Legisladores do G8+5 reúnem-se, nesta quarta (20) e quinta-feira (21), em Brasília, para avaliar uma proposta de estratégia sobre as mudanças climáticas após 2012, quando o se encerra o Protocolo de Kyoto. O encontro vai contar com a participação de líderes do setor florestal, que clamam por mudanças no gerenciamento das florestas tropicais.Ainda essa semana, ministros do meio ambiente de diversos países encontram-se em Mônaco para discutir mobilização para mudança climática e governança ambiental. Na Holanda, um centro de pesquisa acaba de anunciar uma ferramenta de informação que promete facilitar as negociações de um acordo pós-2012.
Essas são algumas das iniciativas que os governos e a iniciativa privada vêm tomando para demonstrar a preocupação com o futuro climático do planeta.
Em dezembro, autoridades mundiais saíram do encontro de Bali, na Indonésia, com a promessa de preparar um novo acordo para substituir Kyoto até 2009. A reunião do G8 – as oitos maiores potencias econômicas do mundo – que ocorre em julho, no Japão, promete ser um momento decisivo para as negociações do novo tratado.
Por isso, os países já vêm discutindo propostas que deverão ser apresentadas no encontro. Em Brasília, esta semana, legisladores do G8+5, que inclui África do Sul, Brasil, China, Índia e México, avaliarão politicamente uma estratégia elaborada pela Globe (Organização Mundial de Legisladores para um Meio Mabiente Equilibrado) – instituição que vem promovendo esse debate em vários países e traz pela primeira vez o encontro para uma nação que não está entre as mais ricas do mundo.
Os mais de cem participantes buscarão um consenso acerca das táticas para lidar com as mudanças climáticas e políticas de apoio, abrangendo biocombustíveis e mecanismos de mercado. Haverá uma sessão especial sobre transferência de tecnologia e uma apresentação da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, sobre questões florestais, na qual ela pretende estabelecer um entendimento sobre medidas específicas de combate ao desmatamento.
Os executivos-sêniors de mais de 15 empresas que cultivam florestas e de organizações de todo o mundo também irão apresentar a posição do setor sobre o gerenciamento de florestas tropicais. Antes de viajarem para o encontro no Brasil, no entanto, os líderes já haviam anunciado a sua visão sobre assunto: desejam mudanças radicais no modo como a atividade é realizada atualmente.
“Como representantes de empresas que dependem da integridade das florestas, nós entendemos e reconhecemos os problemas causados pelo desmatamento e degradação nos países tropicais”, afirma Andres Gut, presidente da Precious Woods – uma das maiores produtoras de madeira no Brasil e na África do Sul. “Acreditamos realmente que a produção de madeira tropical é uma atividade econômica vital, mas somente quando conduzida em bases sustentáveis e devidamente certificada”, ressalta.
Estima-se que mais de 15 bilhões de dólares sejam gastos por ano no mundo em desenvolvimento para se lidar com práticas ilegais no setor madeireiro.
“Governos, legisladores, empresas de florestamento, atores locais e consumidores de produtos e serviços florestais precisam atuar em conjunto para garantir a integridade de longo prazo das florestas tropicais”, afirma Simon Fineman, presidente da Timbmet, maior importadora de madeira do Reino Unido.
Se os legisladores saírem da reunião de Brasília com um acordo firmado sobre os temas debatidos, a estratégia da Globe será formalmente apresentada aos líderes do G8 na reunião de cúpula em julho.
(Envolverde/Carbono Brasil)
