Rio de Janeiro vai retirar das ruas veículos com excesso de barulho e fumaça
segunda-feira, 28 de setembro de 2009.
A partir de 1º de janeiro de 2010, os veículos que circulam em todo o estado do Rio de Janeiro, que estiverem emitindo fumaça negra e poluentes em excesso, serão retirados de circulação. O controle de emissão de gases poluentes e de ruídos nos veículos automotores registrados e licenciados no estado será feito pelos técnicos do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) nos postos de vistoria do Detran.
O convênio de cooperação técnica para viabilizar a medida foi assinado hoje (26) pelo governador Sérgio Cabral, os secretários da Casa Civil, Regis Fichtner, e do Ambiente, Marilene Ramos, além do presidente do Detran, Fernando Avelino, no posto de vistoria do órgão na Barra da Tijuca.
A secretária Marilene Ramos explicou que o alvo da ação é a frota de ônibus, caminhões, vans e táxis, que circula, principalmente na região metropolitana da capital, onde, segundo ela, os níveis de poluentes no ar são inaceitáveis. “A situação é critica e nos próximos dois meses vamos nos preparar para iniciar, em janeiro, um trabalho efetivo de combate à emissão de gases poluentes no ar por parte de veículos”, disse.
Ainda de acordo com Marilene Ramos, com a fiscalização já iniciada pelo Inea já houve uma redução de 30% nas emissões de gases poluentes provenientes de ônibus e caminhões que circulam na cidade.
A parceria entre o Inea e o Detran prevê o intercâmbio de informações nas áreas de cadastro, relatórios, pesquisa e informática. Caberá ao Inea a análise periódica da qualidade do ar e a divulgação dos resultados, inclusive, mostrando os níveis de tolerabilidade das emissões veiculares.
Já o Detran ficará responsável pela instalação dos equipamentos necessários à vistoria anual de gases e ruídos nos veículos licenciados e também por manter nos postos o pessoal especializado para o desenvolvimento das atividades de controle.
Agência Brasil
Carros terão de se adequar a novos limites máximos de emissões de poluentes
quinta-feira, 10 de setembro de 2009.
Veículos leves saídos de fábrica terão de se adequar à nova resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) que estabelece os limites máximos de emissões de poluentes provenientes dos escapamentos, como o monóxido de carbono, os aldeídos, os hidrocarbonetos totais, os hidrocarbonetos não metano, os óxidos de nitrogênio e o material particulado (enxofre).
A proposta foi aprovada pelo Conselho em reunião ordinária, nesta quarta-feira (2/9), aberta pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. Ele ressaltou que a aprovação pelo Conama de novos limites de emissões de poluentes para os veículos é de extrema importância para o meio ambiente brasileiro.
A determinação faz parte da Fase L-6 do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve). Para os veículos movidos a diesel, o prazo de adaptação estabelecido pela resolução é de até 1º de janeiro de 2013. Os carros movidos a gasolina terão o prazo máximo de até 1º de janeiro de 2014.
De acordo com Rudolf Noronha, gerente de Qualidade do Ar do MMA, a determinação contida na resolução do Conama vai reduzir de maneira expressiva os poluentes emitidos pelos veículos. “Esta medida, somada à inspeção veicular, vai trazer uma melhoria significativa à qualidade do ar das cidades”, disse. Ele garantiu que o Brasil vai alcançar padrões equivalentes ao que há de mais moderno no mundo em termos de iniciativas para melhoria da qualidade do ar.
Comissão de acompanhamento – O Conselho também aprovou proposta que reestrutura a Comissão de Acompanhamento e Avaliação do Proconve. O gerente de Qualidade do Ar, Rudolf Noronha, está convicto de que a Comissão, que vai funcionar com nova composição, terá força política para evitar o descumprimento das normas relacionadas ao Proconve, como ocorreu nas fases anteriores do programa.
(Envolverde/MMA)
Lixo Marinho: você já ouviu falar?
terça-feira, 26 de maio de 2009.
Toda atividade humana gera lixo. Plástico, papel, metal, isopor, vidro, madeira, borracha, enfim, tudo que descartamos quando consideramos que aquele resíduo já não tem mais utilidade. O lixo tem sua a origem no consumo desenfreado pelo qual passa a humanidade. É a chamada “Era dos Descartáveis”, que gera um ciclo aparentemente sem fim, entre comprar, usar e jogar fora. Convivemos com este ciclo e, consequentemente, com o lixo desde crianças.
