Artigos da categoria ‘Biodiversidade’

Museu de zoologia da USP lança exposição “Crise da biodiversidade: A natureza ameaçada”

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008.

Mostra reúne fotografias inéditas da vida selvagem e da relação do homem com a natureza, documentários temáticos, exemplares raros do acervo científico do Museu – apresentados pela primeira vez ao público, além de ciclos de palestras e filmes. De 18 de dezembro a 17 de maio de 2009. Abertura para convidados, dia 17 de dezembro, às 19h

Não há mais dúvidas sobre a grave crise ambiental que ameaça o planeta. Diante do sombrio cenário produzido pelas ações humanas nos últimos tempos, que se traduz em mudanças climáticas globais e perda da biodiversidade, as discussões sobre o futuro da Terra saíram das esferas científicas para fazer parte das preocupações de todos os cidadãos . A necessidade urgente de conservação dos ecossistemas e da sua biodiversidade tornou-se um consenso, de fundamental importância para o desenvolvimento sustentável da humanidade.

No Brasil, entretanto, a reação da sociedade diante deste quadro alarmante ainda é incipiente, com poucas oportunidades oferecidas à população em geral, para que se familiarize com a complexidade do tema. Motivado por essa conjuntura, o Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo – (MZUSP) - considerado uma das maiores instituições zoológicas do mundo, lança a exposição temporária “Crise da Biodiversidade: a natureza ameaçada”. A mostra tem o objetivo de contribuir efetivamente para o debate sobre a preservação ambiental e o desenvolvimento sustentável.

A exposição reúne 30 fotografias de André Pessoa – um dos mais importantes fotógrafos brasileiros de meio-ambiente e vida selvagem da atualidade, documentários da DGT Filmes, exemplares raros do próprio acervo científico do Museu, painéis com textos explicativos, além de um ciclo de palestras com a participação de especialistas e outro ciclo de filmes temáticos. “Esta exposição abre para os visitantes uma rara oportunidade de encontro entre arte e ciência, uma forma possível do exercício de cidadania, a partir do olhar, da reflexão, da formação de opinião e participação nos destinos da sociedade”, explica o curador da mostra e coordenador de Difusão Cultural do Museu de Zoologia, Hussam El Dine Zaher.
Roteiro expositivo

“Crise da Biodiversidade: a natureza ameaçada” ocupa a Galeria de Exposições Temporárias do Museu de Zoologia, dividida em módulos. Logo na entrada, um filme/animação de 3 minutos já convida o público à reflexão, ao relatar o crescimento populacional desde o século I até 2008, quando a população mundial atinge cerca de 6,7 bilhões de pessoas. Crescimento demográfico e hábitos de consumo ameaçam os biomas sem precedentes, pondo em risco a existência humana.

As instigantes fotos de André Pessoa revelam desde a harmonia e a beleza dos biomas brasileiros até as mudanças provocadas pelo homem na natureza - das quais não escapam as queimadas e o trabalho infantil. Produzidos pela DGT Filmes, documentários de cerca de 8 minutos, complementam os relatos que mostram tanto as belezas naturais da biodiversidade brasileira quanto terríveis estágios de degradação atual.

E pela primeira vez, o Museu apresentará ao público cerca de 500 exemplares de sua coleção científica, espécies já extintas ou em vias de extinção, coletados na região de entorno ao Museu, no bairro do Ipiranga, no final do século XIX e começo do XX, entre moluscos, insetos, peixes, aves e mamíferos.

Perda de biodiversidade pode causar danos irreversíveis ao planeta

De acordo com o curador, Hussam, a desinformação que permeia o debate sobre a crise da biodiversidade não condiz com a sua relevância e atualidade, o que aponta para a necessidade de um esforço concentrado de divulgação por parte dos organismos especializados. Os países pertencentes às Nações Unidas e signatários da Convenção sobre a Diversidade Biológica (CDB), do qual o Brasil faz parte, reconhecem a necessidade de um plano de ações para reverter de forma emergencial os impactos nefastos produzidos pela perda global de biodiversidade. Entretanto, diz o curador, os esforços em torno destas ações globais revelaram a colossal desproporção entre o conhecimento adquirido e a real dimensão da trama biológica que constitui a biodiversidade. A simples tarefa de nomear as espécies existentes na Terra expõe o problema de forma vívida, gerando números literalmente estratosféricos: já foram descritas aproximadamente 1,4 milhões de espécies de organismos vivos, mas esse número representa apenas uma fração da biodiversidade real que está estimada entre 14 e 40 milhões de espécies. A título de exemplo, em um grupo já altamente conhecido como o dos mamíferos, cerca de 10 novas espécies são descritas a cada ano apenas para a América do Sul.

