Destruição em ritmo acelerado

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007.

Destruição em ritmo aceleradoA extinção de espécies de animais e plantas é a mais rápida de todos os tempos. Acontece a uma velocidade cem vezes superior ao ocorrido até hoje na história da Terra, segundo cálculo feito pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, o PNUMA. O resultado desse trabalho, elaborado por 390 especialistas e revisado por mais de mil estudiosos em todo o mundo, está no GEO-4, sigla em inglês para Global Environment Outlook. O Relatório Ambiental Global avalia a gravidade do estado atual da atmosfera, da terra, da água e da biodiversidade.

De acordo com a análise dos registros fósseis, os especialistas calcularam que os números são alarmantes. Só no grupo de vertebrados, mais de um terço dos anfíbios, 23% dos mamíferos e 12% dos pássaros estão ameaçados de sumir do planeta. Uma das principais razões para a perda de espécies terrestres está no avanço das fronteiras agrícolas e na busca por novas fontes energéticas que devastam o solo em imensas monoculturas.

O documento da ONU revelou ainda que os mares não escaparam ilesos. O consumo de peixe triplicou em 40 anos, desde 1961 até 2001. A grande conseqüência disso é o declínio constante da produtividade do setor pesqueiro, que vem sofrendo já que os oceanos perderam a capacidade de repor o estoque de pescado na mesma velocidade em que ele é retirado das águas.

Para reforçar a importância e o impacto das escolhas cotidianas na preservação do meio ambiente, instituições ligadas ao consumo consciente sugerem uma visita ao site do Ministério do Meio Ambiente para consultar a lista das espécies de peixes em extinção na costa brasileira. Dessa forma, no restaurante, na feira ou no supermercado, o consumidor poderia evitar comprar peixes ameaçados de extinção.

Um dos maiores dramas dessa acelerada desaparição de espécies por conta da influência das ações humanas, que alteram o solo, o ar e as águas, é que muitas das formas de vida que estão se extinguindo sequer são conhecidas da ciência. Isso porque alguns biomas desaparecem antes mesmo de terem sido estudados. Nessas regiões, os especialistas dizem que pode haver espécies de animais e plantas com soluções naturais que sirvam de referência para o desenvolvimento de produtos da indústria farmacêutica e cosmética.

A contaminação das águas também foi alvo do olhar dos especialistas da ONU. A expectativa é que a demanda por água aumente muito até 2050. Nos países em desenvolvimento, o consumo deve crescer 50%, em especial na produção de alimentos. Já nos países desenvolvidos, o aumento deve ficar na faixa dos 18%.

Outro aspecto apontado pelo relatório GEO-4 foi a poluição das águas por micróbios, bactérias e substâncias tóxicas existentes em dejetos industriais, agrícolas e esgotos em geral. Esses resíduos são despejados nas águas de rios e mares sem controle, asfixiando a vida aquática.

O relatório analisa ainda os potenciais impactos das mudanças climáticas, por regiões do planeta. Aqueles que atingem mais diretamente o Brasil são as ameaças à biodiversidade e os danos aos litorais.

O documento destaca que a aposta dos países em desenvolvimento na produção de biocombustíveis pode se tornar uma forte pressão para biomas já ameaçados. Somente no Brasil, projeções estimam que nos próximos oito anos, a demanda nacional e internacional por etanol, fará com que a produção de cana de açúcar cresça de 354 para 553 milhões de toneladas anuais.

O PNUMA alerta que biomas como o Cerrado e a Floresta Amazônica devem ser os principais atingidos por essa crescente demanda por combustíveis renováveis. Segundo o relatório, no Cerrado, um dos mais importantes e ameaçados biomas do mundo, e onde se estima que existam boa parte das espécies de plantas com propriedades medicinais, a área destinada ao plantio de soja triplicou desde os anos 90. Até hoje, mais da metade do Cerrado se transformou em pastos e plantações de grãos, segundo o PNUMA. Na Amazônia, o crescimento da área plantada de soja constitui-se numa ameaça ao desmatamento.

A boa notícia é o aumento contínuo de áreas protegidas em várias partes do mundo. O relatório GEO-4 reconhece que a tecnologia poderá contribuir para reduzir os impactos ambientais, mas segundo a visão dos especialistas, não terá a capacidade de solucionar os grandes e graves problemas ambientais do planeta. Mais importantes são ações efetivas de combate à emissão de gases do efeito estufa, a redução do desmatamento, a proteção das espécies e dos biomas ameaçados, além do incentivo a campanhas e projetos que contribuam para a mudança dos hábitos de consumo. Para que cada cidadão possa usar suas escolhas na busca de uma sociedade sustentável.

 
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