Crise de Wall Street ainda não afeta mercado de carbono

quinta-feira, 18 de setembro de 2008.

Por Paula Scheidt, do CarbonoBrasil

A crise financeira que abalou o mercado mundial no início desta semana deu uma pequena rasteira nos preços dos créditos de carbono do esquema de comércio europeu, porém os especialistas insistem que o mercado de carbono permanecerá relativamente bem protegido.

O motivo da baixa no preço das permissões européias (EUAs), que são negociadas no esquema de comércio de emissões da União Européia, foi na verdade a queda no valor do petróleo para US$91,54 o barril, influenciada pela crise de Wall Street. As EUAs caíram de pouco mais de €25 do final de agosto para €23 ontem.

“A crise subprime americana ainda não está afetando o mercado de carbono. Isso poderia até acontecer no caso de um maior agravamento dessa crise, porém a relação não é tão direta”, afirma o sócio e diretor comercial da Mundus Carbo, Felipe Bittencourt, que desenvolve projetos de créditos de carbono e inventário de emissões de gases do efeito estufa no Brasil.

Bittencourt lembra que, atualmente, os principais agentes financeiros no mercado de carbono são europeus e não americanos. Por isso, é difícil prever o quanto a crise imobiliária americana poderia afetar fundos europeus que investem em créditos de carbono, normalmente vindos de projetos do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL).

“Vale ressaltar que a maioria desses fundos europeus já possui montantes financeiros garantidos para a obtenção de créditos de carbono e investimentos em geração de energia renovável, principalmente em países em desenvolvimento como o Brasil”, afirma.

Segundo Bittencourt, a relação entre crises financeiras e o mercado de emissões de carbono poderá se tornar mais relevante com uma possível inclusão dos Estados Unidos em um acordo climático que substituirá o Protocolo de Quioto, depois de 2012. “Quanto maior for a crise, maior é a tendência de os EUA negociarem metas de redução de emissão menores, tornando o futuro mercado menor do que seu real potencial”, explica.

Investimentos em renováveis

Apesar dos abalos na economia mundial, a crise imobiliária norte-americana teve reflexos positivos no setor de energias renováveis. “Se olharmos os investimentos em renováveis desde o início da crise do subprime, na verdade houve um aumento nos investimentos em renováveis no mundo, especialmente no Brasil”, ressalta o analista brasileiro Camilo Terranova, responsável pela pesquisa na América Latina para a New Carbon Finance.

O impacto negativo, segundo Terranova, recai sobre as ações das empresas de energias renováveis, como acontece em praticamente todos os setores nas bolsas do mundo.

O analista prevê que o capital siga em direção aos investimentos mais rentáveis e, neste caso, as renováveis no Brasil poderiam ser uma oportunidade. “Depois da crise dessa semana, é difícil saber, mas, como vimos no início da crise, poderia ser”, comenta.

Terranova lembra que existe muito interesse em ambos os mercados (renováveis e carbono) no Brasil. “Há vários fundos de private equity estrangeiros interessados na América Latina e, em particular, no Brasil. Além disso, há também linhas de crédito dentro do próprio país”, afirmou.
(Envolverde/Carbono Brasil)

 
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