Museu de Zoologia é referência mundial

O Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo é uma referência mundial em zoologia e detentor do mais completo acervo da fauna da região Neotropical do planeta - que abrange da Patagônia ao México.

Sua “Exposição de Longa Duração”, permanente, apresenta ao visitante parte do magnífico acervo da instituição, que possui mais de 8 milhões de exemplares de animais, e cuja organização foi iniciada há mais de 100 anos. Dividida em módulos, retrata a evolução da biodiversidade, de eras remotas aos dias atuais. No dia 17 de dezembro, a exposição permanente ganha uma novidade: a coluna geológica, totem digitalizado de 11,5 m de altura, que conta a história da vida na Terra nos  últimos 650 milhões de anos.

Réplicas em tamanho natural de animais extintos há milhares de anos, fósseis encontrados no Brasil ou na América do Sul, esqueletos de primatas (gorila, chimpanzé, humano e orangotango), modelos fiéis de dinossauros que antecederam as aves, entre infinidades de outros exemplares fazem parte da exposição, ambientados de forma dinâmica, com recursos cenográficos, tecnologia, efeitos de iluminação, além de filmes de curta duração em projeção contínua.

A visita ao Museu de Zoologia é uma atividade cultural e de lazer muito proveitosa também por sua inserção em local histórico da capital paulista, o bairro do Ipiranga, e pela arquitetura ímpar de seu edifício inaugurado em 1941, projetado pelo arquiteto Christiano Stockler das Neves, mesmo autor do projeto da Estação Júlio Prestes. Representações de animais aparecem nas fachadas e nos belíssimos vitrais feitos em cristal belga, no interior do edifício. A origem do Museu está associada à Comissão Geográfica e Geológica da Província de São Paulo (CGG), criada em 1886 para organizar expedições de coletas de amostras de fauna e flora.

Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo

Avenida Nazaré, 481 – Ipiranga
São Paulo – SP -Tel (0xx11) 2065 - 8100 - http://www.mz.usp.br
Horário de funcionamento: de terça a domingo, das 10h às 17h
Ingresso: R$ 4,00 (grátis para visitantes menores de 6 anos e acima de 60; estudantes com carteira pagam meia-entrada)
A partir de 2009 o último domingo do mês terá a entrada franqueada para os visitantes.

Crédito da imagem
:André Pessoa
(Envolverde/Assessoria)

Muito além do limite

quinta-feira, 30 de outubro de 2008.

A humanidade já usa um terço a mais dos recursos que a Terra poderia oferecer. E se o atual estilo de vida se mantiver inalterado por mais uma geração, serão precisos dois planetas para dar conta das nossas necessidades.

Essa é a principal conclusão do relatório Planeta Vivo 2008, uma publicação bianual da rede WWF. A entidade com sede na Suíça e conhecida como Fundo Mundial para a Natureza mostra no documento que, caso o modelo atual de consumo e degradação ambiental se mantenha como está, os recursos naturais podem entrar em colapso a partir de 2030, quando seriam precisos dois planetas para atender a demanda por serviços ecológicos.

Produzido junto com a Sociedade Zoológica de Londres, o relatório usa dados de 2005 para calcular a pegada ecológica de cada habitante do planeta. Nessa soma estão a área agrícola e a florestal necessárias para se produzir comida, fibras e madeira, além dos oceanos e rios que fornecem pescado, e a porção da biosfera que absorve resíduos como o gás carbônico e fornece espaço para a infra-estrutura das cidades.

De acordo com o estudo, hoje cada ser humano necessita em média de 2,7 hectares de terra biologicamente produtiva para sobreviver. A pegada ecológica dos brasileiros é um pouco menor, de 2,4 hectares por pessoa. Ainda assim, está abaixo da capacidade da Terra, que possui 2,1 hectares de área biologicamente produtiva disponível para cada habitante.

