Por Henrique Andrade Camargo, do Mercado Ético
Trabalhadores desempregados, aquecimento global e bancos sem dinheiro. É realmente uma crise sem precedentes no mundo moderno, como costumam declarar os chefões do G-20, o grupo que reúne os países mais ricos do mundo e os principais emergentes. Mas como disse o presidente da China, Hu Jintao, “desafios e oportunidades sempre vêm juntos. Estabelecidas certas condições, um pode se transformar no outro.”
É, para mim, a declaração que faz mais sentido até agora. Não quer dizer nada, do ponto de vista de solução da crise, mas, ao mesmo tempo, diz tudo. Temos uma crise, os governos mostram interesse em gastar uma montanha de dinheiro para enfrentá-la e, logo ali, tem a questão ambiental, que precisa de investimentos. Não é difícil juntar as peças desse quebra-cabeça. A crise pode ser a desculpa que faltava para se criar um mundo mais justo, sustentável e cheio de empregos ligados à economia verde.
Aparentemente, algo do tipo será anunciado na quinta-feira (2/4), quando a cúpula do G-20 estará reunida em Londres. De acordo com o esboço do documento final do encontro, que vazou no domingo, países enxergam o momento como uma chance de investir em tecnologias sustentáveis.
Ainda não dá para saber se tudo isso é só retórica ou se os países estão mesmo dispostos em matar três coelhos (melhor do que dois) de uma cajadada só. A principal questão ligada à sustentabilidade está no crescimento econômico dos países em desenvolvimento. As nações que trilham esse caminho necessitam de mais energia. Essa energia, até agora, salvo a do Brasil, que tem uma das matrizes mais verdes do mundo, é suja. Imunda! Soluções para acabar com a dependência dos combustíveis fósseis são urgentes.
Também são urgentes novos valores para a humanidade.
Há um esforço do G-20 em retomar o aumento do consumo. Políticas de juros baixos, injeção de recursos no comércio internacional, combate ao protecionismo, regulação dos mercados e mais dinheiro do FMI (Fundo Monetário Internacional) para os pobres também devem fazer parte da ação conjunta a ser anunciada quinta-feira.
Tudo isso tem o objetivo de aumentar o consumo. Isso pode ser importante para a economia no momento de agora. Mas é algo inviável no longo termo. Vivemos em um mundo com recursos limitados. Não dá para pensar em futuro sustentável baseado somente no comércio como é feito hoje. Particularmente, acredito que esse tema será tratado somente na próxima crise ambiental – se sobrevivermos a essa.
Quanto à regulação dos mercados, as coisas ainda não estão claras. Uns defendem um controle por um órgão internacional. Outros dizem que essa fiscalização deve ser feita internamente pelas instituições de cada país. Seja o que for, no fim das contas só faz sentido uma coisa: transparência.
Fora isso, é torcer para que os governantes apresentem mais do que uma carta de intenções e realmente tomem ações concretas para colocar o mundo de volta aos trilhos.
(Envolverde/Mercado Ético)
