Unidades de conservação da Amazônia vão receber novos equipamentos

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010.

As unidades de conservação (UCs) da Amazônia possuem um objetivo bem claro: preservar a rica diversidade biológica do bioma. E para que isso ocorra de maneira eficiente, é fundamental que elas sejam muito bem geridas. Infelizmente, existem algumas dificuldades nesse caminho. Muitas unidades de conservação na região amazônica sofrem com a falta de recursos, tanto humanos como orçamentários, e consequentemente, com a carência de equipamentos necessários para o trabalho dos gestores e moradores do entorno.

Considerando essa realidade, três UCs da Amazônia brasileira têm bons motivos para comemorar. O Mosaico do Apuí (AM), o Parque Nacional do Juruena (MT) e a Estação Ecológica Maracá-Jipioca (AP) receberão diversos equipamentos que vão ajudar na gestão das áreas. Neste Ano Internacional da Biodiversidade, esta é uma excelente notícia para as comunidades e gestores das unidades de conservação.

Um casco de voadeira (embarcação utilizada na região), uma moto, cinco computadores, um data show, uma impressora a laser e dois GPS serão doados pelo WWF-Brasil aos órgãos responsáveis pelas unidades de conservação – o governo do estado do Amazonas e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Esses instrumentos facilitarão não apenas à fiscalização contra invasores, mas o transporte interno e os trabalhos administrativos das unidades de conservação.

Comunidades do Médio Rio Negro, que vivem em unidades de conservação ou entorno, também serão beneficiadas. A Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) receberá do WWF-Brasil a doação de radiofonias que serão instaladas em cinco comunidades que não tem nenhum meio de comunicação.

A aquisição dos equipamentos foi realizada com o apoio do WWF-Alemanha e Fundo Gradual Amazônia Viva, que repassaram recursos para a compra de equipamentos. O WWF-Alemanha apoia projetos do WWF-Brasil na região do Parque Nacional do Juruena desde 2006. O Fundo Gradual Amazônia Viva é resultado de uma parceria coorporativa entre o WWF-Brasil e a Gradual Investimentos. O Fundo foi lançado em fevereiro de 2009 e destina parte dos recursos levantados para projetos de conservação da natureza e sustentabilidade na Amazônia.

A doação faz parte de uma estratégia de fortalecimento da gestão das unidades de conservação. “O Brasil deve investir não apenas na criação de novas unidades de conservação como também na implementação e gestão dessas áreas. Apenas com uma boa gestão as unidades de conservação são capazes de cumprir seu objetivo maior de conservação da biodiversidade”, aponta Cláudio Maretti, superintendente regional do WWF-Brasil, sobre a iniciativa.

Em função do processo de compra e assinatura dos termos de doação e a logística necessária para fazer os equipamentos chegarem nas áreas remotas, os beneficiários receberão as doações entre março e abril próximos.
(Envolverde/WWF-Brasil)

Empresários verdes

quinta-feira, 22 de outubro de 2009.

Empresários verdesSe, até poucos anos atrás, os empresários do mundo, em especial os do Brasil, pouco se importavam com o meio ambiente, agora temos sinais claros de que essa mentalidade está mudando. O International Business Report 2009, pesquisa anual feita pela Grant Thornton International, com 7.200 empresas privadas de capital fechado (ou Privately Held Businesses, PHBs) de 36 países, inclusive o Brasil, mostra que pelo menos 51% do total das companhias estão dispostas a abrir mão de parte dos seus lucros para proteger o meio ambiente. É uma grande mudança de paradigma. Entre os brasileiros, o índice de empresários dispostos a perder parte da rentabilidade em prol da sustentabilidade é um pouco menor do que a média mundial, chegando a 43%. Mas é um número bem alto, se comparado ao que se via no passado, inclusive em anos mais recentes.

Percebe-se claramente que a adoção de práticas verdes e de produção limpa vem norteando o planejamento estratégico de um número cada vez maior de empresas, de todos os tamanhos e setores. Esse processo de evolução da sociedade com relação ao meio ambiente mostra, principalmente, que o meio empresarial está percebendo que o consumidor está cada vez mais preocupado com as questões ligadas à sustentabilidade e está mais exigente também. A tendência é que a pressão dos consumidores aumente nos próximos anos, levando o setor produtivo a mudar de atitude, nem que seja apenas para a preservação do próprio negócio. De qualquer forma, quem sai ganhando é o meio ambiente.

