Morre o criador da “Ecologia Profunda”

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009.

Morre o criador da "Ecologia Profunda”O filósofo norueguês Arne Naess faleceu segunda-feira, aos 96 anos de idade, durante o sono, informou o seu editor.

Militante pacifista e professor mais jovem já contratado pela Universidade de Oslo, quando tinha 27 anos, Arne Naess passou a se dedicar à ecologia no início dos anos 70. Em 1973, elaborou o conceito de Ecologia Profunda, cuja teoria que o homem não tem direito superior à exploração da natureza em relação dos outros seres vivos.

Alpinista, em 1950 fez parte da primeira equipe a alcançar a cúpula do monte Tirich Mir (7.708m), no Paquistão. “A ecologia profunda é um movimento segundo o qual não se deve fazer o bem pela natureza pelo interesse do ser humano, e sim pelo planeta em si”, explicou Naess em uma entrevista publicada no site da Universidade de Oslo.

“Arne era uma pessoa muito aberta, não muito ortodoxa, interessada por todos os temas. Além de ser um filósofo igualmente reconhecido, se tornou um pai espiritual para os noruegueses sobre o modo como concebem suas vidas”, disse terça-feira à AFP seu editor, Erling Kagge, que anunciou a morte do filósofo, ocorrida na segunda-feira, quando dormia.

Nascido na capital norueguesa em 1912, Naess se formou em filosofia em 1933 antes de continuar seus estudos em Paris e Viena. Era casado e tinha dois filhos. Naess preservou sua lucidez e o trabalho até o fim de seus dias, tendo publicado sua última obra em 2006.

Influências

A ecologia profunda de Arne Naess possui influência do pensamento de Thoreau, Rousseau, Aldo Leopold e muitos outros. Pelo lado científico há grande influência de novas descobertas científicas como a teoria da complexidade e a teoria do caos. Baseia-se em novas formas científicas de pensar, conhecidas como pensamento sistêmico. É notável também que diversas sociedades humanas, especialmente indígenas, praticavam uma vida de acordo com este modo de ver e agir a respeito da biosfera.

A jornalista Vera Damiam, membro do Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul, tratou do tema em sua monografia de pós-graduação em Gestão do Meio Ambiente.  Ela cita Fritjof Capra, que explica a Ecologia Profunda: “A ecologia rasa é antropocêntrica, ou centralizada no ser humano. Ela vê os seres humanos como situados acima ou fora da natureza, como a fonte de todos os valores, e atribui apenas um valor instrumental, ou de ‘uso’, à natureza”.

Ainda segundo Capra, “a ecologia profunda não separa seres humanos – ou qualquer outra coisa – do meio ambiente natural. Ela vê o mundo não como uma coleção de objetos isolados, mas como uma rede de fenômenos que estão fundamentalmente interconectados e são interdependentes. A ecologia profunda reconhece o valor intrínseco de todos os seres vivos e concebe os seres humanos apenas como um fio particular na teia da vida.”

Conforme Vera Damian, a distinção entre as duas formas de ecologia é amplamente aceita para se referir aos diferentes pensamentos ambientalistas contemporâneos.

* Com informações do Yahoo.
(Envolverde/Ecoagência)

 
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