Artigos da categoria ‘Crise dos Alimentos’

União Européia pode liberar 1 bilhão de euros para a agricultura em países em desenvolvimento

terça-feira, 08 de julho de 2008.

União Européia pode liberar 1 bilhão de euros para a agricultura em países em desenvolvimentoA União Européia (UE) anunciou hoje (7) a disposição de liberar 1 bilhão de euros para apoio à agricultura nos países em desenvolvimento. A iniciativa tem por objetivo aumentar rapidamente a produção mundial de alimentos, informou o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, neste primeiro dia da reunião do G8, em Hokkaido, no Japão. A UE não integra o grupo dos sete países mais industrializados do mundo mais a Rússia, mas participa das cúpulas como convidada.

“A União Européia está pronta a dar um novo estímulo à agricultura nos países em desenvolvimento”, disse Barroso, lembrando que ao bloco já havia destinado 550 milhões de euros para investimentos em 2008 no setor. “Medidas adicionais são necessárias”, frisou.

Os europeus temem que a crise de alimentos ponha em risco as metas de desenvolvimento do milênio. Também estão preocupados com a disparada no preço do petróleo, que bateu os US$ 140 o barril. Segundo Durão Barroso, a UE pretende debater, com os líderes do G8, medidas de curto, médio e longo prazo para a alta dos combustíveis. “Temos que encontrar soluções estruturais para problemas estruturais como a alta dependência dos combustíveis fósseis”, ponderou Barroso.

A União Européia também tentará persuadir Estados Unidos, França, Alemanha, Grã-Bretanha, Itália, Japão, e Rússia a assumirem o compromisso de redução de 50% das emissões de gases de efeito estufa de 1990 até 2050. A meta já havia sido defendida pelo bloco na cúpula de 2007, em Heilligendamm, na Alemanha, com apoio do Japão e do Canadá.

“Os países desenvolvidos podem fazer mais e se comprometer com reduções entre 60% e 80% até 2050”, ressaltou Barroso. Mas ele frisou que não basta pensar no futuro. “É bom fixarmos objetivos de longo prazo para nossos filhos, mas precisamos de metas de médio prazo para nós mesmos”.

A busca de um consenso sobre um regime de emissões pós 2012 – ano em que vencem as metas do Protocolo de Quioto – será o tema central da Reunião das Grandes Economias sobre Mudança do Clima, amanhã (8).

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva particpará do encontro com os líderes dos demais países do G5 – China, Índia, México e Africa do Sul - mais Austrália, Indonésia e República da Coréia.

(Envolverde/Agência Brasil)

Na FAO, Lula critica opositores do etanol

quinta-feira, 05 de junho de 2008.

Na FAO, Lula critica opositores do etanolPresidente diz que crise alimentar tem vários fatores incluindo o petróleo; Ban Ki-moon pediu aumento da produção agrícola.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou, nesta terça-feira (3), na abertura da Conferência Internacional sobre Segurança Alimentar, em Roma, e disse que o etanol não é o vilão da atual crise dos alimentos. O presidente está participando de uma reunião de alto nível, com o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon e dezenas de outros líderes internacionais, para buscar soluções, de curto e longo prazos.

Políticas Absurdas

“A verdade é que a inflação do preço dos alimentos não tem uma única explicação. A alta do petróleo que afeta os custos dos fertilizantes e dos fretes, as mudanças cambiais e a especulação nos mercados financeiros, o aumento do consumo de alimentos em países em desenvolvimento, como China, Índia e Brasil e sobretudo a manutenção das absurdas políticas protecionistas na agricultura dos países ricos”, disse.

Etanol

O presidente brasileiro afirmou que a associação entre a crise alimentar mundial e a produção de biocombustível passa por interesses econômicos.

“Vejo com indignação que muitos dedos apontados contra a energia limpa dos biocombustíveis estão sujos de óleo e de carvão. Vejo com desolação que muitos que responsabilizam o etanol, inclusive o etanol da cana-de-açúcar pelo alto preço dos alimentos, são os mesmos que há décadas mantêm políticas protecionistas em prejuízo dos agricultores dos países mais pobres e de consumidores de todo o mundo”, afirmou.

Antes de discursar na reunião da Organizaçao das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, Lula se encontrou com o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon.

Produção Mundial

“O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu que a comunidade internacional não perca a oportunidade histórica de revitalizar a agricultura do mundo. Para ele, a meta deve ser aumentar em 50% a produção mundial de alimentos até 2030.
Para isso, de acordo com Ban Ki-moon, seria necessário diminuir as tarifas de importação de vários países.

Encontro Separado

Na véspera da abertura da conferência, Ban se reuniu com Lula num encontro privado. O presidente foi acompanhado pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

Após a reunião, Amorim falou a jornalistas e disse que Ban lembrou que a discussão sobre a crise dos alimentos não deve ser politizada, mas sim técnica”.

Discursaram ainda na conferência o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad e o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe. O papa Bento 16 enviou mensagem dizendo que a fome e malnutrição são inaceitáveis.

