Os biocombustíveis serão o tema central das discussões do Fórum Global de Energias Renováveis, de acordo com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. Ao abrir o evento, realizado pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Onudi), em parceria com a Eletrobrás, neste domingo (18), em Foz do Iguaçu, o ministro disse que os biocombustíveis não prejudicarão a produção de alimentos no país.
“Esta reunião vai tratar preponderantemente de biocombustível. Este é o tema central”, ressaltou Edison Lobão. O ministro fez uma retrospectiva sobre o conhecimento acumulado desde a década de 70, pelo Brasil, com o álcool combustível, até chegar à atual política energética e aos biocombustíveis. Lobão saiu em defesa do Brasil e rebateu as críticas feitas pela comunidade européia pelo estímulo à produção do biocombustível no mundo.
“Nos acusam de estar beneficiando o biocombustível e prejudicando a produção de alimentos. Esta acusação não nos cabe. O aumento do preço dos alimentos se deve à alta do petróleo e, conseqüentemente, dos fertilizantes derivados dele”, defendeu Lobão.
Segundo o ministro, o governo federal jamais privilegiaria a energia elétrica em detrimento dos alimentos. “O alimento é fundamental para a humanidade e para a exportação. Não temos problema de espaço e de terras para plantar. Estamos produzindo hoje 140 milhões de toneladas de grãos, sendo que há cinco anos produzíamos 80 milhões”, esclareceu.
Sobre o desempenho do país no desenvolvimento de energias sustentáveis, Lobão antecipou propostas de construção de plataformas marítimas, voltadas à geração de energia eólica, e colocou o Brasil como um modelo. “Temos a maior matriz energética de fontes renováveis do mundo, totalizando 46%, enquanto o restante do planeta produz 13%”, lembrou o ministro. “O Brasil é um país que tem destino. Não temos ciúmes de nossas descobertas e queremos compartilhá-las com o restante do mundo. Somos um país aberto, cristão e solidário”, finalizou.
Edison Lobão falou ainda sobre a integração energética na América Latina, o novo direcionamento da Eletrobrás, as dificuldades em levar energia a regiões isoladas e sobre a universalização da energia elétrica com o programa ‘Luz Para Todos’.
Participação internacional – Aproximadamente 1,5 mil pessoas compareceram à abertura do Fórum Global de Energias Renováveis. Entre os presentes, representantes de 50 países, autoridades, especialistas e representantes do setor elétrico. O encontro tem como objetivo discutir fontes de energia limpa como substitutos aos combustíveis fósseis, cuja disponibilidade é esgotável.
O diretor-geral da Onudi, Kandeh Yumkella, defendeu que as energias renováveis devem estar presentes nas discussões do mundo moderno. “A nossa esperança é que os países em crescimento invistam cada vez mais em energias renováveis”, declarou.
Ele contou que a escolha de Foz do Iguaçu para sediar o Fórum aconteceu devido ao trabalho para geração de bioenergia que a Itaipu Binacional está desenvolvendo, de maneira integrada com pequenos produtores da região. “É uma visão de futuro e a parceria com o Brasil vai crescer nestes setores”, disse Kandeh, referindo-se às energias renováveis e ao agronegócio.
Para o diretor-geral da Onudi é preciso estudar formas de reduzir o custo das tecnologias para produção de energia limpa, permitindo o acesso da população. “Sabemos que muitas destas soluções como, por exemplo, os financiamentos de micro-crédito, estão no Brasil”, mencionou.
Necessidade – O presidente da Itaipu Binacional, Jorge Samek, chamou a atenção do público para a urgente necessidade de proteção do meio ambiente, aliada ao desenvolvimento de novas fontes de energia. “Temos de crescer, desenvolver, e isso não vai acontecer sem a produção de energia. Nós, da Itaipu, temos muito que mostrar do ponto de vista de energia renovável. Em 2007, 91% do consumo de energia elétrica no Brasil teve origem hídrica e a Itaipu está trabalhando para ampliar a sua matriz no que se refere a energia limpa”, destacou Samek.
Ele citou a Plataforma Itaipu de Energias Renováveis, que procura gerar valor econômico à energia produzida pelas próprias fontes consumidoras. “Existem muitas oportunidades para ampliar a participação das energias renováveis no mercado e este Fórum será um observatório para todos os países que tiverem interesse”, reforçou Samek.
Já o presidente da Eletrobrás, José Antonio Muniz Lopez, garantiu que o excedente de energia renovável gerada pelos estados pode retornar para a rede de baixa tensão – Sistema de Geração Distribuída.
A realização do Fórum Global de Energias Renováveis foi proposta durante um encontro ministerial ibero-americano sobre segurança energética, realizado em setembro de 2006, em Montevidéu. Na ocasião, foi assinada uma declaração destacando a necessidade de aumentar a oferta e a utilização da energia renovável na América Latina e no Caribe. Ao final do encontro, que prossegue em Foz do Iguaçu até a próxima quarta-feira (21), será produzido um relatório resumindo os temas importantes que foram debatidos e as conclusões das mesas redondas.
(Envolverde/Governo do Estado do Paraná )

