Artigos da categoria ‘Energias Alternativas’

São Carlos (SP) quer se tornar referência em energias alternativas

terça-feira, 25 de novembro de 2008.

A cidade de São Carlos, no interior paulista, pode, em dois anos, se transformar num centro de referência em energia alternativas. Para isso, os ministros da Ciência e Tecnologia (MCT), Sergio Rezende, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Reinhold Stephanes, e o prefeito do município, Newton Lima, assinaram, na quinta-feira (20), em São Paulo (SP), um memorando de entendimento que visa a criar a Cidade da Bioenergia.

O centro ocupará uma área de aproximadamente de 2.600 hectares e fica pronto em 2010. A parceria tem também a participação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

“A Embrapa é fundamental para o sucesso dessa parceria”, destacou Sergio Rezende, no ato de assinatura do memorando. O projeto faz parte de um conjunto de medidas que garantiu a liderança do País no setor agropecuário. A iniciativa visa a transformar a Cidade da Bioenergia referência em tecnologia integrada à cadeia de produção.

“Será a maior concentração de cientistas que desenvolverão novas formas de pesquisa, por exemplo, a nanotecnologia aplicada à área agrícola”, prevê Reinhold Stephanes.

Laboratório
De acordo com o presidente da Embrapa, Silvio Crestana, o projeto deve se iniciar em 2009, com inauguração estimada para o início de 2010. Para completar o projeto, Crestana acredita que, no início do próximo ano, será oficialmente inaugurado o Laboratório Nacional de Nanotecnologia para o Agronegócio, também instalado em São Carlos.

*Com informações do Mapa
(Envolverde/Ministério da Ciência e Tecnologia)

China trilha liderança no mercado de energia solar

quarta-feira, 19 de novembro de 2008.

Em cinco anos, o país desenvolveu uma indústria de exportação multibilionária e hoje está entre os três maiores produtores mundiais de painéis fotovoltaicos

A etiqueta “Made in China”, que hoje está espalhada em produtos por todo o mundo, deve em breve dominar também as exportações de painéis fotovoltaicos. Através de planejamento e políticas de incentivo, a China conseguiu criar um mercado multibilionário para o setor solar em menos de cinco anos e hoje está entre os três maiores produtores mundiais de painéis fotovoltaicos.

“Hoje, 90% do que o país fabrica é exportado, principalmente para a Alemanha e Espanha”, afirma o pesquisador Qian Qiu Zhao, do departamento de Pesquisas em Engenharia e Tecnologia da DuPont. As exportações de módulos fotovoltaicos do país chegaram a US$ 1,2 bilhões em 2006.

Existem hoje mais de cem fabricantes de painéis solares na china e, nos últimos três anos, nove empresas chinesas do setor abriram capital na bolsa de Nova York. “A China não esperou o mercado interno para desenvolver a indústria de painéis fotovoltaicos”, comenta Zhao que está no Brasil participando da III Conferência Latino-americana da ISES (Sociedade Internacional de Energia Solar).

A principal política governamental adotada pelo país foi o “Plano de Cinco Anos”, com o uso da estrutura criada para incentivar outros setores industriais, como as “zonas de alta tecnologia” e as “zonas de livre comércio”, e incentivos para o desenvolvimento econômico local. Zhao cita também os investimentos na formação de pesquisadores no exterior e a formação de profissionais especializados.

“O dr. Shi da Suntech estudou na Universidade de New South Wales, na Austrália, e quando voltou para a China abriu a empresa. O mesmo com a Shanghai JTU e a Beijing PV Inst”, cita Zhao. Ao mesmo tempo, a mão-de-obra barata para a manufatura continua sendo um fator que outros países não conseguem competir.

O especialista destaca que muitas empresas que acumularam riquezas nos últimos 30 anos agora investem neste setor, como as localizadas nas províncias de Jiangsu e Zejiang. Além disso, a indústria solar conta com investidores de Hong Kong, Taiwan e de bancos ocidentais.

Zhao explica que a maioria das empresas chinesas usa a tecnologia de silício cristalino na fabricação, material com uma boa eficiência de conversão energética, mas que o interesse pelo silício amorfo cresce no mundo. “Bilhões de dólares estão sendo investidos hoje em filmes finos de silício amorfo, mas ainda não há prova de durabilidade”, afirma Zhao.

O próximo passo para o país será criar um mercado doméstico que, na opinião de Zhao, será uma evolução natural.
(Envolverde/CarbonoBrasil)

A onda dos carros verdes

quinta-feira, 13 de novembro de 2008.

