“A percepção das pessoas sobre a importância da preservação dos solos para a manutenção dos ecossistemas terrestres e da própria qualidade de vida da sociedade é vaga”. O alerta é do professor Antonio Carlos Azevedo, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP. Desde abril do ano passado, Azevedo coordena o Solo na Escola, iniciativa que divulga a ciência do solo para alunos de ensino fundamental e médio. “O solo transforma matérial orgânico em nutrientes para plantas, retém substâncias tóxicas e faz a sustentação da grande maioria das obras urbanas”, diz o docente.O Solo na Escola surgiu em novembro de 2006, por iniciativa dos professores Pablo Vidal Torrado e Jairo Mazza. Seu coração é a Estação, uma antiga estufa com 150 metros quadrados de área, que era usada em experiências com plantas e foi reformada pelo Departamento de Ciências do Solo, com apoio da Comissão de Cultura e Extensão e da diretoria da Esalq. “O teto foi trocado mas as paredes envidraçadas foram mantidas, o que dá uma boa visibilidade à Casa”, comenta Azevedo.
No local, há uma série de demonstrações estáticas, dinâmicas e interativas sobre formação de solos, processos biológicos, erosão, comparação do comportamento dos solos com e sem cobertura vegetal, efeito de adubos e compactação. “Os visitantes são convidados a descobrirem a textura do solo umedecido, utilizando o tato para perceber se as amostras são mais ou menos arenosas”, explica o professor. Para as crianças, há a atividade Pintando com o Solo, na qual as tintas são solos de colorações variadas. “São cerca de 40 cores diferentes”.
Aberta para visitação desde abril do ano passado, a Estação do Solo na Escola já recebeu mais de 700 alunos de 20 escolas, não apenas de ensino fundamental e médio. “Houve visitas de estudantes de escolas técnicas e de graduação e pós-graduação universitárias, além de instituições de ensino para portadores de necessidades especiais”, aponta Azevedo. Todas as atividades da Estação são realizadas por uma equipe de dez voluntários, alunos de graduação em engenharia agronômica, florestal, gestão ambiental e biologia.
Transição
Depois de um ano de atividades, o professor Azevedo anuncia que o Solo na Escola vive um momento de transição. “Estamos migrando de projeto para programa, devido à participação em um edital do Ministério da Educação (MEC)”, explica. “Percebeu-se que suas características eram mais adequadas a um programa, pois a iniciativa é permanente e envolve vários subprojetos”.
Um dos planos é conseguir recursos para construir demonstrações transportáveis que possam ser levadas até as escolas. “Conversando com alguns professores, notou-se a dificuldade que tinham para trazer os alunos até a Esalq”, conta o professor. Uma página na internet está em construção e a visitação à Estação será ampliada, para realizar ações de educação informal. “Também será criada uma interface com pesquisadores, para aperfeiçoar metodologias de ensino e fazer estudos relacionados com divulgação científica”. Entre os dias 15 e 17 de maio, o Solo na Escola organizará o 4º Simpósio Brasileiro de Ensino de Solos.
Dentro do programa Ensinando com Pesquisa, da Pró-Reitoria de Graduação da USP, o Solo na Escola vai desenvolver módulos para auto-instrução no aprendizado sobre solos, destinado aos alunos da Universidade. Os módulos, formados por texto e uma apresentação narrada, ficarão disponíveis na plataforma de cursos on-line da USP. “Por meio de um ciclo de demonstrações na Estação e com auxílio de um questionário, o estudante poderá consolidar seu conhecimento teórico sobre solos”, conclui Azevedo.
Serviço
A Estação do Solo na Escola está localizada no Departamento de Ciências do Solo na Esalq, localizado na Av. Pádua Dias, 11, em Piracicaba. Escolas interessadas em agendar visitas devem entrar em contato com o Museu Luiz de Queiroz, pelo telefone (0xx19) 3429-4305. Os horários de visitação dependem da escala de trabalho dos voluntários. O e-mail do Solo na Escola é sne@esalq.usp.br
Por Júlio Bernardes, da Agência USP
(Envolverde/Agência USP)