A nossa familiaridade com o lixo faz com que seja difícil entendê-lo no contexto da poluição marinha. É fácil perceber. Quando ocorre um derramamento de petróleo, seja na baia da Guanabara, seja em um arquipélago remoto no Oceano Pacífico, somos logo bombardeados com informações pela mídia. Mas, o que acontece quando um amigo seu joga um copinho plástico na praia? Ou quando um desconhecido descarta a bituca de cigarro, do seu lado, naquela praia que você frequenta desde garoto. Nada! Isso não é noticiado. E se, como em um derramamento de petróleo, todos os frequentadores da praia lançam seus resíduos na areia, criando um verdadeiro “tapete” de plástico? Isso também não é noticiado. Mas acontece sempre, todos os dias, ao redor do planeta. Muitas vezes, nós usuários da praia, não percebemos. Ou fingimos não ver.
A partir desta abordagem inicial fica fácil definir o lixo marinho. Este constitui todo aquele resíduo sólido (o lixo que nós produzimos) que chega aos ambientes costeiro e marinho por qualquer fonte. As fontes são usualmente definidas como fontes baseadas em terra (usuários de praias, rios, sistemas de drenagem de esgotos, entre outros) e fontes baseadas no mar (navios, barcos de pesca, plataformas de exploração de petróleo). As consequências diretas da presença de lixo marinho são a perda da qualidade estética, gastos exorbitantes com limpezas públicas, diminuição do turismo, danos a embarcações e barcos de pesca, diminuição dos estoques pesqueiros, ingestão e emaranhamento pela biota marinha, entre outros. São problemas ambientais e humanos que se cruzam e com certeza não há beneficiados.
Diversos aspectos relacionados à presença do lixo no ambiente vêm sendo estudados por pesquisadores em todo mundo, inclusive no Brasil, desde a década de 1970. Este problema vem sendo cada vez mais documentado, ganhando destaque em revistas científicas internacionais como a Nature e a Science. Os plásticos, que constituem entre 60-80% do lixo marinho, são atualmente considerados como um dos cinco principais problemas de poluição marinha, juntamente com hidrocarbonetos de petróleo, água de lastro, eutrofização e outros.
Em uma parceria entre o EcoDesenvolvimento.org e a Associação Praia Local Lixo Global (Global Garbage), diversos especialistas que vêm estudando o tema lixo marinho em diferentes Estados brasileiros e com diferentes enfoques apresentarão em uma coluna mensal suas opiniões e vivencias relacionadas ao tema. Diferentes aspectos serão abordados, dando ao leitor a oportunidade de conhecer mais sobre assuntos relevantes relacionados à poluição por lixo marinho.
Acreditamos fortemente que a disseminação destas opiniões e conceitos junto à sociedade pode sim interferir positivamente na mudança de atitude de cada um, somando esforços na busca de soluções para o problema do lixo marinho. Assim, convidamos todos à leitura, e deixamos aqui um ensinamento: que nas praias do nosso planeta, os únicos resíduos sejam os castelos de areia!
* Coordenadora Científica Projeto Lixo Marinho. Associação Praia Local lixo Global
(Envolverde/Adital)
Diesel com menos enxofre faz cair emissão de fumaça de ônibus urbanos no Rio
terça-feira, 28 de abril de 2009.
A troca do diesel S-500 pelo diesel S-50, com menor teor de enxofre, já traz benefícios à qualidade do ar na cidade do Rio, desde que foi implementada no início do ano.
A afirmação é do diretor de Abastecimento e Refino da Petrobras, Paulo Roberto Costa, que concedeu entrevista coletiva hoje (27), na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), Região Metropolitana do Rio, a primeira do país a produzir o S-50.
Segundo Costa, por meio de testes, foi verificada redução de 15% nos níveis de emissão de fumaça dos ônibus da capital fluminense, comparativamente a 2008, quando ainda era utilizado o diesel S-500, com maior teor de enxofre. A Petrobras também distribui o diesel com menos enxofre para ônibus da cidade de São Paulo.