Os Salões do Automóvel costumam ser excelentes termômetros para apontar tendências e antecipar comportamentos de uma sociedade motorizada. Pelo que se viu nos corredores do Salão de São Paulo, de Londres, Los Angeles, Paris e Jacarta, resta pouca dúvida de que a indústria automobilística já está se preparando para uma era sem petróleo – pelo menos sem petróleo em abundância. As principais montadoras já exibem em seus portfólios modelos que rodam com motor elétrico ou híbrido.

Será justamente em Detroit, a meca americana dos carros, em janeiro de 2009, que a Toyota pretende mostrar em público um de seus mais bem guardados segredos industriais: a quarta geração do Prius, o modelo híbrido mais bem sucedido do mundo.

O carro chega às concessionárias da Toyota nos países onde é vendido somente em 2010. Além do novo visual – já flagrado e divulgado na internet –, especula-se que o novo Prius deva ter motor elétrico mais eficiente, com baterias menores e maior capacidade de armazenamento de energia, o que deve aumentar sua autonomia. Outra novidade é a possível adição de painéis solares no teto do carro, que devem servir como uma fonte de energia auxiliar para equipamentos eletrônicos, de acordo com os especialistas no setor.

Lançado em 1997 no Japão, o Prius foi o primeiro carro híbrido produzido em massa no mundo. Concebido como uma alternativa aos problemas ambientais e de consumo de combustível, o modelo logo se tornou um sucesso em diversas partes do mundo, em especial nos Estados Unidos e alguns países na Europa. Atualmente, o carro é vendido em 40 países e sua produção ultrapassou a marca de um milhão de unidades este ano.

Para não ficar atrás, a alemã Volkswagen mostrou sua disposição de ser a primeira montadora a colocar no mercado brasileiro um carro ecológico, com maior economia de combustível e menor emissão de poluentes. Os modelos verdes farão parte da linha BlueMotion (que na Europa utilizam motor a diesel) e chegam às lojas ainda neste ano, segundo a montadora. O primeiro deles será o Polo, seguido de Fox e Gol.

Todos virão equipados com motor 1.6 TotalFlex, mas já se sabe que os engenheiros da montadora estudam possibilidades para melhorar a média de consumo e reduzir a emissão de poluentes. Para isso, um novo escalonamento de marchas está sendo desenvolvido, além de uma reprogramação do gerenciamento da injeção eletrônica.

A italiana Fiat também mostrou seus feitos ecológicos e apresentou em São Paulo a Palio Weekend com motor elétrico e um protótipo do buggy ecológico Bugster idealizado por um estúdio de design. O buggy versão off-road transporta duas pessoas, tem carroceria de fibra e motor elétrico desenvolvido em Betim, Minas Gerais.

Já a Ford desenvolveu o Fusion 2010, que chega ao mercado em 2009 em versão híbrida. O sedã deve participar da prova de Nascar, a Stock Car americana. Sob o capô, está um motor de tecnologia híbrida de 263 cv de potência. Segundo a Ford, na cidade apenas com o motor elétrico e com velocidade média de 75 km/h, ele poderá rodar mais de 1000 km. Não é o que deve ocorrer nas ruas. Pelo menos não nas ruas e avenidas congestionadas de São Paulo

Pré-sal não interfere nos investimentos em energias renováveis

terça-feira, 07 de outubro de 2008.

O esgotamento dos combustíveis fósseis e os danos atmosféricos causados pela queima desta fonte energética costumam ser bons argumentos para se investir em energias renováveis. O empenho tecnológico e financeiro das descobertas do petróleo do pré-sal, contudo, parecem ser um sinal de que a humanidade ainda não está preparada para largar o vício às fontes sujas.

A Petrobras investiu US$1,5 bilhões em 15 poços perfurados nos últimos dois anos para chegar até as descobertas recentes.

“A energia renovável é um caminho que vai se firmar no tempo”, opina o diretor-presidente do Instituto para o Desenvolvimento das Energias Renováveis na América Latina (Ideal) Mauro Passos.

Mesmo sem as descobertas do pré-sal, o atual nível de reservas globais de petróleo garante o abastecimento mundial para, no mínimo, 40 anos, considerados os níveis atuais de consumo, segundo entidades que analisam o mercado.

Porém enquanto os custos para produzir energia a partir de combustíveis fósseis continuarão subindo, o valor da produção com renováveis seguirá caindo, principalmente devido aos avanços tecnológicos.

“O pré-sal é uma descoberta pontual do Brasil, mas sob o ponto de vista do consumo global de fósseis, dificilmente vai reduzir o preço internacional, pois os grandes consumidores não estão nem aqui, estão onde não tem petróleo, como na China”, comenta o especialistas em energias alternativas.

