das ações humanas e transformou a exploração petrolífera em áreas intocadas do Alasca em uma de suas plataformas políticas.

Democratas

O senador Barack Obama assume uma postura rígida quando se trata das políticas de clima e energia. Ele defende a proposta de, até 2050, reduzir em 80% as emissões de gases de efeito estufa em relação aos índices de 1990.

Inicialmente favorável à moratória federal contra a exploração de petróleo em águas profundas, Obama recentemente mudou de opinião, concordando com um pacote que permite perfuração limitada em alto-mar.

Em janeiro, Obama foi duramente criticado pelos ambientalistas por defender a produção de carvão. Seu vice-presidente, Joe Biden, é um advogado com grande influência na área de mudanças climáticas. Ele foi o único senador a votar contra uma resolução de 1997 que propunha que os Estados Unidos não deveriam ser obrigados a reduzir suas emissões se países em desenvolvimento não fossem igualmente responsabilizados.

Gases de efeito estufa

Obama defende uma redução de 80% em 2050 e que se volte aos níveis de 1990 por volta de 2020.
McCain tem como meta reduzir as emissões aos níveis de 1990 até 2020 e chegar a 60% de queda em 2050.

Energia

Obama concorda com o ex-vice-presidente americano Al Gore de que os setores público e privado devem investir em energia renovável. Ele defende que até 2025, esta fonte represente 25% do portfólio americano e propõe incentivos para estimular a busca da eficiência energética.

McCain defende a exploração americana de petróleo e de gás e mudou para o lado dos defensores da perfuração num refúgio de vida animal numa região do Ártico, no nordeste do Alasca. Ele ainda propõe a construção de 45 novas usinas nucleares até 2030 e argumenta sua escolha no fato de que a energia nuclear não emite gases de efeito estufa.

Pesquisadores avaliam impacto das mudanças climáticas na produção de energias renováveis

quarta-feira, 06 de agosto de 2008.

Pesquisadores de várias instituições brasileiras estão reunidos nesta segunda-feira (4), para discutir e avaliar os resultados obtidos com o projeto “Mudanças Climáticas e Energias Renováveis”. Participam da iniciativa - financiada pela Petrobras, através da Rede Temática de Mudanças Climáticas - pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCT), Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuária (Embrapa), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável e a Universidade de Salvador. A reunião acontece no Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), no Rio de Janeiro (RJ).

O projeto visa a produzir uma análise, em alta resolução espacial, do impacto projetado pelas mudanças climáticas no potencial de diversas fontes de biomassa para fins energéticos e da energia eólica no território nacional. Esta análise poderá subsidiar políticas energéticas de médio e longo prazo para o País.

Nos últimos anos, desenvolveu-se no Brasil a capacidade de gerar cenários de mudanças climáticas sobre a América do Sul em alta resolução espacial. Neste estudo, as projeções regionalizadas para a América do Sul - geradas pelo Inpe, com modelos climáticos regionais - serão utilizadas para dois cenários de emissão de gases de efeito estufa do IPCC: cenários A2, de maior emissão, e B2, de menor emissão, para o Século XXI.

No campo da bionergia e biocombustível, o estudo avalia a resposta a cenários climáticos atuais e futuros para oito culturas agrícolas, com alto potencial para a produção de bioenergia e bicombustíveis e consideradas representativas para o País: algodão, cana-de-açúcar, girassol, soja, mamona, dendê, amendoim e canola.

A metodologia utilizada neste estudo considera os mesmos parâmetros do zoneamento agrícola em 2007 e simula como as culturas irão responder às mudanças climáticas projetadas para o Brasil, de forma a avaliar como as áreas e os municípios serão afetados pelos efeitos térmicos e hídricos.

