Artigos da categoria ‘Áreas Contaminadas’

PERU - Ministra alemã visita área contaminada pela presença de lixão

quarta-feira, 19 de março de 2008.

PERU - Ministra alemã visita área contaminada pela presença de lixãoMoradores de Lomas de Carabaillo, vizinhos do lixão El Zapallal, participaram na quarta-feira (18) de uma de um diálogo com a Ministra alemã de Cooperação Econômica e Desenvolvimento, Heidemarie Wieczorek - Zeul, sobre o grau de contaminação sofrida por mais de 30 mil pessoas pelo índice tóxico do lixão e pela presença de empresas de queima clandestina de baterias.A ministra irá visitar o local, que tem, além do lixão, a presença de atividades de mineração, reciclagem não controlada de resíduos domésticos, material hospitalar, dejetos industriais e altos níveis de concentração de chumbo.

Durante a visita, a ministra recebeu o documento “Plataforma de propostas para solucionar os problemas de contaminação ambiental que afetam Lomas de Carabayllo”, elaborado com a assessoria do Centro de Investigação, Documentação e Assessoria Populacional (Cidap).

Segundo os organizadores da visita, o objetivo da entrega do documento é “buscar a cooperação do governo alemão para fazer de Lomas de Carabayllo uma cidade saudável sem contaminação”, e que ainda “seja levada em conta pelas autoridades peruanas para a construção de políticas ambientais que garantam a vida e a saúde das pessoas”.

(Envolverde/Adital)

http://envolverde.ig.com.br/materia.php?cod=44653

Mocinhos e bandidos

quinta-feira, 06 de março de 2008.

Mocinhos e bandidosPor Darlene Menconi

Enquanto as grandes esferas de poder nacional discutem a Lei de Imprensa brasileira, uma revista americana de negócios provoca verdadeira balbúrdia ao divulgar a lista das dez empresas mais tóxicas dos Estados Unidos. No mais autêntico modelo morde-e-assopra, a publicação traz na mesma edição de março as onze companhias com práticas mais verdes do país. (http://www.portfolio.com/news-markets/national-news/portfolio/2008/02/19/10-Worst-Corporate-Polluters#page1) A euforia provocada pela reportagem da revista Portfolio tem razão de ser. A publicação chegou às bancas em abril do ano passado, pelas mãos da editora Conde Nast, a mesma que publica a revista Vogue, e foi resultado de um investimento superior a US$ 100 milhões, a maior verba já aplicada no lançamento de um título.

O critério de escolha dos nomes das Dez Mais Tóxicas foi questionado pelas empresas denunciadas, como era de se esperar. Em comum, as companhias listadas têm a incoerência entre o discurso e a prática. Costumam divulgar para a mídia ações em prol do meio ambiente ao mesmo tempo em que evitam mencionar os diversos processos que respondem na Justiça por danos ambientais.

A revista consultou dezenas de agências governamentais, arquivos de cortes judiciais, observadores internacionais, conversou com representantes das corporações e fez uma longa investigação para escapar das tradicionais poluidoras. Os próprios repórteres avisam que a lista de mocinhos e bandidos deve ser vista como um “ranking empírico” porque contém doses de julgamento subjetivo. Os autores dizem ainda que um de seus critérios foi escolher empresas que poderiam já estar fazendo mais pela causa ambiental porque têm recursos e posição em seus setores de atuação. Com isso, esperam inspirar um debate sobre o que “as corporações poderiam fazer para realmente fazer a diferença para o meio ambiente”.

Entre as dez empresas mais tóxicas na área de alimentos está a J.R. Simplot Co, fornecedora de batatas fritas da rede McDonald´s e faturamento de US$ 11,9 bilhões. Segundo a Portfolio, foi apontada pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) no ano passado como a principal emissora de fósforo no rio Portneuf, no estado de Idaho, onde as fábricas de fertilizantes lançam uma mistura de toxinas, incluindo arsênico e nitrato, segundo a revista. Em resposta, a empresa diz que reconhece que certos grupos estão insatisfeitos com as escavações de fosfato e está trabalhando com o governo para limpar a área.

Outra representante desse setor é a Cargill - faturamento de US$ 88,3 bilhões -, cujas usinas de processamento de milho despejaram substâncias tóxicas no rio North Fork Shenandoah, no Estado da Virginia. E têm sido fonte de quantia significativa de monóxido de carbono, compostos orgânicos voláteis e nuvens de poluição. Em resposta, a empresa diz que tenta agir de uma maneira ambientalmente responsável e que o tratamento de dejetos sanitários de usinas privadas são os culpados pelos despejos no rio.

No setor automotivo, a revista lembra que, apesar de a Ford - faturamento de US$ 172,5 bilhões - ser a líder em inovações verdes, ficou com o segundo pior lugar nos rankings de 2006 e 2007 da EPA referente à eficiência do consumo de combustível. Em resposta, a Ford diz que leva a responsabilidade ambiental a sério e está comprometida em criar um mundo mais sustentável através do aumento da eficiência dos combustíveis.