Nos últimos 45 anos, a pegada ecológica da humanidade mais do que dobrou, segundo o relatório do WWF.  Mas foi no final dos anos 1980 que a humanidade passou a retirar da natureza mais do que ela poderia dar conta de oferecer. Hoje mais de três quartos da população mundial vivem em países com débito ambiental.

Uma das constatações do documento é de que o consumo exagerado do capital natural coloca em perigo a futura prosperidade do mundo, gerando impactos econômicos como a elevação do preço dos alimentos, da água e da energia.

Segundo especialistas da Sociedade Zoológica de Londres, as dramáticas perdas ecológicas resultantes da poluição, do desmatamento, da pesca predatória e da utilização comercial de terras exerceram também um grave impacto sobre os recursos naturais.

Os Estados Unidos e a China são atualmente os países mais destruidores do meio ambiente, segundo o WWF. Somados, eles consomem 21% da capacidade biológica do planeta. Os americanos e os australianos, que vêm logo a seguir, são os que mais destroem os recursos naturais, seguidos pelos Emirados Árabes Unidos, pelo Kuwait, e pela Dinamarca. Os países que menos destroem são Bangladesh, Congo, Haiti, Afeganistão e Malauí.

Um dos termômetros do estado de saúde dos ecossistemas, a perda de espécies de fauna é um problema bem mais acentuado nos países em desenvolvimento. Enquanto no período entre 1970 e 2005 houve aumento de 6% nas populações de vertebrados nas zonas temperadas, nas regiões de florestas tropicais houve um declínio de 51% no número de espécies.

Minc destaca compromisso de países com o Fundo Amazônia

segunda-feira, 27 de outubro de 2008.

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse, nesta sexta-feira (24), que apesar da crise na economia mundial, continua o interesse de países e empresas privadas em fazer doação ao Fundo Amazônia. “As empresas interessadas em fazer doação para o Fundo têm um compromisso com a sustentabilidade que vai além da crise”, ressaltou o ministro, na primeira reunião do Fundo Amazônia, na sede do BNDES, no Rio de Janeiro, que instalou o Comitê Orientador do Fundo Amazônia.

A expectativa é que até 2021 o Brasil consiga captar cerca de US$ 21 bilhões de recursos, nacionais e estrangeiros, para projetos que visem acabar com o desmatamento na Amazônia.

Minc falou sobre a possibilidade de anúncio de dois ou três doadores privados durante a Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas, que será realizada em dezembro, na Polônia. E acrescentou ser muito bom para o Brasil captar recurso para o Fundo neste período pós-Protocolo de Kyoto. “O Fundo Amazônia é a melhor alternativa para os países que não atingiram as metas do Protocolo”, disse.

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, destacou que o banco criou uma nova área voltada ao meio ambiente, o que mostra a importância que o banco tem dado à sustentabilidade ambiental. Segundo Coutinho, hoje o BNDES está direcionado à questão de sustentabilidade ambiental. “A questão da sustentabilidade ganhou muita força no Banco, que se coloca a serviço das políticas de governo, sempre aberto ao diálogo com a sociedade em geral. Este é o espírito do banco com relação ao meio ambiente e a este comitê”.

Na reunião, foram apresentadas as diretrizes e prioridades do fundo, com as recomendações sobre a aplicação do dinheiro. Os projetos que atenderem a mais de um dos objetivos terão prioridade. O comitê é composto por nove representantes do governo federal, dos governos dos estados da Amazônia Legal que possuam Planos Estaduais de Prevenção e Combate ao Desmatamento e seis membros da sociedade civil, a serem nomeados pelo BNDES. Os doadores do Fundo Amazônia não têm direito a assento no comitê, a fim de garantir a soberania do Brasil sobre a Amazônia.

Os projetos a serem apoiados com o recurso do Fundo Amazônia precisam contemplar os temas: Gestão de florestas públicas e áreas protegidas; controle, monitoramento e fiscalização ambiental; manejo florestal sustentável; atividades econômicas desenvolvidas a partir do uso sustentável da floresta; zoneamento ecológico-econômico, ordenamento territorial e regularização fundiária; conservação e uso sustentável da biodiversidade; recuperação de áreas desmatadas; e pagamentos por serviços ambientais. Esses projetos precisam se articular com as estratégias do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal e com os objetivos do Plano Amazônia Sustentável.

