O preço da mudança climática

terça-feira, 18 de março de 2008.

O preço da mudança climáticaAdotar o conjunto de medidas necessário para controlar as mudanças climáticas e as conseqüências ambientais que esse processo traz para o planeta tem um preço. Segundo o relatório anual sobre as perspectivas do meio ambiente produzido pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) , custaria um pouco mais de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) do mundo de 2005 até 2030. Nesse mesmo período, estima-se que o crescimento econômico global seja de 97%.

Além do cálculo do custo do clima, o clube que reúne as nações mais desenvolvidas do planeta insiste na participação e no esforço de todos os países, dada a dimensão do tema. Para chegar a esses cálculos, a OCDE propõe medidas que incluem impostos ecológicos, tarifação da água, autorização para emissão, punição para quem contamina, regulamentação sobre os resíduos gerados, eliminação de subsídios a combustíveis fósseis e normas mais rígidas sobre eficiência energética nos transportes e nos edifícios e casas.

Com esse conjunto de iniciativas, seria possível reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 12% até 2030, diz o relatório. Se não houver nenhuma ação nesse sentido, espera-se que a emissão subiria 52% até 2050. Na realidade, a organização adverte que se não houver ações, as conseqüências serão muito mais graves.

As mais evidentes seriam o aumento da temperatura média global de entre 1,7º C a 2,4º C em meados do século, comparado com a era pré-industrial, além de uma redução “considerável” da biodiversidade, um agravamento da escassez de água que afetaria 3,9 bilhões de pessoas, ou um bilhão a mais do que hoje, além de um aumento na contaminação atmosférica, com risco de mortalidade.

Os autores do relatório da OCDE alertam que quanto mais tarde forem aplicadas as medidas, mais custosa fica sua remediação. A OCDE reconhece que agora são os países desenvolvidos os principais emissores de gases causadores do aquecimento climático, mas alerta que o rápido crescimento de economias emergentes também agrava esse processo. E aí são citados em particular o Brasil, a Rússia, a Índia e a China, que devem gerar mais CO2 do que os trinta membros da OCDE reunidos, por volta de 2030. Por isso, dizem os autores do estudo, é preciso promover uma “divisão eqüitativa dos encargos” para aplacar as mudanças do clima porque os efeitos serão “tão importantes como o progresso tecnológico e a eleição dos instrumentos de ação”.

A recomendação da organização dos países mais desenvolvidos do planeta indica que será necessário que cada país modifique a estrutura de sua economia para garantir um futuro mais ecológico e mais sustentável e emitir pouco dióxido de carbono. Essa transição, garante a OCDE, terá que ser feita com cuidado, levando em conta os impactos sociais e as repercussões sobre a “competitividade entre as nações e tirando proveito de novas oportunidades”.

Sobretudo, diz o relatório do clube das nações mais poderosas do mundo, é preciso decidir agora quem vai pagar a conta dessas ações todas. Porque, afinal, as soluções aos grandes problemas ambientais existem, são aplicáveis e viáveis. Como diz o ditado popular, quase tudo na vida é uma questão de dinheiro, basta acertar o valor.

 
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