Passos cita a energia solar como um grande potencial ainda não explorado. “Ela é inesgotável, o que nos falta é conhecimento de como absorver esta energia. Como o conhecimento está associado a investimento em tecnologias e como tem muito país investindo pesado para desenvolver novas formas de maior eficiência enérgica em relação a isso, eu acho que ela vai estar presente logo, logo”, afirma.

Dos fósseis para as renováveis

Os pesquisadores da COPPE/UFRJ, que desenvolvem estudos na área de mudanças climáticas e energias, prevêem um momento de transição dos combustíveis fósseis para as fontes renováveis que, no entanto, ainda não foi iniciado e poderá levar décadas.

“O petróleo pode ser importantíssimo, porque o uso de outras fontes pega carona na estrutura criada pela indústria petroleira, como transporte do combustível, redes de abastecimento, etc”, explica o professor da COPPE Roberto Schaeffer.

Schaeffer lembra que os custos para extração do petróleo do pré-sal serão muito mais elevados que outras fontes, como o álcool, que irá ficar cada vez mais barato. “Então vamos usar mais álcool, claro”, afirma.

O professor de planejamento energético destaca ainda que o fato de achar ou não petróleo não irá criar por si só a demanda. O Brasil utiliza o petróleo e os derivados em algumas indústrias, porém o maior destino do combustível é para o abastecimento dos meios de transporte. “Não é porque achamos petróleo que vamos lotar as ruas do Rio e de São Paulo com ônibus e mais carros. Nosso consumo depende do desenvolvimento econômico do país”, comenta.

Em declarações feitas no final de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que seriam investidos US$112 bilhões entre 2008 e 2012 no petróleo do pré-sal. Porém o próprio presidente destacou que alguns especialistas estimam serem necessários US$600 bilhões para explorar todas as reservas.

E por que não utilizar este montante em fontes limpas e, assim, acelerar a transição para o uso mundial de renováveis? Schaeffer responde enfaticamente: “Não existe no mundo US$600 bilhões para investir em renováveis”.

Nenhum banco emprestaria dinheiro se não houvesse uma garantia de retorno econômico, explica Schaeffer.  “Não há competição por isso (investimentos em renováveis ou petróleo)”.

Royalties

O professor de planejamento energético sugere utilizar parte da receita dos royalties do petróleo para criar um fundo de energias renováveis. Porém Passos comenta que já houve tentativas similares, inclusive com projetos de lei em tramitação na Câmara de Deputados para criar tais mecanismos.

“Antes do pré-sal já tínhamos um entendimento de que o petróleo é um bem da nação, que não pode privilegiar uma cidade ou um estado só porque eventualmente está de frente para a plataforma onde será extraído”, afirma Passos.

Na avaliação dele, o uso dos recursos provenientes da extração do petróleo está ainda em nível de discurso, com pouca ação efetiva. “A gente tem pouco acesso ao que entra. Acho que até o Tribunal de Contas fica fora desta partilha e é um dinheiro ‘carimbado’, muito centrado hoje no Rio de Janeiro”, diz.

A Petrobras argumenta que tem investindo em novas formas de energia, com a criação, por exemplo, de uma nova subsidiária de biocombustíveis. “A Petrobras encara o etanol e o biodiesel  como  parte  do  seu  negócio,  mesmo  porque  deverão  ser  os combustíveis  do futuro”, diz a empresa por meio da assessoria de imprensa.

Segundo a Petrobras, apenas 1,7% das terras agriculturáveis brasileiras (que totalizam 350 milhões de hectares, quase metade do território nacional) é usado na produção de etanol e biodiesel. “O País também tem sol, água, tecnologia e conhecimento na produção, logística e comercialização do etanol, além de vocação natural para a produção de oleaginosas próprias para a produção de biodiesel”, defende a empresa.

Brasil e a transição para energias limpas

Passos diz que iniciar a transição de uso de combustíveis fósseis para renováveis será uma questão de ajuste entre tempo, investimentos, mercado e necessidades de se ter energia limpa. “Eu acho que é um pouco mais longo no Brasil do que, por exemplo, na Alemanha. O Brasil sempre teve opções naturais que fizeram com que a energia alternativa retardasse a presença na matriz energética”, afirma.

Por isso, ele considera as hidrelétricas do Rio Madeira mais impactantes na questão das energias alternativas do que as descobertas do pré-sal. “Elas dificultam a entrada das renováveis porque esta energia está sendo leiloada a um valor relativamente baixo e deve deslocar a entrada de novas energias eólicas e solares por mais um tempo”, explica.