O ministro vê com bons olhos o pagamento por serviços ambientais como alternativa de desenvolvimento sustentável. “Tem coisa que não se resolve com a polícia ou com o Ibama, por isso é preciso ter alternativas de desenvolvimento sustentável. O Fundo Amazônia permite financiar atividades sustentáveis, que permitem coibir o ilegal e ter uma alternativa legal de sobrevivência”, enfatizou o ministro.

Crédito da imagem:Zig Koch

(Envolverde/MMA)

Mentes brilhantes

quinta-feira, 23 de outubro de 2008.

Da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva até o pensador francês Ignacy Sachs, o professor Ladislau Dowbor e o jornalista André Trigueiro, algumas das mentes mais brilhantes estiveram reunidas num hotel em São Paulo para debater os desafios ambientais brasileiros. Durante os três dias do Encontro Latino Americano de Comunicação e Sustentabilidade, promovido pela revista eletrônica Envolverde, o foco de discussão ficou concentrado em três temas: Amazônia, água e energia.

Num exercício para enxergar um pouco além do curto prazo, os palestrantes e os convidados apontaram para a atual crise financeira global como uma grande oportunidade para pavimentar os caminhos de um mundo cada vez mais sustentável, com relações empresariais pautadas pela ética, pelo respeito ao meio ambiente e pela responsabilidade social.

Na opinião do francês Ignacy Sachs, professor emérito da École des Hautes Études em Sciences Sociales de Paris, o Brasil parte com grandes chances de assumir a dianteira na corrida pela civilização da biomassa. O pesquisador francês, que vem ao Brasil pelo menos duas vezes por ano desde a década de 1940, defende que a produção de etanol seja uma porta para o País planejar seu desenvolvimento, mas ressalta a importância de redobrar os cuidados socioambientais na indústria canavieira.

“Finalmente começa a surgir a noção de que o desenvolvimento é antes de tudo social e o Brasil tem uma grande oportunidade de cuidar de sua ecologia sem prejuízo econômico”, resume Ignacy Sachs.

Já o economista Ladislau Dowbor, professor titular da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), compara o atual momento que vivemos no horizonte das mudanças climáticas a um marinheiro pendurado no mastro do Titanic ao avistar o iceberg que levaria o transatlântico ao naufrágio. “O tempo é um elemento importante na nossa análise. Não basta saber que há um problema, torná-lo transformador dos processos decisórios leva tempo”, resume.

Na prática, diz o professor Dowbor, as medidas que adotarmos agora para conter o aquecimento global devem demorar pelo menos trinta anos para surtir o efeito desejado. “Não podemos mudar as coisas no ritmo de um século. A janela dos dramas que vivemos hoje é muito mais rápida”, conclui o economista que mantém em seu site (www.dowbor.org) um dos endereços mais atualizados em leituras e novidades científicas sobre os temas atuais.

Considerada o sangue que mantém o atual sistema econômico em funcionamento, a energia é questão fundamental para definir os rumos da sociedade, na opinião do jornalista André Trigueiro, apresentador do programa Cidades e Soluções, do canal GNT, e professor de jornalismo ambiental da PUC do Rio de Janeiro. “A imprensa deveria cobrir muito mais as questões relacionadas à eficiência energética e às energias renováveis. Nos Estados Unidos, o candidato Barack Obama deixou claro como a escolha energética pode ser estratégica”, avalia Trigueiro.

O que está por trás das grandes discussões atuais, porém, diz o jornalista, é a necessidade de mudança no atual padrão de consumo. A conclusão desse pensamento foi levada à platéia pela ex-ministra do Meio Ambiente e atual senadora Marina Silva (PT-AC). “Temos que mudar o modelo de desenvolvimento. Não basta só desejar. Para alavancar esse movimento, é fundamental que a gente crie os meios, a visão, o processo e a estrutura para amparar essas mudanças”, disse Marina.

E explica que a mudança pressupõe um novo modelo de desenvolvimento que não prejudique os recursos naturais, nem interrompa os serviços ambientais benéficos à humanidade. Em sua palestra magna durante o Encontro Latino Americano que foi de 16 a 18 de outubro, Marina Silva estabeleceu as várias dimensões da sustentabilidade.

