Banco Mundial quer apoiar projetos ambientais de Curitiba

quinta-feira, 11 de março de 2010.

O Banco Mundial quer apoiar novos projetos da Prefeitura de Curitiba na área ambiental direcionados para o combate ao aquecimento global. O diretor do Banco Mundial no Brasil, Makhtar Diop, visitou o prefeito Beto Richa na tarde desta quarta-feira (10) e propôs a parceria, que poderá resultar em investimentos do banco em programas ambientais curitibanos.

“Além de uma série de ações em andamento, temos muitos projetos novos que poderão ser beneficiados pela futura parceria”, disse o prefeito.

Richa citou como exemplo um estudo que a Secretaria Municipal do Meio Ambiente está preparando em parceria com a Sociedade de Proteção à Vida Selvagem (SPVS) para medir a quantidade de gases do aquecimento global que são emitidos na cidade, e um inventário da quantidade de poluentes absorvida pela vegetação da cidade, que tem a melhor relação de áreas verdes por habitante do país (51 metros quadrados por habitante).

Entre os projetos em andamento, Richa citou o Viva Barigui, para revitalizar a Bacia Hidrográfica do rio Barigui, que abrange um terço do território da cidade. O objetivo do Viva Barigui é reverter a degradação da bacia, com medidas de preservação de nascentes, conservação de ambientes naturais ainda existentes, relocação de famílias que vivem nas ocupações irregulares às margens do rio, e recomposição da vegetação nativa.

“O que vocês estão fazendo aqui em Curitiba é melhor do que vemos em muitas cidades de países mais desenvolvidos. Todas as ações urbanas são pensadas de forma integrada ao meio ambiente. Seria uma grande honra para nós estabelecer uma parceria com a cidade”, afirmou Diop.

A partir de agora, técnicos do Banco Mundial e da Prefeitura de Curitiba estudarão quais ações específicas poderão ser financiadas.

Em abril do ano passado, o prefeito de Curitiba foi um dos convidados especiais do Banco Mundial para a Semana da Energia, em Washington, nos Estados Unidos, que discutiu as mudanças climáticas.

Richa falou sobre planejamento sustentável, usando como exemplo a Linha Verde – antiga rodovia que foi transformada em avenida e corredor de transporte coletivo, onde os ônibus circulam movidos a biocombustível.
(Envolverde/Prefeitura Municipal de Curitiba)

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Avaliação de emissão no local

quarta-feira, 10 de março de 2010.

O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) divulgou a aquisição de uma nova unidade móvel equipada com instrumentação para avaliação do consumo de energia e da emissão de poluentes por equipamentos industriais de combustão e gaseificação.

Segundo o IPT, o veículo, do tipo furgão, está equipado com recursos para instalação, transporte e operação de instrumentos de medição das propriedades (vazão, temperatura, pressão e composição química) dos principais fluxos de entrada e saída de gases em equipamentos na própria instalação do cliente.

Na nova unidade, os resultados podem ser verificados no momento de realização dos ensaios, permitindo orientações mais rápidas para a melhoria da eficiência energética e redução das emissões de poluentes atmosféricos.

Para a medição da composição de gases de combustão ou gaseificação, o veículo dispõe de analisadores contínuos para poluentes como dióxido de enxofre, monóxido de carbono, óxidos de nitrogênio e hidrocarbonetos voláteis, e de instrumentos descontínuos para material particulado e condensáveis.

De acordo com o instituto, os analisadores contínuos de gases são pouco usados pela indústria para monitorar processo de combustão principalmente pelo desconhecimento de seus benefícios. A equipe do IPT analisa a planta produtiva do cliente, caracterizando a situação atual, e avalia melhorias que podem ser implementadas.

Com a nova unidade, o IPT pretende facilitar os trabalhos do Laboratório de Energia Térmica, Motores, Combustíveis e Emissões.

(Envolverde/Agência Fapesp)

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Anvisa apreende 800 mil litros de agrotóxicos irregulares

quarta-feira, 10 de março de 2010.

Brasília – A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou nesta terça-feira (9) que interditou mais de 800 mil litros de agrotóxicos na fábrica da empresa alemã Basf, em Guaratinguetá, no interior de São Paulo. Segundo a Anvisa, a interdição ocorreu porque, durante fiscalização realizada na última sexta-feira (5), foram encontradas várias irregularidades, como uso de substâncias com prazo de validade vencido ou sem data de fabricação ou validade.

Além disso, a agência de vigilância comunicou, em nota, que a Basf não conseguiu comprovar o controle de qualidade, nem a rastreabilidade das pré-misturas usadas na fabricação dos agrotóxicos.

“Verificamos que a data de fabricação das pré-misturas utilizadas na elaboração do produto acabado eram mais recentes que as do produto final”, afirmou o diretor da Anvisa, José Agenor Álvares, por meio do comunicado.