Representante do setor aeroespacial, a Boeing - faturamento de US$ 66,4 bilhões - entrou na lista por conta da falta de transparência sobre as suas emissões de gases do efeito estufa. A reportagem lembra que a Boeing se recusou a participar do Carbon Disclosure Project, uma iniciativa de investidores para reunir informações sobre a pegada de carbono das companhias, por se recusar a tornar a informação pública. Em resposta, a Boeing argumenta que reduziu substancialmente as emissões e a poluição sonora das aeronaves e vem calculando a eficiência das suas aeronaves.

No setor de tecnologia, a escolhida foi a Apple, com faturamento de US$ 24 bilhões, que há algum tempo promete se tornar uma empresa verde, mas está na mira dos ambientalistas por usar grandes quantidades de uma substância tóxica na produção de iPhones e cordões de fones de ouvidos dos iPods. Em resposta, a Apple prometeu parar de usar toxinas nos seus produtos até o final do ano. Mas o iPhone, lançado depois da promessa, contém ambos os químicos, de acordo com testes conduzidos por grupos ambientais, o que muitos dos grandes fabricantes de celulares já eliminou dos aparelhos. A empresa preferiu não comentar as questões.

Nos serviços públicos, a escolhida foi a Southern Co, que gera eletricidade para mais de quatro milhões de pessoas, faturou US$ 15,2 bilhões e dirige seis das 50 usinas energéticas mais sujas dos Estados Unidos, segundo dados da EPA. Em resposta, a Southern Co. alega que continua investindo bilhões de dólares para diminuir as emissões enquanto busca novas maneiras de produzir energia mais limpa.

No mesmo setor, vem a American Electric Power, que implementa novas tecnologias para estocar dióxido de carbono (CO2) sob o solo e faturou US$ 13,1 bilhões. Ela é citada pela revista Portfólio por causa das emissões de mercúrio: cinco usinas da empresa estão entre os 50 maiores poluidores. Em resposta, a empresa diz que as usinas operam em conformidade com as regulamentações ambientais e estão entre as mais eficientes do mundo. E diz ter reduzido suas emissões de mercúrio com a instalação de novas tecnologias.

Na área de energia, a escolhida foi a Massey Energy, quarta maior empresa de carvão dos Estados Unidos, com faturamento de US$ 2,3 bilhões, e responsável pela derrubada de florestas em picos da Cordilheira dos Apalaches e por poluir riachos com resíduos das escavações. Em resposta, a empresa diz trabalhar no restauro das terras que explorou e usar processos ambientalmente corretos. Diz ainda que os reservatórios de resíduos não são tóxicos, que irá restaurar os picos aos níveis originais e não polui os rios.

Outra representante do setor é a petroleira Chevron, com faturamento de US$ 207 bilhões, e que foi multada em US$ 300 milhões pelo governo do Cazaquistão em outubro por violações ambientais. Nos Estados Unidos, a empresa encara multas de agências reguladoras estaduais e federais sobre a poluição atmosférica e pluvial, numa refinaria na Califórnia. Em resposta, a empresa diz que tem dado grandes passos para reduzir o consumo de energia e investido em tecnologias para aumentar a eficiência e o uso de fontes renováveis de combustível. A Chevron alega ainda, segundo a Portfolio, que as acusações sobre seus aspectos ambientais são incorretas.

No setor de alumínio, a escolhida foi a Alcoa, que lança mais de 2,7 milhões de quilos de ar poluído anualmente na atmosfera, e faturou US$ 30,7 bilhões. Em 2003, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos ordenou à empresa que fechasse três de suas quatro usinas no Texas, apontadas pela EPA como as “mais sujas da nação”, e multadas por duas mil violações dos padrões de ar limpo. Em resposta, a empresa diz que está trabalhando para melhorar a questão ambiental e não comentaria as críticas levantadas pela revista.

Atividade de cemitérios pode causar riscos ao solo e águas subterrâneas

terça-feira, 22 de janeiro de 2008.

Atividade de cemitérios pode causar riscos ao solo e águas subterrâneasA instalação de cemitérios em locais com condições geológicas desfavoráveis pode provocar sérios riscos ao meio ambiente. “Devido ao processo de decomposição de corpos dispostos no subsolo, os cemitérios podem apresentar a potencialidade de comprometer a qualidade do solo e das águas subterrâneas”, alerta a pesquisadora Ana Paula Silva Campos, que estudou o tema em sua dissertação de mestrado em Saúde Ambiental na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP.