O diesel S-50 tem 50 partes por milhão (ppm) de enxofre, o que corresponde a uma concentração de 0,005% desse componente no diesel. O diesel anterior tinha 500 ppm de enxofre, correspondendo a uma concentração de 0,05%.
Embora somente tenha iniciado a produção no Brasil agora no início do mês, desde janeiro deste ano a estatal já vem fornecendo o produto com menor teor de enxofre para a frota cativa de ônibus do município, só que, para isto, a empresa vinha importando o S-50. O produto nacional vem sendo comercializado pelo mesmo preço do importado.
Inicialmente, o diesel S-50, importado e fornecido pela Petrobras no Rio de Janeiro, era transportado pela rede de dutos até a Reduc, de onde era bombeado para as bases das companhias distribuidoras.
Já o produto nacional é processado em uma unidade de hidrotratamento da Reduc, que extrai o enxofre a partir de reações químicas envolvendo, principalmente, o hidrogênio. São disponibilizados mensalmente cerca de 14 mil metros cúbicos de diesel S-50 para o município do Rio de Janeiro.
Segundo a Petrobras, os testes que comprovaram os benefícios para a atmosfera foram realizados pela Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do RJ (Fetranspor), por meio de monitoramento em 47 empresas do município, num total de 8.500 ônibus.
Os resultados indicam tendência de redução das emissões de material particulado para o meio ambiente. “Os testes da Fetranspor têm caráter preliminar, mas são coerentes com os realizados em laboratório pelo Centro de Pesquisas da Petrobras [Cenpes]”, informou a empresa.
De acordo com a Petrobras, os testes da empresa indicaram redução de 11,3% nas emissões de material particulado com a substituição do diesel S-500 pelo S-50 em veículos.
“As emissões de fumaça foram medidas com um opacímetro montado na descarga dos ônibus. Este aparelho mede somente a fração visível dos gases de escapamento. Os veículos de testes operaram sem carga, em aceleração livre. É o mesmo método usado nas inspeções do Departamento Estadual de Trânsito [Detran]. O resultado dos testes da Fetranspor está sendo estratificado agora por geração tecnológica, ano e modelo dos veículos”, esclareceu a companhia.
O fornecimento do diesel menos poluente para as frotas do Rio e de São Paulo foi definido em acordo com o Ministério Público Federal (MPF) no dia 30 de outubro de 2008.
Pelo cronograma acertado com o MPF, ficou definido que a partir de maio o diesel S-50 estará disponível também para toda a frota de veículos metropolitanos de Fortaleza (CE), Recife (PE) e Belém (PA).
Em agosto, será a vez de Curitiba (PR) ter o combustível na sua frota de ônibus e, em janeiro de 2010, o combustível será disponibilizado para as frotas cativas de ônibus urbanos de Porto Alegre (RS), Belo Horizonte (MG) e Salvador (BA) e será estendido para toda a Região Metropolitana da Cidade de São Paulo.
Em janeiro de 2011, o combustível será fornecido também às frotas das outras três Regiões Metropolitanas do Estado de São Paulo (Baixada Santista, Campinas e São José dos Campos) e também para a Região Metropolitana do Estado do Rio de Janeiro.
Com o objetivo de ter plena capacidade produtiva do diesel e, assim, atender ao mercado brasileiro, sem depender de importação, a Petrobras estará investindo US$ 4 bilhões até 2012. A empresa deverá investir ainda mais US$ 2 bilhões para o fornecimento, a partir de 2013, do diesel S-10, com 10 ppm de enxofre.
Em 1986, com o objetivo de controlar a qualidade do ar, principalmente, nas grandes cidades, o governo federal instituiu o Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve), um cronograma de redução gradual das emissões de poluentes para veículos leves e pesados.
Agência Brasil
Poluição causará 25 mil mortes em SP até 2040
sexta-feira, 24 de abril de 2009.
Todos os anos 3,5 mil pessoas morrem na cidade de São Paulo (SP) devido à má qualidade do ar. Entre 5% e 10% das mortes consideradas por “causas naturais” na Grande São Paulo são resultados de danos causados pela poluição atmosférica à saúde da população. Até 2040, cerca de 25 mil mortes estarão relacionadas à poluição do ar da região metropolitana de São Paulo.
