Proposta do ICB sugere melhor aproveitamento do etanol

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007.

Proposta do ICB sugere melhor aproveitamento do etanolUm projeto desenvolvido por pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP estabelece um plano de negócios que visa reduzir perdas no processo de produção do etanol pelas indústrias sucro-alcooleiras e fornecer um conservante natural para a indústria alimentar.O plano está descrito no trabalho Nanobiotecnologia em probióticos para a produção de biorremediadores para o setor sucro-alcooleiro e de conservantes para alimentos, e a proposta é a realização de uma parceria que conjugue os recursos industriais com o know-how dos pesquisadores na cultura de bactérias.

Segundo o biólogo Juliano Paccez, que integra a equipe responsável pelo projeto, a proposta é usar a bactéria probiótica Bacillus subtilis, desenvolvida geneticamente para produzir a bacteriocina nisina (proteína capaz de inibir o desenvolvimento de microorganismos indesejados). “O processo fermentativo da cana-de-açúcar para a produção de etanol é aberto, o que torna o caldo vulnerável à contaminação e, conseqüentemente, diminui a quantidade de álcool produzido”, descreve o biólogo. “A nisina seria utilizada para reduzir a carga bacteriana deste caldo”, completa.

A bacteriocina nisina já é usada na indústria alimentícia para conservação de embutidos como a salsicha. A bactéria também é utilizada no setor pecuário como probiótico adicionado à ração, promovendo o crescimento e bem-estar do animal sem a necessidade de se recorrer a antibióticos e hormônios.

Produção nacional

O projeto propõe como alternativa ao uso de antibióticos pela indústria sucro-alcooleira e também à importação de nisina, a produção nacional da bacteriocina em sistema de parceria. “A indústria forneceria o caldo-de-cana excedente e o grupo realizaria o cultivo de Bacillus subtilis neste material, direcionando parte da nisina obtida para a indústria sucro-alcooleira como contrapartida, e vendendo a parte restante para a indústria alimentícia.” esclarece o farmacêutico Rafael Cavalcante, outro integrante do grupo de cientistas que é coordenado pelo professor Luis Carlos de Souza Ferreira, chefe do Laboratório de Desenvolvimento de Vacinas do ICB.

Cavalcante conta que Ferreira sempre estimulou o grupo a buscar novos usos práticos para produção e purificação de proteínas realizadas no laboratório, não se restringindo ao desenvolvimento de vacinas. A equipe pretende agora continuar neste caminho, buscando outras proteínas de uso industrial e descobrindo novas aplicações para as já utilizadas.

“Nossa proposta é justamente oferecer novas alternativas ao mercado, utilizando o conhecimento acadêmico e a estrutura que temos na universidade para gerar um conhecimento aplicável, dando o devido retorno à sociedade pelo investimento feito nas pesquisas”, completa o biomédico Wilson Barros Luiz.

O projeto desenvolvido pelos três cientistas foi o vencedor da edição 2007 do Prêmio Santander de Empreendedorismo, na categoria Biotecnologia.

(Envolverde/Agência USP)

 
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