Contudo, Passos ressalta que isto é uma peculiaridade do Brasil, pois nenhum outro país tem tal potencial hidrelétrico e nem descobertas de petróleo no pré-sal.  As estimativas dele são de um crescimento de quase 20% ao ano para as energias renováveis no mundo, além de uma intensificação da demanda por parte da sociedade.

“A energia renovável estará logo entre as reivindicações da população, como uma alternativa de urbanidade, de uma preocupação com a qualidade de vida em concentrações urbanas. Em breve teremos telhados solares, por exemplo”, prevê Passos.
(Envolverde/CarbonoBrasil)

Pesquisadores avaliam impacto das mudanças climáticas na produção de energias renováveis

quarta-feira, 06 de agosto de 2008.

Pesquisadores de várias instituições brasileiras estão reunidos nesta segunda-feira (4), para discutir e avaliar os resultados obtidos com o projeto “Mudanças Climáticas e Energias Renováveis”. Participam da iniciativa - financiada pela Petrobras, através da Rede Temática de Mudanças Climáticas - pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCT), Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuária (Embrapa), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável e a Universidade de Salvador. A reunião acontece no Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), no Rio de Janeiro (RJ).

O projeto visa a produzir uma análise, em alta resolução espacial, do impacto projetado pelas mudanças climáticas no potencial de diversas fontes de biomassa para fins energéticos e da energia eólica no território nacional. Esta análise poderá subsidiar políticas energéticas de médio e longo prazo para o País.

Nos últimos anos, desenvolveu-se no Brasil a capacidade de gerar cenários de mudanças climáticas sobre a América do Sul em alta resolução espacial. Neste estudo, as projeções regionalizadas para a América do Sul - geradas pelo Inpe, com modelos climáticos regionais - serão utilizadas para dois cenários de emissão de gases de efeito estufa do IPCC: cenários A2, de maior emissão, e B2, de menor emissão, para o Século XXI.

No campo da bionergia e biocombustível, o estudo avalia a resposta a cenários climáticos atuais e futuros para oito culturas agrícolas, com alto potencial para a produção de bioenergia e bicombustíveis e consideradas representativas para o País: algodão, cana-de-açúcar, girassol, soja, mamona, dendê, amendoim e canola.

A metodologia utilizada neste estudo considera os mesmos parâmetros do zoneamento agrícola em 2007 e simula como as culturas irão responder às mudanças climáticas projetadas para o Brasil, de forma a avaliar como as áreas e os municípios serão afetados pelos efeitos térmicos e hídricos.

No caso da cana-de-açúcar, a base para a avaliação dos impactos será o zoneamento estabelecido pelo Ministério da Agricultura, que leva em consideração não somente os parâmetros climáticos, mas também os de solos, relevo, destinação de áreas agrícolas para produção de alimentos versus bionergia, áreas de preservação permanente e áreas de alta biodiversidade nos diversos biomas brasileiros. Espera-se que o aumento da temperatura promova um crescimento da evapotranspiração e, conseqüentemente, um aumento na deficiência hídrica, na ausência de aumentos significativos da precipitação pluviométrica, com reflexo direto no risco climático para a agricultura. Por outro lado, com o aumento das temperaturas, ocorrerá uma redução no risco de geadas no sul, sudeste e sudoeste do País, acarretando um efeito benéfico às áreas atualmente restritas ao cultivo de plantas tropicais.

A dinâmica climática deverá causar uma migração das culturas adaptadas ao clima tropical para as áreas mais ao sul do País ou para zonas de altitudes maiores, para compensar a diferença climática. Ao mesmo tempo, haverá uma diminuição nas áreas de cultivo de plantas de clima temperado do País. Resultados preliminares indicam que um aumento da temperatura próximo a 3°C causará um possível deslocamento da cana-de-açúcar para áreas de latitudes mais altas.

No que concerne à energia eólica, em mais de 71.000 km2 do território nacional, as velocidades de vento são superiores a 7 m/s à altura de 50 m acima da superfície - altura típica para os aerogeradores - tornando o Brasil um dos países com o maior potencial de geração de energia eólica do mundo. Entretanto, as mudanças climáticas causadas pelo aquecimento global podem modificar as circulações atmosféricas próximas à superfície e afetar o potencial eólico. Cenários de mudanças dos ventos para o final do século, em alta resolução espacial para os cenários A2 e B2 do IPCC e modelagem matemática em alta resolução, permitirão estimar como o potencial eólico será alterado, e há indicações preliminares de que pode haver diminuição deste potencial.

(Envolverde/Ministério da Ciência e Tecnologia)