Há mais um dado que merece ser destacado nesta análise. Esses empresários perceberam que, se não cuidarem da sustentabilidade, no futuro itens como matéria-prima e água poderão ficar cada vez mais caros e escassos, elevando os custos e, consequentemente, diminuindo a rentabilidade e a produção. A pesquisa da Grant Thornton International mostra também que, entre todos os empresários ouvidos na América Latina, 56% garantem que adotariam práticas ambientalmente corretas. Já 37% preferem manter a rentabilidade. O Chile é o país com maior preocupação ambiental (89%), seguido da Argentina (80%) e do México (60%). A região da Ásia Oriental concentra o maior número de empresários dispostos a defender o meio ambiente (61%).

Em outra pergunta da pesquisa, à qual os empresários deveriam responder se consideravam que a comunidade empresarial do seu país se preocupa ou não com o meio ambiente, foi feita uma média entre as respostas positivas e as negativas. A média mundial foi de 30%. Entre os brasileiros, esse número foi de 34%. Isso demonstra, mais uma vez, que o executivo brasileiro se importa cada vez mais com a sustentabilidade, com as práticas verdes. Na Argentina, no entanto, os números não são bons, pois foi o país onde essa percepção foi mais negativa – o índice final ficou em -34%. É interessante notar que nos países onde a percepção com a preocupação ambiental foi baixa, como no caso da Argentina, Turquia, Grécia e China, os empresários estão mais dispostos a abrir mão do lucro para melhorar o meio ambiente.

A pesquisa deixa claro que o lucro não é, obviamente, o único fator que conduz as práticas empresariais. Além da ética e da preocupação social do emprego, agora também chama a atenção o meio ambiente. Restará às empresas que ainda não atentaram a esse grande assunto rever seus planejamentos e inserirem-se no conceito de entidades que respeitam o meio ambiente. Sem dúvida, esse será; um dos fatores importantes no sucesso dessas organizações.

(Envolverde/ECO 21)

Após um ano no governo, Minc diz que área ambiental está sofrendo mais pressões

quinta-feira, 28 de maio de 2009.

Após um ano no governo, Minc diz que área ambiental está sofrendo mais pressõesUm ano após assumir o Ministério do Meio Ambiente, o ministro Carlos Minc avalia que a área ambiental “tem sérios problemas a enfrentar”, principalmente por causa de pressões no Parlamento, na sociedade e no governo para flexibilizar a legislação ambiental. Minc substituiu a ex-ministra e senadora Marina Silva na pasta.

“Está havendo uma ofensiva muito grande. O momento é muito delicado, tem essa questão de PAC [Programa de Aceleração do Crescimento], de obras, eleições, a questão produtivista, que às vezes trazem a ideia de que o meio ambiente está atrapalhando, de que tem que diminuir as leis [ambientais]”, afirmou hoje (27).

Uma das principais ameaças, segundo Minc, é a campanha liderada por representantes do agronegócio para flexibilizar as exigências do Código Florestal, com a redução da área de vegetação nativa a ser preservada nas propriedades rurais, por exemplo.

A resposta ambientalista vem sendo articulada em parceria com a agricultura familiar, no que Minc chama de “aliança entre ecologia e reforma agrária”.

O ministro pretende levar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, a posição da área ambiental para tentar evitar uma derrota durante a votação das mudanças do código no Congresso Nacional.

“Eu tenho estado todos os dias na Câmara e no Senado. Vamos honrar o cargo. Quando o meio ambiente começa a enfraquecer, cada um vem com a sua machadinha querer tirar alguma coisa da legislação ambiental”, comparou.

Além do embate pelo Código Florestal, Minc também tem enfrentado outras brigas no Congresso, como a aprovação pela Câmara de duas medidas provisórias que agora serão analisadas pelo Senado: a MP 458, que facilita a regularização fundiária na Amazônia, e a MP 452, que dispensa de licenciamento prévio obras em rodovias já existentes.

