Um novo estudo britânico revelou que as mudanças na temperatura da superfície do mar podem ter papel fundamental na perda da Amazônia na segunda metade deste século. A pesquisa conduzida pelo cientista Phil Harris, do Centre for Ecology and Hydrology, do Reino Unido, usou os componentes da atmosfera para traçar um modelo climático capaz de determinar as mudanças na temperatura do mar por volta de 2100.
A conclusão: se a temperatura das águas nos oceanos Atlântico e Pacífico mudassem simultaneamente até o ano de 2059, o ritmo de chuvas na bacia amazônica seria reduzido em mais de 20%, em média, aponta o estudo. Ao mesmo tempo, as chuvas da Amazônia podem diminuir em até 48% entre os meses de maio e outubro, período que coincide com a temporada de monções na América do Sul.
Os autores da pesquisa britânica mostram ainda que as variações no regime de chuvas, projetadas para a maior floresta tropical do mundo, são influenciadas por uma série de fatores. Ainda assim, a temperatura da superfície do mar entre os oceanos Pacífico e Atlântico são o principal gatilho para um cenário com mais aquecimento.
As baixas no ritmo de chuvas podem ter impacto também sobre a capacidade de absorção de carbono da Amazônia em cerca de 30%. Com isso, apontam os cientistas, podem surgir efeitos sociais, econômicos e biológicos críticos, deixando o ecossistema amazônico insustentável.