Falou da importância de cada um de seus aspectos: a dimensão econômica, a social, a ambiental, a cultural, a política, a ética e a estética, que diz respeito ao uso de recursos financeiros e toda a tecnologia disponível no mundo para preservar alguns dos mais belos tesouros naturais do planeta. Muitos dos quais são exclusividade de terras brasileiras, como o Pão de Açúcar, o Pantanal e a Amazônia, defendeu Marina.

A ex-ministra citou como exemplo de inspiração uma frase de seu antigo professor, o francês Edgar Morin, para quem a mudança no começo é apenas um desvio. “Precisamos ficar atentos aos núcleos vivos da sociedade para saber onde estão sendo produzidos esses desvios”, disse Marina. Numa metáfora futebolística, a senadora ainda explicou que isso significa “estar atento aonde a bola vai estar, não onde ela está agora”.

Crédito das imagens: Instituto Envolverde

É lançado programa que visa avaliar os impactos do homem na biodiversidade

quarta-feira, 22 de outubro de 2008.

A comunidade científica aprovou um novo programa internacional de pesquisa que tem o objetivo de avaliar a relação entre o homem e os ecossistemas que fornecessem recursos essenciais para a preservação da vida no planeta.

A decisão foi tomada nesta quarta-feira (22), durante a assembléia-geral do Conselho Internacional da Ciência (ISCU, na sigla em inglês), realizada em Maputo, Moçambique. Segundo os idealizadores, a iniciativa deverá ajudar a fornecer o conhecimento científico necessário para o uso sustentável dos ecossistemas.

Os ecossistemas ameaçados fornecem benefícios essenciais para a vida, como alimentos, água, hábitat, recuperação de nutrientes, formação e conservação do solo. Em 2005, o relatório de Avaliação Ecossistêmica do Milênio, encomendada pela Organização das Nações Unidas, destacou que, por causa da ação humana, mais de 60% dos serviços dos ecossistemas – tais como água doce, pesca, regulação do solo e do clima – registravam alto grau de degradação ou eram usados de forma insustentável. O processo, de acordo com o relatório, tende a se agravar nos próximos 50 anos, colocando em risco a sobrevivência das gerações futuras.

“Mudanças climáticas, poluição, alterações no uso da terra e espécies invasoras, somadas ao crescimento populacional, ao aumento do consumo, à globalização e à urbanização, têm colocado uma enorme pressão no meio ambiente para que ele possa continuar a suprir os serviços de que precisamos”, disse Hal Mooney, coordenador do grupo que recomendou o novo programa.

“A menos que façamos algo imediatamente, a maré de destruição continuará, causando perda catastrófica na biodiversidade, ampliação da pobreza e crise econômica”, afirmou o também professor do Departamento de Ciências Biológicas da Universidade Stanford, nos Estados Unidos.

Segundo ele, enquanto a Avaliação Ecossistêmica do Milênio mostrou em que ponto está a sociedade em relação ao uso dos recursos do planeta, há ainda uma enorme quantidade de pesquisa que precisa ser feita, especialmente nas áreas de conhecimento que não foram devidamente analisadas no relatório de 2005.

O ISCU, ao lado da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) e da Universidade das Nações Unidas, coordenará os trabalhos para instituir o novo programa, denominado Mudanças Ecossistêmicas e Bem-Estar Humano.

Para os proponentes da iniciativa, as pesquisas precisam começar imediatamente de modo a poder integrar a segunda Avaliação Ecossistêmica do Milênio, que deverá ser feita nos próximos sete anos.

“O novo programa atrairá também pessoas de fora da comunidade científica para ajudar a definir a agenda e suas prioridades. O programa estará bem posicionado para responder a questões relevantes de políticas públicas de modo que as mudanças possam ser feitas antes que seja tarde demais”, disse Mooney.

De acordo com ele, o programa interligará as ciências naturais e sociais com serviços do ecossistema, o subconjunto de funções do ecossistema que são úteis aos seres humanos. Também integrará os três pilares do desenvolvimento sustentável: ambiental, econômico e social.
(Envolverde/Agência Fapesp)