O agrotóxico Opera, usado nas culturas de amendoim, aveia, banana, café, cevada, milho, soja e trigo, e o mais vendido pela empresa, está entre os produtos interditados. A fiscalização da Anvisa na fábrica de Guaratinguetá foi feita em três dias e também encontrou 2 mil litros de substâncias desconhecidas nos lotes de agrotóxicos.

De acordo com o diretor da Anvisa, a empresa alemã tentou dificultar o trabalho dos fiscais, apagando as luzes, parando as máquinas e se negando a assinar alguns documentos. A operação teve o apoio da Polícia Federal em Cruzeiro e da Vigilância Sanitária de Guaratinguetá.

“Agrotóxicos são produtos com alto risco para a saúde e o meio ambiente”, disse Álvares. Por isso, problemas na produção de agrotóxicos aumentam significativamente as chances do desenvolvimento de diversos agravos à saúde, como câncer e toxicidade reprodutiva em trabalhadores rurais e consumidores, acrescentou.

Com a interdição, a empresa tem cinco dias úteis para apresentar a contraprova. Caso confirmadas as infrações, as multas a serem aplicada podem chegar até R$ 1,5 milhão. Se as irregularidades forem classificadas como crime, além dos procedimentos administrativos, os dados serão encaminhados à Polícia Federal e ao Ministério Público.
(Envolverde/Agência Brasil)

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O Ibama aponta soluções para o problema ambiental dos lixões na Paraíba

segunda-feira, 08 de março de 2010.

João Pessoa – O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, entregou a 21 gestores de estados e municípios termos de convênios que garantem a elaboração de planos de gestão para o tratamento dos resíduos sólidos urbanos.

Os planos de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos – Pgirs têm o objetivo de organizar a gestão dos resíduos dentro das particularidades regionais, econômicas, geográficas, ambientais e sociais, com a meta de promover o desenvolvimento sustentável do ambiente urbano. O Ministério do Meio Ambiente – MMA destinará para cada município ou consórcio formado por grupos de pequenos municípios, uma verba em torno de R$ 400 mil. O recurso do MMA se destina a melhorar a estrutura jurídica, fazer treinamento de pessoal e aquisição de equipamento para as estruturas existentes nos estados.
O Ibama aponta soluções

Estima-se que a maioria dos municípios paraibanos têm destino de lixo irregular. Os dejetos de 98% deles são encaminhados para lixões a céu aberto ao invés de aterros sanitários. Segundo o Ibama da Paraíba, apenas a região metropolitana de João Pessoa possui aterros dentro das exigências ambientais.

Nos lixões, os dejetos não são submetidos a nenhum tipo de tratamento. Já nos aterros, quando existentes, são abertas valas que são fiscalizadas pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente – Sudema. O município de Campina Grande tem a pior situação do Estado, pois lá existe carência de aterro sanitário compatível com o porte da cidade. O lixão fica muito próximo da rodovia. O Ministério Público já entrou com ações, mas ainda não houve iniciativas da administração municipal no sentido de resolver o problema.

Além de Campina Grande, o Ministério Público está exigindo que outros municípios enviem obrigatoriamente projetos de criação de aterro sanitário. Eles deverão ser encaminhados à Superintendência Estadual do Meio Ambiente – Sudema, que analisa e concede as licenças para execução dos aterros.

No entanto, o fato é que o problema do lixo não se resume apenas à Paraíba, pois esta é uma questão ambiental e de saúde pública existente em todo o país. O Ibama sugere aos municípios que desenvolvam projetos até mesmo em forma de consórcio, nos quais dois ou mais municípios podem se unir criar um aterro que atenda às exigências ambientais.
(Envolverde/Ibama)

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O perigoso metano escapa do Ártico

segunda-feira, 08 de março de 2010.

A camada de gelo, que armazena milhares de milhões de toneladas de metano sob as frias águas do Mar Ártico, está deixando escapar esse gás-estufa para a atmosfera, segundo pesquisa publicada pela revista especializada Science. Não se sabe se isto pode ser um dos primeiros indicadores de um círculo vicioso que acelere o aquecimento global.

Os pesquisadores estimam que, anualmente, sejam emitidas oito milhões de toneladas de metano pela Plataforma Ártica da Sibéria Oriental, o que equivale a todo o metano liberado pelos oceanos do mundo, que cobrem 71% do planeta. Os resultados das medições, realizadas agora na Sibéria, representam menos de 2% das emissões mundiais de metano derivadas de fontes com base na terra, como animais, arrozais ou vegetação em processo de putrefação.

“Isso é muito significativo. Antes se presumia que esta região tinha emissão zero”, afirmou à IPS Natalia Shakhova, pesquisadora da Universidade do Alasca em Fairbanks. As concentrações de metano medidas sobre os oceanos costumam ficar entre 0,6 e 0,7 partes por milhão (ppm), mas agora registram 1,85% no Mar Ártico em geral, e entre 2,6 e 8,2 ppm na Plataforma Ártica da Sibéria Oriental, uma área de aproximadamente dois milhões de quilômetros quadrados, disse Shakhova.

