A eleição americana e o futuro do planeta

quinta-feira, 25 de setembro de 2008.

Qualquer que seja o vencedor da próxima eleição presidencial dos Estados Unidos, quem assumir no dia 20 de janeiro de 2009 vai herdar uma lista de desafios consideráveis. E terá um papel vital na forma de os americanos e o mundo lidarem com as mudanças climáticas.
Para marcar as diferenças entre os dois candidatos à presidência americana – Barack Obama e John McCain – a revista científica britânica Nature divulgou esta semana um detalhado relatório para revelar o que Democratas e Republicanos pensam sobre o aquecimento global e o futuro da energia.
Os Estados Unidos buscam recuperar seu papel de negociador relevante nas conferências internacionais sobre o clima. O tempo é crucial para isso, já que o próximo encontro mundial, marcado para dezembro de 2009, em Copenhagen, na Dinamarca, é o prazo final para a negociação do sucessor do Protocolo de Kyoto – que toma como parâmetro as emissões de gases de efeito estufa de 1990 e propõe uma redução média de 5,2% até o ano de 2012.

Ao assumir a Presidência dos Estados Unidos, além das questões nacionais, Obama ou McCain também enfrentará um dilema interno na questão do clima. Terá de colocar em prática a legislação climática e tornar uma prioridade a redução americana de gases que agravam o efeito estufa.

Alguns especialistas consultados pela publicação científica britânica apostam que o mais provável é que o sistema americano siga o modelo de reduzir as emissões por intermédio de incentivo econômico para quem limitar suas emissões, de forma a poder negociar os créditos restantes.

A seguir, um retrato dos candidatos à Presidência dos Estados Unidos.

Republicanos

O senador John McCain está liderando a causa das mudanças climáticas antes mesmo de ela se tornar um assunto central no Partido Republicano. Ele promoveu a primeira emenda no Senado defendendo uma redução compulsória das emissões de gases de efeito estufa.

Antes contrário à exploração petrolífera em águas profundas, o senador que fez das mudanças climáticas uma de suas bandeiras mudou de idéia, sob pressão do aumento recorde dos preços do barril de petróleo. Agora McCain defende agressivamente a expansão e a produção doméstica de petróleo e gás.

A indicação da governadora do Alasca, Sarah Palin, como vice-presidente traz uma mensagem ambígua quando se trata de clima e energia. Em entrevistas recentes, Palin questionou publicamente se o aquecimento global era mesmo resultado da influência das ações humanas e transformou a exploração petrolífera em áreas intocadas do Alasca em uma de suas plataformas políticas.

Democratas

O senador Barack Obama assume uma postura rígida quando se trata das políticas de clima e energia. Ele defende a proposta de, até 2050, reduzir em 80% as emissões de gases de efeito estufa em relação aos índices de 1990.

Inicialmente favorável à moratória federal contra a exploração de petróleo em águas profundas, Obama recentemente mudou de opinião, concordando com um pacote que permite perfuração limitada em alto-mar.

Em janeiro, Obama foi duramente criticado pelos ambientalistas por defender a produção de carvão. Seu vice-presidente, Joe Biden, é um advogado com grande influência na área de mudanças climáticas. Ele foi o único senador a votar contra uma resolução de 1997 que propunha que os Estados Unidos não deveriam ser obrigados a reduzir suas emissões se países em desenvolvimento não fossem igualmente responsabilizados.

Gases de efeito estufa

Obama defende uma redução de 80% em 2050 e que se volte aos níveis de 1990 por volta de 2020.
McCain tem como meta reduzir as emissões aos níveis de 1990 até 2020 e chegar a 60% de queda em 2050.

Energia

Obama concorda com o ex-vice-presidente americano Al Gore de que os setores público e privado devem investir em energia renovável. Ele defende que até 2025, esta fonte represente 25% do portfólio americano e propõe incentivos para estimular a busca da eficiência energética.

McCain defende a exploração americana de petróleo e de gás e mudou para o lado dos defensores da perfuração num refúgio de vida animal numa região do Ártico, no nordeste do Alasca. Ele ainda propõe a construção de 45 novas usinas nucleares até 2030 e argumenta sua escolha no fato de que a energia nuclear não emite gases de efeito estufa.

 
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