Na pesquisa, foram analisados estudos sobre contaminação e as normas ambientais para instalação e manutenção de cemitérios. “O produto da decomposição, conhecido como necrochorume (ou produto da coliqüação), é liberado pelo corpo durante seis a oito meses, sendo que cada cadáver pode gerar de 30 a 40 litros”, explica. “Composto de 60% de água, 30% de sais minerais e 10% de substâncias orgânicas tóxicas (putrescina e cadaverina), além de carga patogênica, o necrochorume é mais viscoso que a água, de cor acinzentada ou acastanhada, odor forte e desagradável”.

Se o solo dos cemitérios for poroso e permeável, o necrochorume pode vir a se mover e misturar com a água subterrânea, podendo tornar-se veículo de doenças, caso haja microrganismos patogênicos. “A contaminação pode vir a ocorrer pela ação de vetores químicos e microbiológicos que percolem com infiltração de chuvas em locais com nível de água menos profundo, ou onde haja inundação de sepulturas”, ressalta Ana Paula.

Contaminação

“Apesar dos cemitérios antigos terem sido locados nas áreas altas e com lençol freático profundo, não havia instrumentos legais de controle e não foram levados em conta estudos geológicos e hidrogeológicos”, explica a pesquisadora. “Ou seja, eles podem constituir-se em fonte de contaminação, causando alterações físicas, químicas e biológicas no solo e nas águas subterrâneas e superficiais que não estiverem devidamente protegidas ou que estejam em locais vulneráveis”.

Análises de águas subterrâneas realizadas por outros pesquisadores em áreas de cemitérios indicaram, em casos específicos, a presença de microrganismos como coliformes totais, termotolerantes, bactérias heterotróficas, além de substâncias físicas e químicas como sólidos dissolvidos, nutrientes e cálcio, provavelmente oriundas do processo de decomposição. “Também foram detectados metais como alumínio, cobre, cromo, ferro, manganês e zinco, possivelmente oriundos da composição dos caixões ou do próprio solo”, conta Ana Paula.

A pesquisadora observa que o solo tem capacidade de atenuação e autodepuração de poluentes, principalmente na zona não-saturada. “Fatores como condutividade hidráulica, granulometria, composição do solo, permeabilidade, nutrientes e aeração adequadas, podem favorecer a eliminação de microrganismos e inviabilizar condições oportunas de contaminação das águas”.

A implantação de cemitérios deve considerar fatores como implantação geológica e hidrogeológica e operação técnica e sanitária adequadas, fixando faixas de proteção sanitária para garantir a qualidade das águas. “É necessário licenciar, fiscalizar, monitorar e acompanhar a atividade cemiterial rigorosamente, para prevenir e controlar a eventual poluição, além da utilização de técnicas de remediação para reutilização de áreas de cemitérios”, alerta a pesquisadora.

Crédito de imagem: Stockxchng
(Envolverde/Agência USP)

V Seminário Internacional sobre Remediação e Revitalização de Áreas Contaminadas

quinta-feira, 01 de novembro de 2007.

V Seminário Internacional sobre Remediação e Revitalização de Áreas ContaminadasO Instituto Ekos Brasil e a GTZ - Agência Alemã de Cooperação Técnica - convidam para o mais importante evento de discussão de tecnologias e conceitos de remediação e revitalização de passivos ambientais e áreas contaminadas que acontece no Brasil.Nesta quinta edição, especial atenção será dada à troca de experiências entre agentes públicos e privados, brasileiros e internacionais, para fomentar a discussão de tecnologias, economicidade, diretrizes e padrões de referência para projetos de remediação e revitalização.

Estão confirmados trabalhos de empresas como a Bayer CropScience (EUA), Sanofi-Aventis (França) e Bahn (Ferrovias Alemãs), de consultores da Geoklock (Brasil), Environ e New Fields (EUA), ERM e Arcadis (EUA e Brasil), DB AG Sanierungsmanagement e Environmental and Engineering onsultants Dr Eisele (Alemanha) e Leuemberger Consulting (Suiça), pesquisadores da Unicamp, USP e PUC Campinas, advogados dos escritórios Pinheiro Neto e Veirano, de representantes de governos regionais e nacionais da Argentina, México e Brasil, entre outros palestrantes.

Entre os temas a serem abordados, destacam-se a revitalização de áreas degradadas por contaminação (/Brownfields/), tecnologias de remediação, gerenciamento de dados, monitoramento, aspectos legais e jurídicos dos passivos ambientais, sempre abordados por meio de estudos de casos nacionais e internacionais.

Data e horário: 5, 6 e 7 de novembro de 2007 - Das 9h00 às 18h00
Local: Centro de Convenções Senac
Centro Universitário Senac - Campus Santo Amaro
http://www1.sp.senac.br/hotsites/campus_santoamaro/onde.asp  - São
Paulo - SP - Brasil
Av. Eng. Eusébio Stevaux, 823 - Santo Amaro - 04696-000
(Estacionamento no local)
Inscrições, programa e outras informações:
http://www.ekosbrasil.org/seminario

Realização:
Instituto Ekos Brasil e GZT - Agência Alemã de Cooperação Técnica

(Envolverde/Assessoria)