Ela e seu colega Igor Semiletov lideraram oito expedições internacionais a essa região, uma das mais remotas e desoladas do mundo. Seus resultados são os publicados na última edição da Science, na semana passada. Os níveis globais de metano aumentam anualmente desde 2007, após terem permanecido estáveis durante uma década, informou Ed Dlugokencky, do Laboratório de Pesquisas do Sistema Terrestre em Boulder, no Estado do Colorado, que funciona vinculado ao Escritório Nacional de Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos.

Os cientistas comprovaram, em 2007, um aumento do metano no Ártico, mas isto não voltou a ocorrer em 2008, disse à IPS por e-mail Dlugokencky, especialista em metano atmosférico. Ele suspeita que as emissões submarinas da Sibéria não sejam novas, mas que ocorrem durante algum tempo. É necessário verificar por outros meios as estimativas de Shakhova que falam de oito milhões de toneladas, disse. Porém, reconheceu que este estudo representa a primeira medição direta já realizada na região, e que enfatiza a urgência de mais pesquisas.

Nos últimos anos, os pesquisadores experimentaram comoção ao verem algumas áreas do Mar Ártico “em ebulição”, quando os gases das profundezas saem, borbulhantes, para a superfície. Grandes setores do solo oceânico, que se estendem ao longo das áreas costeiras, foram, na realidade, “permafrost” – gelo permanente –, que passou a estado líquido há milhares de anos, depois do grande derretimento da última era do gelo. O permafrost é solo congelado e contém grandes concentrações de carbono e metano.

As águas extremamente frias do Ártico e sua cobertura gelada mantinham o permafrost submarino a temperaturas suficientemente baixas para que o derretimento fosse bastante lento. Até agora. Nos últimos anos, as temperaturas da superfície de boa parte da paisagem ártica e siberiana, particularmente no verão boreal, aumentaram entre seis e dez graus em relação aos registros normais. Isto levou a um enorme aumento no caudal de muitos rios que desembocam no Mar Ártico.

Shakhova e seus colegas acreditam que este aumento substancial de águas mais quentes na pouco profunda Plataforma da Sibéria Oriental acelerou o derretimento do permafrost submarino, rachando a cobertura gelada e permitindo que o metano vaze para a atmosfera. “O que nos preocupa é que o permafrost submarino já apresenta sinais de desestabilização”, disse a cientista em um comunicado. “Se a desestabilização aumentar, as emissões de metano poderão não ser em teragramas, pois serão significativamente maiores”, acrescentou. Um teragrama é igual a um bilhão de gramas ou um milhão de toneladas.

O metano é um gás-estufa cerca de 25 vezes mais potente do que o dióxido de carbono. É comum ser chamado de hidrato de metano quando está congelado no permafrost ou sob o mar. Ignora-se seu volume total. “A liberação na atmosfera de apenas 1% do metano, que se presumia armazenado em depósitos de hidrato pouco profundos, pode alterar em três ou quatro vezes a atual carga atmosférica de metano”, disse Shakhova em um comunicado. “As consequências climáticas disto são difíceis de prever”, acrescentou.

O estudo de Shakhova é apenas um de pelo menos uma dezena que mostram claramente que a região do Ártico não só está derretendo como também emitindo mais carbono e metano. O permafrost ocupa 13 milhões de quilômetros quadrados da terra no Alasca, Canadá, Sibéria e partes da Europa. Um novo estudo canadense documentou que o limite mais ao sul do permafrost diminuiu 130 quilômetros nos últimos 50 anos, na região de James Bay, em Québec.

Outro estudo, da Universidade da Flórida, diz que isso poderia causar emissões de um bilhão de toneladas de carbono por ano até meados do século. As emissões geradas pelos seres humanos ficam entre sete bilhões e oito bilhões de toneladas. Outra pesquisa canadense, divulgada no ano passado, mostra que a região está ficando mais escura e absorvendo mais calor no verão, devido a uma significativa mudança no crescimento de pastagens e líquens. Nos últimos 30 anos, estes se converteram em arbustos maiores devido às temperaturas mais altas.

Sem reduções importantes nas emissões contaminantes causadas pelos seres humanos, principalmente mediante a queima de combustíveis fósseis e o desmatamento, os dois a três metros superiores do permafrost de toda a região ártica podem descongelar até o final deste século, alerta o informe “”Reações do clima ártico: implicações globais”, apresentado em setembro pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF).

Se isso ocorrer, os volumes de carbono e metano liberados poderão ser muitas vezes maiores do que os atualmente existentes na atmosfera, o que fará aumentar em seis, oito ou mesmo dez graus as temperaturas médias mundial. As consequências são inimagináveis. “As mudanças que estamos vivendo não são totalmente inesperadas. Simplesmente estão ocorrendo muito antes”, disse Mark Serreze, pesquisador do Centro Nacional de Dados da Neve e do Gelo no Colorado e co-autor do informe do WWF. Se os hidratos de metano ou grandes áreas de permafrost começarem a derreter, “isso será uma péssima notícia para a humanidade”, disse Serreze à IPS em setembro passado. IPS/Envolverde
(IPS/Envolverde)