Meio ambiente em alerta

sexta-feira, 16 de maio de 2008.

Meio ambiente em alertaPor: Darlene Menconi

Difícil escapar de falar sobre outra coisa nesta semana que não a queda do ícone Marina Silva. A saída da ex-ministra do Meio Ambiente simboliza o fim de um ciclo, como definiu a própria ambientalista acreana. É muito mais do que uma simples troca de cadeiras.

A demissão da ex-seringueira e companheira de luta de Chico Mendes na preservação da Amazônia representa uma perda para todo o governo Lula. Até seus muitos adversários, dentro e fora do governo, reconhecem a firmeza de Marina na defesa do patrimônio natural do país.

Com grande prestígio internacional, a ex-ministra representa um símbolo na luta pela preservação da maior floresta tropical do planeta. A militante acreana volta a seu posto no Senado com uma coleção de conquistas. Definiu 240 mil quilômetros quadrados de novas unidades de conservação federal, reduziu em 60% as taxas de desmatamento ao longo de três anos e criou o Serviço Florestal Brasileiro para promover a silvicultura de baixo impacto.

Mario Monzoni, coordenador do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (FGV),comenta que a saída de Marina Silva consolida a visão de que o governo levará a efeito uma política “desenvolvimentista a qualquer preço”.

Logo depois de entregar o cargo de ministra, a senadora Marina mandou uma carta de despedida para os funcionários do ministério, da Agência Nacional de Águas (ANA), do Serviço Florestal Brasileiro e dos institutos Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), das Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ) e Chico Mendes.

Num texto de duas páginas, Marina comunica que tinha entregue a carta de demissão ao presidente Lula, agradece a colaboração dos funcionários e afirma que estava “fechando um ciclo, no qual enfrentamos muitas dificuldades, mas colhemos resultados gratificantes”.

No texto, ela reconhece que houve “erros, acertos e muito aprendizado” durante sua gestão. Mas afirma acreditar que cumpriu a missão a que se propôs quando assumiu a pasta, em 2003. “Com erros, acertos e muito aprendizado, acredito que conseguimos nos guiar pelas quatro diretrizes traçadas quando aqui chegamos: a busca do desenvolvimento sustentável, do controle e participação social, do fortalecimento do Sisnama (Sistema Nacional do Meio Ambiente) e da política ambiental integrada pela prática da transversalidade”, diz a carta.

Quem deu a melhor definição sobre o que representa a saída de Marina Silva para o movimento ambiental foi a chanceler alemã Ângela Merkel. Em visita oficial ao país, a chanceler comentou em seu encontro com o presidente Lula que a saída de Marina Silva representava um “sinal de alerta” para quem se preocupa com a devastação da Amazônia. A maior floresta tropical do planeta, aliás, foi o pomo da discórdia entre os desenvolvimentistas do governo, liderados pelo próprio Lula, pela ministra Dilma Rousseff e pelo ministro Reinhold Stephanes, da Agricultura e por Marina Silva e seus seguidores, do outro lado da berlinda.

Depois de três anos sucessivos de redução na taxa de desmatamento, recentemente o Brasil testemunhou o aumento na derrubada. Para conter a devastação, Marina conseguiu que o governo federal embargasse o desmate em 36 municípios. Outra de suas vitórias foi a exigência de critérios ambientais no financiamento agrícola. A grande derrota da ministra, e a razão anunciada para sua saída foi a nomeação de Mangabeira Unger para liderar o Programa Amazônia Sustentável (PAS). Sinalização mais do que clara de que o desmatamento deve aumentar em 2008.

 
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