Poluição em Brasília piora durante a seca

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009.

Poluição em Brasília piora durante a secaÍndice chega a ser 8 vezes mais alto em comparação com a época de chuvas. Ar ainda é bom, mas aumento da frota preocupa.

Um estudo feito na Universidade de Brasília revela que os moradores da capital estão mais suscetíveis à poluição atmosférica durante os meses de estiagem. Análises sobre a concentração de dióxido de nitrogênio, um dos gases emitidos pelos carros, mostra que, de maio e dezembro, o número ficou acima dos 50 miligramas por metro cúbico (µg/m³). Os dados, inéditos, indicam que o brasiliense ainda respira um ar considerado de boa qualidade, mas o aumento da frota de carros preocupa os especialistas.
Embora Brasília ainda não tenha chegado a níveis preocupantes de poluição, o químico Marcus Porfírio, autor da dissertação sobre o tema apresentada no Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da UnB, acredita que a notícia deve ser recebida com ressalvas.

Segundo ele, a quantidade de dióxido de nitrogênio tende a aumentar, uma vez que o percentual do poluente no ar é consequência direta do aumento no fluxo de carros. Brasília, que tinha 585 mil veículos em 2000, chegou a 1 milhão em 2008. “Quanto maior o tráfego, maior a quantidade de poluição”, diz.

TRANSPORTE PÚBLICO – Uma alternativa para frear o avanço da poluição seria estimular o uso do transporte público, como ônibus, metrô e veículo leve sobre trilhos. “As pessoas acham que os ônibus poluem mais que os carros, mas em termos proporcionais, as emissões são menores”, explica Porfírio.

Outra forma, diz o pesquisador, é obter o compromisso das indústrias de automóvel em favor de tecnologias menos poluentes, como ocorreu com a adoção dos catalisadores, saída encontrada para tornar menos nocivos os gases que saem dos escapamentos.

Os cuidados, mostra a pesquisa, são benéficos à população em vários sentidos. Além de evitar os efeitos diretos do dióxido de nitrogênio na saúde, que incluem irritação nas vias aéreas, congestionamento nasal e dor de cabeça, ajuda a preservar o planeta, uma vez que o poluente é atua no aquecimento global.

As medições foram realizadas durante um ano entre 2007 e 2008 a partir de uma estação do Centro de Formação de Recursos Humanos em Transportes (Ceftru) da UnB na 714 Sul, próximo à avenida W3. O estudo recebeu orientação da professora Yaeko Yamashida.

ESTIAGEM – Os piores índices de poluição foram registrados nos meses de maio e outubro. No primeiro, obteve-se 80 µg/m³. De acordo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o sol esteve presente em 30 dos 31 dias do mês. Já em outubro, que repetiu os índices de poluição de maio, houve 27 dias de sol. Outubro registrou, ainda, a maior concentração diária, de 154,960 µg/m³.

Apesar de elevados, os números estão dentro dos limites estabelecidos pelas resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Segundo o órgão, a média anual pode atingir 100 µg/m³ sem que haja prejuízos para a saúde. Na pesquisa da UnB, a média encontrada foi de 67,193 µg/m³.

A partir dos valores do dióxido de nitrogênio foi possível calcular o Índice de Qualidade do Ar (IQar), de 33,597, que classifica a situação do ar respirado em Brasília como “boa”. A categoria inclui valores até 50.

CHUVA ÁCIDA – Por outro lado, de janeiro a abril, quando houve mais de 20 dias de chuva em cada mês, a quantidade do poluente no ar esteve sempre abaixo de 50 µg/m³, sendo o mínimo diário de 19,019 µg/m³. Esse fato ocorre porque as tempestades minimizam os efeitos da poluição.

“Em um primeiro momento, verifica-se uma diminuição do dióxido na atmosfera, o que é benéfico. No entanto, o ácido nítrico [formado pela reação com a água] é um dos principais componentes da chuva ácida”, diz Marcus Porfírio.
Qualidade do ar afeta expectativa de vida

Estudos feitos no Brasil e no exterior mostram que existe relação entre qualidade do ar e saúde. Um estudo publicado em janeiro de 2008 no New England Journal of Medicine diz que uma pessoa vive mais sete anos se houver um decréscimo de 10 microgramas por m³ de partículas poluentes finas no ar em que respira. Os pesquisadores avaliaram dados populacionais em 51 áreas metropolitanas dos Estados Unidos.

Dados preliminares de um estudo conduzido pela Universidade de São Paulo (USP) indicam que os poluentes emitidos pelos veículos na cidade reduzem em um ano a expectativa de vida dos moradores. A pesquisa é feita no Instituto Nacional de Análise Integrada de Risco Ambiental.

Dificuldade para respirar

Gás de cor castanho-avermelhado, o dióxido de nitrogênio é composto por pequenos átomos, o que facilita seu ingresso nas regiões mais profundas dos pulmões. Inalar a substância pode causar irritação, congestionamento nasal, dor de cabeça e dificuldade para respirar. A poluição atmosférica, quando em grau mais leve, atinge primeiro crianças, recém-nascidos e idosos.

Qualidade do ar na Rodoviária é aceitável

Monitoramentos do Instituto Brasília Ambiental (Ibram) referentes a 2007 mostram que, naquele ano, a qualidade do ar na Rodoviária do Plano Piloto esteve regular para os parâmetros fumaça e partículas totais em suspensão.

O órgão também avalia o ar no centro de Taguatinga, na Fercal e no Centro de Ensino Fundamental Queima Lençol (próximo à DF-205). São analisados três dos sete parâmetros previstos na resolução do Conama que regula o setor. O relatório de 2007 está no endereço http://www.ibram.df.gov.br.
(Envolverde/UnB Agência)

 
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