O drama do carro popular

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008.

O drama do carro popularTata Nano, o carro mais barato do mundo, foi lançado com grande fanfarra, em Nova Délhi, na Índia, mas já começa a causar polêmica entre ecologistas. Seu objetivo é revolucionar o modelo familiar, de quatro passageiros. O novo carro popular chega ao mercado indiano por menos de 5 mil reais, metade do valor do modelo mais em conta hoje em dia, e promete se tornar uma grande dor-de-cabeça ambiental.

Sobretudo nos países em desenvolvimento, a quem o modelo novo da Tata Motors se destina, e que não têm infra-estrutura de transportes adequada. Muito menos tecnologia para conter o impacto do aumento na emissão de gases provenientes da queima do combustível derivado do petróleo, o que agrava o efeito estufa.

O Nano tem quatro lugares, motor de 625 cc, potência de 33 cavalos e chega à velocidade máxima de 105 quilômetros por hora. O “carro do povo”, como foi apelidado na feira do automóvel de Nova Délhi, atenderá às exigências ambientais internacionais, segundo Ratan Tata, o dono da montadora, mas ele chega cercado de dúvidas, principalmente relacionadas à emissão de poluentes. A Tata planejou o carro há muitos anos como uma alternativa segura e acessível a os milhões de indianos que transportam famílias de quatro pessoas, mais bagagens, em bicicletas motorizadas e motonetas.

Com motor traseiro a gasolina e consumo de 20 quilômetros por litro, o Nano terá um modelo básico e duas variantes de luxo. A fábrica pretende lançar também versões a diesel. O modelo básico vem sem rádio, nem retrovisor no lado do passageiro, vidro elétrico ou direção hidráulica. Limpador de pára-brisa, apenas um. Ar-condicionado só nas versões de luxo. O objetivo da Tata Motors é expandir suas vendas para África, América Latina e Sudeste Asiático.

O projeto do carro mais barato do mundo nasceu da vontade do empresário indiano Ratan Tata atender às necessidades de transporte das zonas rurais da Índia. O grande mal é que o público atraído pelo Tata Nano na realidade deve ser outro. Espera-se que ele seja o novo objeto do desejo e de aspiração da classe media indiana, que traz no bolso o resultado do recente crescimento econômico de 9% ao ano. A grande maioria da população indiana de 1,1 bilhão de pessoas não pode pagar pelo carro – 800 milhões sobrevivem com menos de um dólar por dia. Ainda assim, a classe média emergente pode chegar a 200 milhões de pessoas desejosas de ter seu próprio veículo de transporte. A atmosfera não passará ilesa ao impacto da poluição desses motoristas todos.

De acordo com a organização ambiental Amigos da Terra, o lançamento de carros cada vez mais populares, que queimam combustíveis derivados do petróleo, como é o caso do Tata Nano, realmente deve exercer um forte impacto ambiental. Mas o grande drama e desafio atuais para conter os efeitos das mudanças climáticas estão nos países ocidentais e industrializados, que acumulam décadas de emissão de poluentes de carros e chaminés.

O QUE É O NANO

Dimensões: o carro tem 3 metros de comprimento por 1,5 metro de largura e 1,6 metro de altura. Foi projetado para quatro pessoas

Motor: Equipamento de dois cilindros tem 625 cc e potência de 33 cavalos, o que permite uma velocidade máxima de 105 km/h

Emissão de poluentes: De acordo com a montadora, o carro está acima do que exige a lei indiana e cumpre a norma Euro IV, da Europa

Meta de produção: A projeção da Tata é produzir inicialmente 250 mil carros por ano

Preço: O custo do modelo básico é de US$ 2,5 mil (R$ 4400), mas as estimativas são de que, com impostos e frete, chegue a US$ 3 mil (R$ 5300)

Rivais: O rival doméstico mais próximo é o Maruti 800, da Maruti Suzuki, que custa US$ 4,8 mil. O rival internacional que mais se aproxima é o chinês Chery QQ, que custa US$ 3,6 mil

Mercado: O mercado indiano tem um grande potencial para carros desse tipo, já que atualmente há apenas sete automóveis para cada grupo de mil pessoas. Na Alemanha, por exemplo, são 550 carros para cada mil pessoas

 
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