A marcha cada vez menor dos pingüins é um sinal de que os oceanos estão em perigo. Uma recente pesquisa mostra que suas populações adoecem por conta de uma combinação de fatores que inclui o aquecimento global, os derramamentos de óleo, a pesca predatória, o turismo e o modelo de desenvolvimento econômico atual.
O biólogo P. Dee Boersma, da Universidade de Washington, detalhou problemas específicos que ocorrem com as várias espécies de pingüins, ligando seu declínio à saúde geral dos oceanos do Sul. O estudo do cientista americano foi publicado na edição de julho do periódico Bioscience.
Os cientistas estimam que existam de 16 a 19 espécies de pingüins no mundo. E de acordo com o biólogo Boersma, cerca de doze delas estão sob risco. A União Internacional pela Conservação da Natureza (IUCN) lista três espécies como ameaçadas de extinção e sete como vulneráveis, o que significa que os pingüins estão “enfrentando alto risco de extinção no meio silvestre”, e duas mais como “próximas da ameaça.” Cerca de 15 anos atrás, apenas de cinco a sete espécies eram consideradas vulneráveis, segundo os especialistas.
Algumas entidades ambientalistas discutem a necessidade de acrescentar mais espécies entre as ameaçadas de desaparecer da Terra. A maior colônia de pingüins patagônios do mundo fica em Punta Tumbo, na Argentina, mas o número de pares reprodutores caiu pela metade desde a década de 1960, passando de 400 mil para 200 mil, segundo o biólogo americano. Em um século, os pingüins africanos diminuíram de 1,5 milhões de pares reprodutores para apenas 63 mil.
Para os pingüins que adoram o gelo, o aquecimento global na península Antártida é um problema, tornando difícil achar comida, por exemplo. Para aqueles que vivem em Galápagos, o El Niño é um problema, pois as águas mais quentes os obrigam a viajar mais longe para conseguir comida, muitas vezes abandonando seus filhotes. Ao final do El Niño recorde de 1998, pingüins fêmeas tinham apenas 80% de seu peso normal.
Os derramamentos constantes de óleo no mar mancham as águas onde vivem os pingüins no Uruguai, Argentina e Brasil e têm contribuído para os declínios de Punta Tumbo, disse o pesquisador.