Segundo Minc, em sua gestão, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) dobrou o ritmo de concessão de licenças, mas sem abrir mão do rigor nas análises.

“Não vai ter licença de qualquer jeito, não vou ser um carimbador, não vou permitir que a legislação ambiental seja estraçalhada.”

Apesar da pressão, Minc também listou o que considera pontos positivos de seu primeiro ano de gestão no ministério. “Foi um ano de muitas vitórias e muitas preocupações”, ponderou.

Entre as conquistas, segundo o ministro, estão a queda do desmatamento na Amazônia, a elaboração do Plano Nacional de Mudança do Clima – que prevê metas de redução do desmate da floresta – , a extensão do monitoramento por satélite a todos os biomas brasileiros e o programa de troca de geladeiras para redução das emissões de gases CFC, que destroem a camada de ozônio.

“A maior vitória foi ter conseguido reduzir o desmatamento da Amazônia, que era nossa principal função. O desmatamento tinha voltado a subir nos meses anteriores e com medidas como as ações de fiscalização e a apreensão de madeira e bois piratas nós conseguimos reduzir. Vamos lutar nas ruas, no parlamento e dentro do governo para que o meio ambiente brasileiro seja defendido, e não devastado”, afirmou.

Conhecido pelos coletes – “já são 53″, calculou – e pela participação em campo nas operações do Ibama, Minc disse que pretende continuar acompanhando ações de fiscalização de perto.

“Participei de 20 operações, subindo em cima de trator, destruindo forno de carvão, prendendo madeireiro ilegal, prendendo boi pirata e vou continuar fazendo isso. Não vou ficar no ar condicionado dizendo para as pessoas o que elas devem fazer, vou ficar na linha de frente.”

Agência Brasil

Lixo Marinho: você já ouviu falar?

terça-feira, 26 de maio de 2009.

Lixo Marinho: você já ouviu falar?Toda atividade humana gera lixo. Plástico, papel, metal, isopor, vidro, madeira, borracha, enfim, tudo que descartamos quando consideramos que aquele resíduo já não tem mais utilidade. O lixo tem sua a origem no consumo desenfreado pelo qual passa a humanidade. É a chamada “Era dos Descartáveis”, que gera um ciclo aparentemente sem fim, entre comprar, usar e jogar fora. Convivemos com este ciclo e, consequentemente, com o lixo desde crianças.

A nossa familiaridade com o lixo faz com que seja difícil entendê-lo no contexto da poluição marinha. É fácil perceber. Quando ocorre um derramamento de petróleo, seja na baia da Guanabara, seja em um arquipélago remoto no Oceano Pacífico, somos logo bombardeados com informações pela mídia. Mas, o que acontece quando um amigo seu joga um copinho plástico na praia? Ou quando um desconhecido descarta a bituca de cigarro, do seu lado, naquela praia que você frequenta desde garoto. Nada! Isso não é noticiado. E se, como em um derramamento de petróleo, todos os frequentadores da praia lançam seus resíduos na areia, criando um verdadeiro “tapete” de plástico? Isso também não é noticiado. Mas acontece sempre, todos os dias, ao redor do planeta. Muitas vezes, nós usuários da praia, não percebemos. Ou fingimos não ver.

A partir desta abordagem inicial fica fácil definir o lixo marinho. Este constitui todo aquele resíduo sólido (o lixo que nós produzimos) que chega aos ambientes costeiro e marinho por qualquer fonte. As fontes são usualmente definidas como fontes baseadas em terra (usuários de praias, rios, sistemas de drenagem de esgotos, entre outros) e fontes baseadas no mar (navios, barcos de pesca, plataformas de exploração de petróleo). As consequências diretas da presença de lixo marinho são a perda da qualidade estética, gastos exorbitantes com limpezas públicas, diminuição do turismo, danos a embarcações e barcos de pesca, diminuição dos estoques pesqueiros, ingestão e emaranhamento pela biota marinha, entre outros. São problemas ambientais e humanos que se cruzam e com certeza não há beneficiados.