No caso da cana-de-açúcar, a base para a avaliação dos impactos será o zoneamento estabelecido pelo Ministério da Agricultura, que leva em consideração não somente os parâmetros climáticos, mas também os de solos, relevo, destinação de áreas agrícolas para produção de alimentos versus bionergia, áreas de preservação permanente e áreas de alta biodiversidade nos diversos biomas brasileiros. Espera-se que o aumento da temperatura promova um crescimento da evapotranspiração e, conseqüentemente, um aumento na deficiência hídrica, na ausência de aumentos significativos da precipitação pluviométrica, com reflexo direto no risco climático para a agricultura. Por outro lado, com o aumento das temperaturas, ocorrerá uma redução no risco de geadas no sul, sudeste e sudoeste do País, acarretando um efeito benéfico às áreas atualmente restritas ao cultivo de plantas tropicais.

A dinâmica climática deverá causar uma migração das culturas adaptadas ao clima tropical para as áreas mais ao sul do País ou para zonas de altitudes maiores, para compensar a diferença climática. Ao mesmo tempo, haverá uma diminuição nas áreas de cultivo de plantas de clima temperado do País. Resultados preliminares indicam que um aumento da temperatura próximo a 3°C causará um possível deslocamento da cana-de-açúcar para áreas de latitudes mais altas.

No que concerne à energia eólica, em mais de 71.000 km2 do território nacional, as velocidades de vento são superiores a 7 m/s à altura de 50 m acima da superfície - altura típica para os aerogeradores - tornando o Brasil um dos países com o maior potencial de geração de energia eólica do mundo. Entretanto, as mudanças climáticas causadas pelo aquecimento global podem modificar as circulações atmosféricas próximas à superfície e afetar o potencial eólico. Cenários de mudanças dos ventos para o final do século, em alta resolução espacial para os cenários A2 e B2 do IPCC e modelagem matemática em alta resolução, permitirão estimar como o potencial eólico será alterado, e há indicações preliminares de que pode haver diminuição deste potencial.

(Envolverde/Ministério da Ciência e Tecnologia)

Foz do Iguaçu sediará Fórum Global das Energias Renováveis

terça-feira, 18 de março de 2008.

Foz do Iguaçu sediará Fórum Global das Energias RenováveisEncontro será os dias 18 e 20 de maio, e abordará o desenvolvimento de novas fontes geradoras no contexto das mudanças climáticasO Brasil vai sediar o Fórum Global de Energias Renováveis (Brasil +2008) no próximo mês de maio. A realização do evento será em Foz do Iguaçu, entre os dias 18 e 20, e está a cargo da Itaipu Binacional, em parceria com a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Onudi).

O encontro vai reunir alguns dos principais executivos de empresas e de instituições internacionais no campo da energia, além de especialistas de renome mundial nessa área. Serão debatidos, entre outros temas, os grandes aproveitamentos hidrelétricos, os biocombustíveis e a geração por meio de energia solar, biomassa e eólica, no contexto das mudanças climáticas e do declínio dos combustíveis fósseis.

A cerimônia de abertura será no dia 18 de maio, às 18h30, com as presenças do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, do ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, do secretário geral da Cúpula Íbero-americana, Enrique Iglesias, do diretor geral da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Onudi), Kandeh Yumkella, do ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, do presidente da Eletrobrás, Valter Luiz Cardeal de Souza, além dos diretores-gerais brasileiro e paraguaio da Itaipu, Jorge Samek e Ramón Romero Roa.

As conferências ocorrerão ao longo da terça (19) e quarta-feira (20), encerrando com uma visita técnica à hidrelétrica de Itaipu. Estarão representadas instituições como o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), a Agência Internacional de Energia Atômica, a Agência Internacional de Energia, a Organização das Nações Unidas, a Rede de Políticas de Energias Renováveis para o Século 21 (REN 21), a Associação Internacional de Hidroeletricidade, entre outras.

O presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli de Azevedo, é esperado para um debate sobre “As condições de mercado das energias renováveis versus combustíveis fósseis”, temática que também reunirá o presidente da British Petroleum, Peter Sutherland, e a CEO do Global Environment Facility (GEF), Monique Barbut. Outro debate de destaque é o que trata das “Ligações entre as mudanças climáticas, segurança energética e as energias renováveis”, que contará com a participação do presidente do Conselho Mundial de Energias Renováveis, o parlamentar alemão Herman Scheer. Ambos ocorrerão na terça-feira, 19.

