Brasil propõe reduzir 39% das emissões de carbono

quinta-feira, 03 de dezembro de 2009.

Brasil propõe reduzir 39% das emissões de carbonoOs dados a serem apresentados na 15ª Conferência da Partes (COP15) da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, este mês, em Copenhaguem, na Dinamarca, foram debatidos nesta quarta-feira (01), no Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). Participaram das discussões o diretor geral do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCT), Gilberto Câmara, os pesquisadores Carlos Nobre e Dalton Morisson Valeriano, do Inpe, Susana Kahan, do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Eduardo Assad, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), com a mediação do ministro em exercíco do MCT, Luis Antônio Elias.

Câmara apresentou um balanço das emissões de carbono (CO²) e do aquecimento global. A proposta que o Brasil leva a Copenhague é de reduzir em até 39% as emissões de carbono até 2050. “O País está se colocando como uma potência ambiental e quer mostrar que é possível utilizar recursos naturais para ter crescimento”, disse.

Os países em desenvolvimento são os maiores emissores de CO². Segundo Câmara, as emissões de combustíveis fósseis e cimento entre os anos de 1990 e 2000 foram bem superiores as emissões de 2000 a 2009, atingindo 1% e 3,4%, respectivamente. A China é a maior emissora de carbono do mundo, seguida da Índia e dos Estados Unidos.

Numa análise histórica, pode-se dizer que os Estados Unidos e a Europa são os maiores responsáveis pelo aquecimento global. “As emissões dos Estados Unidos representam 30%, e as da Europa, 25%. Ou seja, 55% no total”, explicou Câmara.

O desmatamento e o uso indevido do solo são outros causadores do efeito estufa. O diretor do Inpe disse que essas atividades detêm 12% a 15% das emissões globais. Desses gases, 46% vão para a atmosfera, 29% para o solo e 26 % são absorvidos pelos oceanos. No Brasil, houve uma redução dos efeitos do desmatamento dos anos 90 até hoje. “Nos anos 90, as emissões do Brasil correspondiam a 3%. Entre 2005 e 2009, esse número caiu para 1,2%”.

Em sua exposição, o coordenador do Conselho Diretor da Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais (Rede Clima), Carlos Nobre, disse que os debates sobre o assunto estão bem avançados. Segundo ele, reuniões como a realizada hoje são essenciais para levantar informações a serem levadas aos debates internacionais e para a tomada de decisões políticas.

O encontro fez parte da agenda do programa Conhecimento para Todos, evento promovido pelo MCT, com o objetivo de divulgar as atividades dos institutos e órgãos ligados a ciência e a tecnologia. O ministro em exercíco e secretário-executivo do MCT, Luiz Antonio Rodrigues Elias, intermediou o debate. Ele destacou a necessidade de se criar um canal permanente de comunicação entre o governo e a sociedade para que o Brasil chegue na COP15 mais amadurecido.

Crédito da imagem: Thiago Mendonça/MCT
(Envolverde/Ministério da Ciência e Tecnologia)

 
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