Os dados foram apresentados pelo professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do Laboratório de Poluição da USP, Paulo Saldiva, durante o seminário “Qualidade do Ar e Políticas Públicas Socioambientais nas Metrópoles Brasileiras”, realizado no Instituto de Estudos Avançados (IEA). O evento integra um ciclo de debates sobre políticas públicas ambientais, promovido pelo Grupo de Pesquisa de Ciências Ambientais, que realizará outras palestras nos dias 29 de abril e 6 de maio.
Além do professor, o seminário contou com a participação de outros dois pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública da USP, João Vicente Assunção e Helena Ribeiro.
Para os pesquisadores a frota automotiva é a verdadeira vilã do problema de poluição do ar. “A poluição industrial em São Paulo está controlada desde a década de 1980 através de filtros. Hoje, só a capital paulista tem quase 6 milhões de veículos (21% da frota nacional). Mais 1 milhão de carros e 150 mil caminhões ainda entram na cidade todo dia”, alertou Helena.
De acordo com Saldiva, a qualidade do ar as ações da Secretaria do Meio Ambiente conseguem controlar, mas não resolver, a situação. “As medidas compensaram o aumento da frota, que cresce a cada ano 10%. Mas ainda é pouco para solucionar o problema”, destacou.
Soluções
“O primeiro passo seria melhorar o que existe. A ideia que o paulistano não usa transporte público não é verdade. Indício disso é a valorização imobiliária de regiões perto do metrô”, explicou Saldiva.
A professora Helena também lembrou que em 2008 aconteceu a primeira inversão na curva de aumento do uso de carro e transporte coletivo. “O paulistano utiliza transportes públicos para se locomover, mas para aumentar esses números precisamos exigir mais qualidade e eficiência”.
Para o professor Ribeiro, seria necessário melhorar as condições de mobilidade urbana e regularizar os compostos químicos liberados para a atmosfera assumindo as metas para cortar os poluentes.
“A questão do carro é diferente, não depende só da inspeção veicular. Muitas medidas já foram tomadas, mas o grande problema é a antiga frota que ainda circula e emite muitos poluentes”, apontou. “Implantar muitas ciclovias na capital como na Marginal e Radial Leste também seria uma boa alternativa”, completou.
“Investir em transporte público, especialmente no metrô”, destacou Vicente. O professor também ressaltou o tratamento dado aos pedestres. “O pedestre do Brasil é de terceira categoria, não existe a prioridade para o pedestre, infelizmente vivemos uma cultura do carro”.
De acordo com Saldiva, para diminuir a poluição produzida pelos carros, é necessário melhorar a locomoção dos pedestres, assim como um lugar para amarrar as bicicletas e tomar banho. “As motos não são uma boa saída, pois ainda não estão com tecnologia ideal, poluindo bastante. O rodízio funcionaria se durante o período fossem tomadas medidas estruturais para redução da poluição, pois ele tira 20% dos carros, mas a frota aumenta 10% a cada ano”, finalizou.
Poluição do ar e saúde
A poluição atmosférica causa efeitos à saúde como problemas oftálmicos, doenças dermatológicas, problemas gastrointestinais, problemas cardiovasculares, doenças pulmonares, alguns tipos de câncer, efeitos sobre o sistema nervoso e algumas doenças infecciosas.
O nível de poluição atmosférica é determinado pela quantificação das substâncias poluentes presentes no ar. O grupo de poluentes considerados como indicadores mais abrangentes da qualidade do ar é composto por monóxido de carbono, dióxido de enxofre, material particulado e ozônio, mais o dióxido de nitrogênio. A razão da escolha desses parâmetros como indicadores de qualidade do ar está ligada a sua maior frequência de ocorrência e aos efeitos adversos que causa ao meio ambiente.
Ciclo de seminários
O ciclo de palestras do IEA sobre políticas públicas ambientais continua no dia 29 de abril com o tema “Meio Ambiente, Desigualdades e Representações Sociais – Uma Análise Comparativa entre São Paulo e Paris”. Por fim, o terceiro seminário do ciclo tratará da “Governança da Água no Brasil” no dia 6 de maio.
Os interessados em participar do ciclo devem se inscrever com mensagem para ineshita@usp.br. Os seminários são transmitidos online pelo site http://www.iea.usp.br/aovivo. O IEA fica na Av. Prof. Luciano Gualberto, Travessa J, 374, Cidade Universitária, São Paulo (SP).
(Envolverde/Aprendiz)
