Esforço compensado

quinta-feira, 16 de outubro de 2008.

Os institutos Baleia Jubarte e Chico Mendes deram partida a um dos maiores levantamentos aéreos de cetáceos realizados no mundo.

A bordo de um avião bimotor, os pesquisadores devem percorrer o litoral desde Natal, no Rio Grande do Norte, até São Paulo, para elaborar um censo aéreo de baleias da espécie jubarte, um dos cartões postais do país. Durante os sobrevôos, poderão ser observadas outras espécies de grandes baleias como a franca, a minke, a sei e de golfinhos como o fliper, a toninha e os botos cinza.

Com a proposta de aumentar o conhecimento e permitir uma gestão mais adequada da zona costeira e marinha brasileira, o estudo comandado pelos dois institutos é o segundo a atingir uma área tão extensa no país. O primeiro levantamento desse tipo foi realizado em 2005 e um de seus resultados foi a confirmação de que o banco dos Abrolhos é a principal concentração reprodutiva da espécie em todo o Atlântico Sul Ocidental.

Além de Abrolhos, foram observadas as maiores densidades da espécie no litoral norte da Bahia, em Sergipe e no Rio de Janeiro. Na bacia de Campos, as baleias foram vistas quase sempre sobre a plataforma continental, entre a costa e as plataformas de petróleo.

Outra informação relevante para o conhecimento da espécie e o estabelecimento de ações de conservação de médio e longo prazo é o tamanho da população desses animais no litoral brasileiro. Os estudos revelaram que cerca de 6500 baleias se reproduzem em águas brasileiras. Os trabalhos de conservação têm garantido à espécie em anos recentes tranqüilidade para reproduzir e amamentar seus filhotes.

A partir desta base de dados preexistente e do conhecimento de que as populações de jubarte do Brasil e de outras regiões do globo experimentam um momento de recuperação e de ocupação de antigas áreas de ocorrência, surgiu uma nova pergunta: qual a importância da região costeira ao norte e ao sul da concentração reprodutiva identificada na Bahia e Espírito Santo?

O novo estudo vai buscar novas respostas para perguntas como essa. Sua proposta é avaliar a forma e o ritmo com que as baleias estão repovoando as águas brasileiras, qual o número atual de animais, os locais de concentração de fêmeas com filhotes, e onde os esforços de conservação precisam ser intensificados.

De acordo com o Instituto Baleia Jubarte, o levantamento será útil também para avaliar a interação da população com as frotas pesqueiras, as rotas de embarcações comerciais e as plataformas de petróleo.

Na lista mais recente de espécies ameaçadas publicada pela IUCN (União Internacional pela Conservação da Natureza, na sigla em inglês), a baleia jubarte saiu da categoria “Vulnerável” para “Baixo Risco de Extinção”, devido principalmente à recuperação da espécie em função da proibição da caça comercial e à ação incisiva dos projetos conservacionistas.

Ainda não se sabe o quanto a população de baleias jubarte brasileiras se recuperou desde o fim da caça comercial, quando a espécie foi reduzida a menos de 5% da população original. No ano de 2005, o Instituto Baleia Jubarte estimou que cerca de 6250 animais se reproduziram no Brasil, cerca de 27% da população anterior ao período da caça. A expectativa é de que esses números sejam mais expressivos em 2008.

O estudo percorrerá praticamente toda a área de ocorrência da espécie no Brasil e oferecerá subsídios para elaboração de um grande mapa da baleia jubarte, uma ferramenta valiosa e essencial para o estabelecimento de ações de conservação eficientes e de longo prazo.

 
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