Os destinos do clima

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007.

Os destinos do climaDurante a década que vai de 1998 até 2007, os termômetros da Organização Meteorológica Mundial (OMM) registraram as mais altas temperaturas da história. O ano de 2007 pode ser o sétimo mais quente desde que a instituição passou a medir a temperatura média da Terra. Até o momento, ele está 0,41º C mais quente do que a média dos anos 1961 até 1990.

O anúncio desses dados alarmantes foi feito nos estertores da COP-13, a Convenção Mundial do Clima promovida pela Organização das Nações Unidas em Bali, na Indonésia. A reunião, que deveria definir as metas e as medidas globais para reduzir as emissões de gases de efeito estufa que agravam o aquecimento do planeta depois do fim do Protocolo de Kyoto, terminou em impasse. Exatamente como se esperava.

Decididos a barrar o avanço das negociações que propunham uma redução de 25% a 40% nas emissões de gases de efeito estufa, os Estados Unidos promoveram uma ofensiva para impedir qualquer negociação pós 2012, quando termina a vigência do Protocolo de Kyoto.

A grande estrela da convenção do clima foi o ex-candidato a presidência dos Estados Unidos, Al Gore, um dos ganhadores do Prêmio Nobel da Paz, junto dos cientistas que integram o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC). Numa de suas frases emblemáticas, Gore disse que o mundo não pode esperar pela vontade de George W. Bush se mobilizar pela salvação do planeta.

Um dos indícios de que é preciso agir com urgência foi o próprio relatório da Organização Meteorológica Mundial. De acordo com a instituição, no Ártico, a situação não é das melhores. Os registros apontam que a superfície do gelo polar, que no final do verão boreal era de 4,28 milhões de quilômetros quadrados, está 39% menor em relação a medida média do período que vai de 1979 a 2000. De acordo com a Organização Meteorológica Mundial, desde o início do século XX, a temperatura média do planeta aumentou em 0,74º C. Nos últimos 50 anos do século, as temperaturas aumentaram em um ritmo equivalente ao dobro do período anterior.

Na prática, o estudo da OMM não faz nada além de confirmar a evidência de que o aquecimento global é fruto da atividade humana. E por isso seria tão importante não encerrar a mais importante conferência climática do mundo sem um mínimo de alento para o planeta. Como os gases de efeito estufa como o CO2 são invisíveis, é fácil colocar a questão climática fora do pensamento e deixar as conseqüências para as gerações futuras. Mas isso seria, no mínimo, insustentável.

 
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