A conferência da FAO, em Roma, termina nesta quinta-feira.

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(Envolverde/Rádio ONU)

Crise alimentos: Consea conclui que o modelo de produção e consumo está falido

segunda-feira, 02 de junho de 2008.

Crise alimentos: Consea conclui que o modelo de produção e consumo está falidoPlenária do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional discute problema do sistema alimentar no mundo e propõe ações de curto e longo prazos como saída para a situação

Integrantes do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), reunidos nesta quinta-feira (29), definiram posição sobre a crise internacional do sistema de alimentos. Para a entidade – que cumpre papel consultivo da Presidência da República – o problema não se configura apenas como uma alta passageira de preços, decorrente do desajuste entre a oferta e a procura desses produtos. É, conforme o conselho, uma crise do modelo global de produção e consumo de alimentos. Ao final do encontro, será elaborado um documento a ser apresentado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o tema.

A intenção é contribuir com o posicionamento do governo brasileiro na Conferência de Alto Nível sobre Segurança Alimentar: Desafios das Mudanças Climáticas e da Bioenergia, a ser realizada em Roma nos próximos dias 3 e 5 de junho. O ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Patrus Ananias, que também é secretário do Consea, irá integrar a delegação brasileira.

Sob a perspectiva do Consea, o que se defende é que a elevação de preços é causada por vários fatores. Entre eles estão o contínuo aumento da demanda por alimentos; mudanças climáticas; a elevação do preço do petróleo; e a mercantilização dos alimentos que tornou produtos como a soja, o milho e o trigo ativos negociados nas bolsas de mercadorias e atrativos para o capital financeiro internacional e nacional.

Estima-se que atualmente haja 950 milhões de famintos no mundo. Apesar de não estar imune a essa situação, o Brasil conta com uma série de políticas públicas que o deixam em situação de menor vulnerabilidade. Para se ter idéia, 70% dos alimentos consumidos no País são provenientes da agricultura familiar. Isso só é possível pela priorização de ações como os Programas Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e de Aquisição de Alimentos (PAA), esse último coordenado pelo MDS.

A ministra interina do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Arlete Sampaio, uma das participantes da plenária do Consea, defende ainda que o Estado fortaleça seu papel regulador. “Uma das lições fundamentais que tiramos dessa crise é a de que o mercado não se auto-regula”, afirma. Para ela, é fundamental que se regulamente o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan). Criado por lei em 2006, ele será capaz de coordenar as iniciativas para assegurar o direito à alimentação.

Consea - O Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional é um instrumento de articulação entre governo e sociedade civil na proposição de diretrizes para as ações na área da alimentação e nutrição. Instalado em 30 de janeiro de 2003, o Conselho tem caráter consultivo e assessora o Presidente da República na formulação de políticas e na definição de orientações para que o País garanta o direito humano à alimentação.

O Consea, na gestão 2007/2009, é formado por 57 conselheiros (38 representantes da sociedade civil e 19 ministros de Estado e representantes do governo federal), além de 23 observadores convidados.

(Envolverde/Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome)

FAO adverte que preço de alimentos continuará alto

segunda-feira, 02 de junho de 2008.

FAO adverte que preço de alimentos continuará alto Agência da ONU disse que média da próxima década será superior a dos últimos 10 anos; conferência, em Roma, discutirá soluções.

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, afirmou que a subida no preço dos alimentos deve sofrer uma leve redução, mas os preços continuarão altos pela próxima década. O alerta foi feito no relatório da FAO e da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, Ocde, lançado nesta quinta-feira.

Produção

Segundo a FAO, os altos preços atingirão os mais pobres e famintos do mundo.

Numa entrevista, antes da publicação do relatório, o diretor de Projetos Mundiais da FAO, Roberto Mercado, falou à Rádio ONU, de Roma, sobre a possibilidade de aumento na produção.

“Evidentemente, com uma oferta maior de alimentos haverá uma queda de preços. Mas não voltaremos ao nível dos preços de 2007. Isto é uma preocupação muito grande para a organização já que os países mais pobres precisarão de mais recursos para comprar o mesmo nível de alimentos que compraram em 2007″, afirmou.

Protecionismo

O Secretário-Geral da Ocde, Angel Gurria, afirmou que a maneira de lidar com a crise dos alimentos não é através de protecionismo agrícola, mas sim a abertura dos mercados.

O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, participará da conferência internacional da FAO para discutir a questão com vários chefes de Estado e governo, incluindoo presidente Lula, em Roma, na Itália.

O encontro começará na próxima terça-feira.

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(Envolverde/Rádio ONU)

As razões da crise dos alimentos

segunda-feira, 05 de maio de 2008.

As razões da crise dos alimentosPor Darlene Menconi

A recente escada nos preços dos alimentos evoluiu para um desafio sem precedentes e de proporções globais. Embalado nesse discurso, Ban Ki-moon, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), anunciou em Berna, na Suíça, a criação de uma força-tarefa para enfrentar a crise alimentar. Ele pediu à comunidade internacional a doação urgente de US$ 2,5 bilhões para que organização possa continuar seus programas de ajuda aos necessitados.