Diversos aspectos relacionados à presença do lixo no ambiente vêm sendo estudados por pesquisadores em todo mundo, inclusive no Brasil, desde a década de 1970. Este problema vem sendo cada vez mais documentado, ganhando destaque em revistas científicas internacionais como a Nature e a Science. Os plásticos, que constituem entre 60-80% do lixo marinho, são atualmente considerados como um dos cinco principais problemas de poluição marinha, juntamente com hidrocarbonetos de petróleo, água de lastro, eutrofização e outros.

Em uma parceria entre o EcoDesenvolvimento.org e a Associação Praia Local Lixo Global (Global Garbage), diversos especialistas que vêm estudando o tema lixo marinho em diferentes Estados brasileiros e com diferentes enfoques apresentarão em uma coluna mensal suas opiniões e vivencias relacionadas ao tema. Diferentes aspectos serão abordados, dando ao leitor a oportunidade de conhecer mais sobre assuntos relevantes relacionados à poluição por lixo marinho.

Acreditamos fortemente que a disseminação destas opiniões e conceitos junto à sociedade pode sim interferir positivamente na mudança de atitude de cada um, somando esforços na busca de soluções para o problema do lixo marinho. Assim, convidamos todos à leitura, e deixamos aqui um ensinamento: que nas praias do nosso planeta, os únicos resíduos sejam os castelos de areia!

* Coordenadora Científica Projeto Lixo Marinho. Associação Praia Local lixo Global
(Envolverde/Adital)

Ambientalistas, empresas e governo selam pacto para recuperar Mata Atlântica

quarta-feira, 08 de abril de 2009.

Ambientalistas, empresas e governo selam pacto para recuperar Mata AtlânticaDezenas de organizações ambientalistas, universidades, empresas e governos assinaram hoje (7) o Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, esforço que tem o objetivo de incentivar o uso econômico de áreas degradadas da floresta para tentar recuperar 15 milhões de hectares de sua vegetação até 2050.

Hoje, restam apenas 7,26% da mata no país. Com a restauração pretendida, essa parcela saltaria para aproximadamente 30%.

“Nosso pensamento é todo baseado no econômico. Só assim nós vamos engajar milhares de produtores. Nós estamos trabalhando na lógica de serviços ambientais, água e carbono. Hoje está claro que existe um grande potencial de alavancar recursos de empresas que têm interesse de negócio na água, por exemplo”, defendeu o coordenador-geral do Conselho de Coordenação do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, Miguel Calmon.

Uma das intenções dos signatários do pacto é incentivar os proprietários de áreas degradadas da Mata Atlântica, e sem potencial econômico, a executar projetos de recuperação da vegetação que poderiam trazer retorno econômico.

“Foi a economia que destruiu e será a economia que fará restaurar. Os grandes protagonistas desse pacto são os proprietários rurais. 90% das propriedades da Mata Atlântica pertencem aos proprietários rurais. A gente precisa convencê-los a fazer a restauração. Atingir milhares e milhares de proprietários de forma efetiva para engajá-los na restauração é o desafio que nós temos do pacto”, ressaltou Calmon.

Durante dois anos, especialistas de algumas das principais organizações que atuam no bioma da Mata Atlântica fizeram um mapeamento que identificou a localização dos mais de 15 milhões de hectares de áreas degradadas potenciais para recuperação. A meta, no entanto, esbarra em fatores econômico-financeiros. Em valores atuais, a restauração de toda essa área custaria US$ 15 bilhões.

“Nós temos que criar a economia florestal da Mata Atlântica. Vamos ter de alavancar, mobilizar e captar recursos. Você tendo uma iniciativa que mostre resultado, com certeza você atrai o dinheiro. E não é dinheiro de doações, é investimento”, disse Calmon.

O pacto foi assinado por organizações não-governamentais como SOS Mata Atlântica, Care Brasil, Associação Mico Leão Dourado, TNH (The Nature Conservacy), WWF-Brasil; pelo governo federal, tendo como representante o Ministério do Meio Ambiente; pelos governos estaduais do Rio de Janeiro, de São Paulo e do Espírito Santo; pela academia, com a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); e por empresas como a mineradora Vale.

Agência Brasil