A Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa) divulgou esta semana a relação das empresas que comporão a nova carteira do Índice de Sustentabilidade Empresarial, o ISE, indicador composto de ações das empresas com maior grau de comprometimento com sustentabilidade e responsabilidade social. A grande novidade do índice verde que vigora de 1º de dezembro a 30 de novembro de 2009 é a exclusão da Petrobras, que faz parte do indicador desde o seu lançamento, em 2005, e já representou quase um quarto dos ativos da carteira.
O ISE reúne 38 ativos de 30 companhias e 12 setores que somam R$ 372 bilhões em valor de mercado. As organizações foram selecionadas entre 51 empresas que responderam o questionário formulado pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade (GVCes) da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV-EAESP), enviado este ano a 137 companhias responsáveis pelas 150 ações de maior liquidez da BM&FBovespa.
A Bolsa de Valores não divulga os motivos da exclusão de uma empresa. Limita-se a informar que, além da Petrobras, outras cinco companhias não integram mais o ISE. São elas Aracruz, CCR Rodovias, Copel, Iochpe-Maxion e WEG. Em seu lugar, foram incorporados ao índice os ativos da Celesc, da Duratex, da Odontoprev, da TIM, da Telemar e do Unibanco.
De acordo com a Bovespa, entre os critérios de exclusão do índice verde pode estar “algum fato novo que altere significativamente os níveis de sustentabilidade e responsabilidade social da empresa”. De acordo com Oded Grajew, um dos fundadores do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social e do Movimento Nossa São Paulo, a saída da Petrobras do índice da Bovespa se deve realmente à pressão da sociedade organizada.
Em um artigo disponível na página eletrônica do Movimento Nossa São Paulo, Grajew argumenta que a saída da Petrobras do ISE se explica pelo “não-cumprimento, por parte da empresa, da resolução 315/2002 do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente), que determina a redução do teor de enxofre no diesel comercializado no Brasil a partir de janeiro de 2009″.
A pendenga diz respeito ao atraso de três anos no cronograma da Petrobras e das montadoras de veículos em oferecer aos carros nacionais o mesmo óleo diesel com baixo teor de poluente que já é vendido para exportação. E que, segundo Grajew, poderia evitar a “morte prematura de 10 mil pessoas por ano em razão das doenças respiratórias provocadas pelo alto teor de enxofre no diesel comercializado pela Petrobras”.
Em seu artigo na internet, Grajew afirma que, no dia 6 de novembro, o Conselho do ISE recebeu uma carta com o pedido de exclusão da Petrobras assinada por onze entidades que vão desde a Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo e a de Minas Gerais, até o Fórum Paulista de Mudanças Climáticas Globais e de Biodiversidade, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC) e organizações como SOS Mata Atlântica, Greenpeace e Amigos da Terra.
De acordo com o empresário, oito das nove instituições que compõem o Conselho do Índice de Sustentabilidade Empresarial votaram a favor do pedido de exclusão da Petrobras. “Essa notícia não nos alegra. Muito pelo contrário. Lamentamos que a postura arrogante e prepotente da atual direção da Petrobras, menosprezando o diálogo com a sociedade e insensível a um problema tão grave de saúde pública, manche de forma tão profunda a história de uma empresa brasileira que já deu tanto orgulho a todos nós por sua excelência tecnológica (mas que atualmente distribui combustíveis que se situam qualitativamente entre os piores do mundo) e seu compromisso com o desenvolvimento econômico e social do país”, conclui Oded Grajew.
A Agência Petrobras de Notícias respondeu apenas que a companhia pediu esclarecimentos ao Conselho Deliberativo do ISE sobre os motivos que levaram à decisão e que só se pronunciará após receber a resposta oficial. Em nota, a empresa se comprometeu a fornecer o diesel S-50 (com menor teor de enxofre) já a partir de janeiro de 2009.
O Índice de Sustentabilidade Empresarial da Bovespa reflete o retorno de uma carteira composta por ações de empresas com os melhores desempenhos em todas as dimensões que medem sustentabilidade empresarial. Foi criado para se tornar marca de referência para o investimento socialmente responsável e também para ser um indutor de boas práticas no meio empresarial brasileiro.
Ele é calculado pela Bovespa em tempo real ao longo do pregão, considerando os preços dos últimos negócios efetuados no mercado à vista. As ações integrantes do ISE são selecionadas entre as mais negociadas na Bovespa em termos de liquidez e ponderadas na carteira pelo valor de mercado dos ativos disponíveis à negociação. A seguir, as empresas que compõem a nova carteira:
- AES TIETE
- DURATEX
- ODONTOPREV
- BRADESCO
- ELETROBRAS
- PERDIGAO S/A
- BANCO DO BRASIL
- ELETROPAULO
- SABESP
- BRASKEM
- EMBRAER
- SADIA S/A
- CELESC
- ENERGIAS BR
- SUZANO PAPEL
- CEMIG
- GERDAU
- TELEMAR
- CESP
- GERDAU MET
- TIM PART S/A
- COELCE
- ITAUBANCO
- TRACTEBEL
- CPFL ENERGIA
- LIGHT S/A
- UNIBANCO
- DASA
- NATURA
- V C P