Os alimentos ficaram mais caros no mundo todo, deixando governos em alerta e acirrando o debate em torno das causas para a escassez de comida. Uma constatação certa é que a disparada dos preços já aumentou a pobreza no mundo, provocando distúrbios sociais e instabilidade política em vários países. De acordo com o Programa Mundial de Alimentos (PMA) das Nações Unidas, a falta de alimentos ameaça a humanidade como um “tsunami silencioso”, que pode condenar à fome mais 100 milhões de pessoas. A desnutrição é uma das maiores tragédias globais, hoje há 800 milhões de seres humanos sofrendo de má nutrição.

São vários os fatores que culminaram no cenário atual de alta dos preços alimentares. O primeiro deles é o aumento da demanda por comida. A população mundial está comendo mais, especialmente nas economias de maior crescimento, como a China, que tem 1,3 bilhão de habitantes. A cada ano, a população mundial aumenta em 77 milhões de pessoas, o equivalente a um país como o Reino Unido. E a velocidade de ocupação no planeta só cresce, foi de 2,5 bilhões em 1950 para perto de 6,7 bilhões em 2007. Com mais gente comprando, vale a lei da oferta e da procura: os produtos se valorizam no mercado e ficam mais caros.

O segundo fator a estimular a alta dos alimentos foi a elevação do preço do petróleo. Hoje a agricultura é totalmente industrializada e depende em boa medida do petróleo, usado como matéria-prima nos defensivos agrícolas, nas químicas de preparação da lavoura, e também como combustível nos veículos que transportam as safras agrícolas e os produtos até o consumidor.

A especulação financeira foi considerada o terceiro fator de agravamento da crise. Com a queda do dólar, investidores que ganhavam dinheiro investindo na moeda americana migraram para a aplicação em outras commodities, e os produtos agrícolas foram alguns dos escolhidos. Muitos fundos têm usado as bolsas de mercadorias para especular com a antecipação da compra de safras futuras em busca de melhor rentabilidade, o que também contribui para valorizar e o preço de commodities como o trigo e o arroz.

Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), os preços internacionais do arroz começaram uma escalada desde o início do ano, depois de subirem 9% em 2006 e 17% em 2007. O preço do produto subiu 12% em fevereiro e mais 17% em março, segundo o índice All Rice Price, elaborado pela FAO.

O clima seria o quarto fator responsável pela redução na quantidade de alimentos produzida no mundo, segundo a ONU. As condições climáticas desfavoráveis devastaram culturas na Austrália e reduziram as colheitas em muitos outros países, em particular na Europa.

Segundo as previsões da FAO, as reservas mundiais de cereais caíram para o seu nível mais baixo em 25 anos com 405 milhões de toneladas na safra 2007/2008, o que significa 5 % ou 21 milhões de toneladas abaixo do nível já reduzido do ano anterior.

Há controvérsias sobre a dimensão da responsabilidade dos biocombustíveis, cujas matérias-primas (cana, milho e outras) disputam espaço com culturas destinadas à produção de comida. O caso ganhou atenção porque o etanol adotado pelos Estados Unidos é fabricado a partir do milho, o que estimulou alguns agricultores a deixar de atender à cultura alimentar para produzir etanol. Com a redução da oferta de milho, subiu o preço dos derivados, o que começou um processo em cadeia, aumentou o preço da ração dos animais e, conseqüentemente, das carnes.

Analistas como Jacques Diouf, diretor-geral da FAO, dizem que é preciso corrigir um dos principais problemas por trás da crise, que é a falta de investimento na produção de alimentos nos países pobres. Ele defende que a solução está em dar acesso a sementes, fertilizantes e ração animal.

É inegável, porém, que as restrições a produtos importados e os subsídios que recebem os agricultores europeus e americanos têm um papel essencial nessa crise alimentar que enfrentamos. Diretor-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio), Pascal Lamy garante que “é sabido que os subsídios agrícolas distorcidos dos países ricos prejudicaram a produção de alimentos nos países em desenvolvimento”.

Por envolver questões tão complexas, há quem preveja que a crise dos alimentos será longa. Mesmo que haja uma resposta rápida para o suprimento, se olharmos todos os fatores, como energia cara, mudanças climáticas, reservas em baixa e demanda crescente, tudo leva a crer que os preços vão continuar altos, embora devam cair um pouco mais.

O abandono de investimento em agricultura e as mudanças climáticas têm um papel preponderante nessa equação. A constante falta de verba de incentivo agrícola resultou em queda na produtividade dos países em desenvolvimento. A produtividade, que aumentava e 3% a 4% ao ano para os grãos básicos, hoje está entre 1% e 2%. Para construir um mundo melhor, é importante agora não concentrar esforços apenas em ajuda alimentar urgente, mas investir em medidas de médio e longo prazo, focando na recuperação da agricultura. Só assim se pode evitar outras crises alimentares no futuro.