Mercado de carbono alcança US$ 118 bilhões em 2008

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009.

Mercado de carbono alcança US$ 118 bilhões em 2008Permissões de emissão da União Européia respondem por 80% deste total, porém as negociações de créditos dos projetos de MDL praticamente dobraram, chegando a US$ 14 bilhões.

As negociações no mercado de carbono mundial chegaram a US$118 bilhões em 2008, um aumento de 84% em relação ao ano anterior, segundo uma análise da consultoria New Carbon Finance divulgada nesta quinta-feira (8).

Ao todo foram transacionadas quatro bilhões de toneladas de permissões de emissão de gases do efeito estufa, o que representa um crescimento de 42% com relação a 2007. Apesar das incertezas econômicas, a consultoria prevê que neste ano os negócios cheguem a US$ 150 bilhões.

As permissões da União Européia (EUAs) continuam dominando o mercado, respondendo por 70% do volume em toneladas de carbono comercializado e 80% em valores.

No entanto, a participação das Reduções Certificadas de Emissão (RCEs) secundárias no mercado, principal instrumento financeiro do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), cresceram vertiginosamente, passando dos 8% em 2007 para 13% no ano passado. Em 2008, estas transações somaram US$ 14 bilhões.  As RCEs secundárias são aquelas vendidas por consultorias, que assumem os riscos e garantem os créditos mesmo que o desenvolvedor do projeto não consiga entregá-los.

Segundo a New Carbon Finance, isto é reflexo do aumento da procura por estes créditos como uma moeda global de carbono elegíveis para o cumprimento das metas do Protocolo de Quioto, do Esquema de Comércio de Emissões da União Européia (EU ETS) e dos esquemas em potencial da Austrália e América do Norte.

Já o mercado de RCEs primárias, adquiridas diretamente de quem desenvolveu o projeto de redução de emissões, teve uma queda de 30% em comparação com 2007, passando de estimados 551 milhões de toneladas (US$ 7,4 bilhões) para 381 milhões de toneladas (US$ 5,8 bilhões).

O quadro resulta da diminuição no número de créditos de carbono aprovados pelas Nações Unidas no ano passado. Em 2007, os novos projetos submetidos ao Quadro Executivo de Mudanças Climáticas da ONU incluíram grandes indústrias de gás (que emitem Hidrofluorcarbonetos e Óxido Nitroso). No ano passado, o número de projetos que aguardavam o aval da instituição era maior, porém a grande maioria era de pequeno porte (principalmente relacionados a energias renováveis e eficiência energética).

Apesar da redução do ritmo em relação aos anos de 2007 e 2008, a previsão para este ano é de uma continuidade no crescimento do mercado, devido principalmente ao aumento da liquidez no mercado de RCEs secundárias, com mais aprovações e melhorias nos registros para transferências destes créditos.

O futuro do MDL também parece mais seguro depois dos comprometimentos de melhorias na transparência e eficiência do mecanismo, firmados durante as negociações climáticas internacionais em Poznan, em dezembro.
(Envolverde/Carbono Brasil)

 
Categorias relacionadas: notícias da semana
Voltar para o topo