Muito além do limite

quinta-feira, 30 de outubro de 2008.

A humanidade já usa um terço a mais dos recursos que a Terra poderia oferecer. E se o atual estilo de vida se mantiver inalterado por mais uma geração, serão precisos dois planetas para dar conta das nossas necessidades.

Essa é a principal conclusão do relatório Planeta Vivo 2008, uma publicação bianual da rede WWF. A entidade com sede na Suíça e conhecida como Fundo Mundial para a Natureza mostra no documento que, caso o modelo atual de consumo e degradação ambiental se mantenha como está, os recursos naturais podem entrar em colapso a partir de 2030, quando seriam precisos dois planetas para atender a demanda por serviços ecológicos.

Produzido junto com a Sociedade Zoológica de Londres, o relatório usa dados de 2005 para calcular a pegada ecológica de cada habitante do planeta. Nessa soma estão a área agrícola e a florestal necessárias para se produzir comida, fibras e madeira, além dos oceanos e rios que fornecem pescado, e a porção da biosfera que absorve resíduos como o gás carbônico e fornece espaço para a infra-estrutura das cidades.

De acordo com o estudo, hoje cada ser humano necessita em média de 2,7 hectares de terra biologicamente produtiva para sobreviver. A pegada ecológica dos brasileiros é um pouco menor, de 2,4 hectares por pessoa. Ainda assim, está abaixo da capacidade da Terra, que possui 2,1 hectares de área biologicamente produtiva disponível para cada habitante.

Nos últimos 45 anos, a pegada ecológica da humanidade mais do que dobrou, segundo o relatório do WWF.  Mas foi no final dos anos 1980 que a humanidade passou a retirar da natureza mais do que ela poderia dar conta de oferecer. Hoje mais de três quartos da população mundial vivem em países com débito ambiental.

Uma das constatações do documento é de que o consumo exagerado do capital natural coloca em perigo a futura prosperidade do mundo, gerando impactos econômicos como a elevação do preço dos alimentos, da água e da energia.

Segundo especialistas da Sociedade Zoológica de Londres, as dramáticas perdas ecológicas resultantes da poluição, do desmatamento, da pesca predatória e da utilização comercial de terras exerceram também um grave impacto sobre os recursos naturais.

Os Estados Unidos e a China são atualmente os países mais destruidores do meio ambiente, segundo o WWF. Somados, eles consomem 21% da capacidade biológica do planeta. Os americanos e os australianos, que vêm logo a seguir, são os que mais destroem os recursos naturais, seguidos pelos Emirados Árabes Unidos, pelo Kuwait, e pela Dinamarca. Os países que menos destroem são Bangladesh, Congo, Haiti, Afeganistão e Malauí.

Um dos termômetros do estado de saúde dos ecossistemas, a perda de espécies de fauna é um problema bem mais acentuado nos países em desenvolvimento. Enquanto no período entre 1970 e 2005 houve aumento de 6% nas populações de vertebrados nas zonas temperadas, nas regiões de florestas tropicais houve um declínio de 51% no número de espécies.

 
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