A quarta-feira (20) será o dia das mesas redondas específicas sobre cada uma das renováveis: hidroenergia de grande porte, hidroenergia de pequeno porte, energia solar, eólica, biocombustíveis, bioenergia na agroindústria e, por fim, o cenário econômico e financeiro para o desenvolvimento das energias renováveis.

As energias renováveis estão entre os campos mais promissores da economia internacional, dada a urgência de se desenvolver fontes geradoras limpas, que não contribuam para o aquecimento global. Em 2007, conforme relatório apresentado na COP 13, em Bali, os investimentos mundiais em energias de baixo carbono, excetuando hidrelétricas de grande porte, somaram US$ 70 bilhões. Se incluídas as hidrelétricas, o volume chega quase a US$ 100 bilhões.

O Brasil desponta como um forte candidato a ocupar posição de destaque nesse mercado, especialmente em função do domínio das tecnologias de hidroeletricidade (que responde por 84% da matriz elétrica do país) e dos biocombutíveis (etanol e biodiesel). Além disso, por sua posição geográfica, condições climáticas e elevada biodiversidade, o país apresenta grande potencial para o desenvolvimento da energia solar, eólica e da biomassa, esta especialmente para aplicações junto às atividades agropecuárias e agroindustriais.

Durante o Fórum Global, os participantes terão a oportunidade de conhecer de perto as experiências bem sucedidas da região Oeste do Paraná no campo das energias renováveis. Uma delas é a unidade modelo de demonstração do aproveitamento de biogás para geração elétrica, que foi instalada na Granja Colombari, em São Miguel do Iguaçu.

Ali, dejetos da criação de suínos são utilizados para produzir eletricidade. Apesar de já existirem projetos similares no país, essa é a primeira vez que a concessionária local, no caso a Companhia Paranaense de Energia (Copel), está recebendo o excedente da energia produzida, que é absorvido na rede pública. A partir dos testes feitos nessa propriedade, será definida uma política de remuneração do produtor rural, o que estabelece uma nova dimensão para o agronegócio. Além disso, a experiência vai permitir criar uma legislação específica e regulamentar esse tipo de geração no país.

(Envolverde/Itaipú)

http://envolverde.ig.com.br/materia.php?cod=44549

Produção de biocombustível aproxima São Paulo e Califórnia

segunda-feira, 01 de outubro de 2007.

Produção de biocombustível aproxima São Paulo e CalifórniaOs Estados da Califórnia (EUA) e de São Paulo iniciaram segunda-feira, 24, na capital, nova fase de relacionamento na área de biocombustíveis. Em encontro realizado na Câmara Americana do Comércio (Amcham), representantes dos dois Estados apresentaram números relativos à pesquisa e à produção de energias renováveis, em especial do álcool (etanol) e do biodiesel. Também debateram políticas públicas brasileiras de incentivo à produção e as barreiras comerciais impostas à circulação internacional desses produtos.O seminário abre espaço para o compartilhamento de tecnologias. A meta conjunta é reduzir a emissão de poluentes e aprimorar e estimular o uso das fontes renováveis de energia. O interesse dos 20 empresários e representantes do governador Arnold Schwarzeneger é conhecer o modo de produção do etanol de cana, de amido e celulósico, biodiesel e metanol.

A visita dos americanos terminará no fim de semana. Em aberto, está a exploração de possibilidades de colaboração entre os dois países (incluindo instituições de pesquisa públicas e do setor privado). O governo paulista mostrou a situação atual da agroindústria brasileira do setor e as possibilidades de aumento de produção e de investimentos. Virgínia Parente, do Instituto Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo, informou que a produção de cana ocupa 10% da área cultivável brasileira (sendo metade para açúcar e 50% para etanol) e não vai inviabilizar a plantação de alimentos e nem ocupar a Amazônia ou o Pantanal.

