Por Ruth Harada*
A cada dia o mundo se torna mais tecnológico. Estimativas apontam que já existem mais de 1 bilhão de computadores pessoais e pelo menos 3,66 bilhões de celulares no mundo. No Brasil, somente no ano passado, foram vendidos mais de 10 milhões de microcomputadores e mais de 28 milhões de equipamentos, sendo que pelo menos 10 milhões foram adquiridos por usuários que trocaram de aparelhos.
Celulares e microcomputadores tornam-se obsoletos em pouco tempo e com isso são descartados. Estudos da Organização das Nações Unidas (ONU) mostram que entre 20 e 50 milhões de toneladas de equipamentos elétricos e eletrônicos são descartados anualmente no mundo todo. Nos EUA, cerca de 50 milhões de computadores vão para o lixo todos os anos, contribuindo para mais de 70% das contaminações por metais pesados e 40% das contaminações por chumbo registradas em aterros do país. No Japão, até 2010, já terão sido descartados 610 milhões de celulares.
Na pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) sobre o destino que as empresas dão ao seu lixo eletrônico, das vinte empresas pesquisadas, dez não responderam ao questionário. Das dez que responderam, cinco obtiveram as melhores classificações, uma foi regular e quatro consideradas ruim. As melhores notas ficaram com as empresas que apresentaram evidências de que implementam ampla política de gestão de resíduos, além de possuírem canais de fácil acesso ao consumidor.
No Brasil, não existe uma legislação que obrigue as empresas a fazerem o recolhimento e a reciclagem de produtos eletrônicos. O Conselho Nacional do Meio Ambiente só exige o recolhimento e armazenagem de pilhas e baterias. A implantação de programas de reciclagem e recondicionamento de celulares e computadores se faz mais necessária a cada dia. O recondicionamento de computadores antigos pode ser uma excelente fonte de suprimentos para as instituições.
A USP, por exemplo, criou um centro de descarte e reciclagem de computadores, impressoras e aparelhos celulares. Os equipamentos passarão por uma triagem: os reutilizáveis serão doados a ONGs e projetos sociais e os destruídos serão entregues a empresas de transformação que irão reaproveitar metais, plásticos, placas e vidros.
Já a PUC/RJ apoiou o desenvolvimento do Plurall. Uma solução de equipamentos thinclients que possibilita a montagem de redes locais de informática a partir de um servidor e de computadores antigos reciclados, sem disco rígido. Os terminais operam em redes locais convencionais e também em redes wireless integradas, com o servidor de aplicações sediado em uma estrutura central que atende a uma rede de escolas públicas, postos de saúde, telecentros comunitários, entre outras instituições.
Iniciativas como essas contribuem com a meta de redução do lixo tecnológico em países emergentes e ajudam as empresas a otimizarem de forma ecológica a utilização de computadores antigos, possibilitando assim o uso inteligente da tecnologia na comunidade.
* Ruth Harada é executiva de cidadania corporativa da IBM Brasil.
(Envolverde/Assessoria)