O futuro é agora - O diretor do Departamento de Alimentos e Agricultura da Califórnia, Steve Shaffer, explicou que o plano de bioenergia californiano estipula a redução de 10% da emissão de carbono proveniente de combustível até 2020 e o acréscimo do uso de bionergia em 20% até 2010, com aumento progressivo ao longo dos anos. Para atingir essas metas, o governo, disse Shaffer, busca novas fontes renováveis de energia e aumento de utilização dos combustíveis disponíveis que emitem menos poluentes (CO2) na atmosfera.

Na Califórnia, há quatro fábricas de etanol em operação e mais duas em construção. Os americanos produzem etanol a partir do milho e o Brasil extrai o combustível da cana. Virgínia disse que o diferencial entre os dois produtos é quanto de energia é gasto para produzir e o quanto de energia se obtém do processo: “A proporção no caso da cana é de 1 para 8; para o milho é de 1 para menos de 2. A diferença de preço também é grande. O etanol americano é subsidiado, o brasileiro, não”.

Em relação à possibilidade de acordo, Virgínia ressaltou que ambos os países têm muito a contribuir na troca de conhecimentos e tecnologias. “Com o fim da era do petróleo, o álcool terá papel muito importante e o futuro do etanol é agora. O petróleo não será substituído por uma única forma de energia porque é utilizado em várias aplicações”.

Jonnalee Henderson, analista política da Secretaria de Alimentos e Agricultura do Estado da Califórnia, disse que esse encontro serviu para estabelecer contato entre especialistas com a mesma visão, idéia e objetivos, o que pode ajudar em trabalhos conjuntos e em entendimentos futuros. Ao término do encontro, Joseph Tutundjian, um dos representantes da Amcham, sublinhou a importância do trabalho da Câmara de Comércio em “facilitar a relação dos americanos com os brasileiros e permitir o entendimento entre os países”.

Contatos e oportunidades

Uma das palestras do encontro foi proferida por Joseph Tutundjian, representante da Amcham e especialista em comércio exterior. Na oportunidade citou o empenho da Califórnia para reduzir emissões até 2020. Revelou a intenção do governador Arnold Schwarzenegger de estreitar laços com o Estado de São Paulo. “No momento, a fase é de reconhecimento. Este intercâmbio poderá transferir tecnologia entre universidades e abrir caminho para parcerias com empresas dos dois países. E até facilitar futura redução tarifária sobre o etanol brasileiro e expandir o mercado do biodiesel”, assinalou. A agenda da comitiva tem visitas agendadas na capital à Cetesb, USP, Ceagesp e Secretaria Estadual do Meio Ambiente.

Em Piracicaba, o grupo de 20 representantes norte-americanos conhecerá a Dedini, principal fabricante brasileira de caldeiras e componentes para usinas sucroalcooleiras. O roteiro também prevê ida ao Centro Experimental de Cana da Secretaria Estadual da Agricultura, em Ribeirão Preto, responsável pela produção de mudas especiais para as fazendas paulistas.

O brasileiro Tutundjian preside a empresa Winner Comércio Internacional. Acredita num caminho comum para a expansão do etanol brasileiro, derivado da cana, e o dos Estados Unidos, produzido a partir do milho. “A hidrólise enzimática ampliará o rendimento da fabricação de biocombustíveis, sem precisar aumentar as áreas de plantio. Permite reaproveitar sobras vegetais ricas em celulose - bagaço de cana e palhas de milho e de arroz”, observa.

“Além do custo de produção menor, o rendimento por tonelada da cana no Brasil é superior ao do etanol nos EUA. Uma motivação brasileira é exportar a tecnologia de construção de projetos de usina de açúcar e álcool. Este é um dos pontos de interesse dos americanos, que já estão investindo no etanol celulósico, favorecido pela hidrólise enzimática”, destacou.
(Envolverde/Imprensa Oficial)