Alguns especialistas afirmam ser bastante clara a relação entre a saúde pública e o acondicionamento, a coleta e a disposição de resíduos sólidos. Outros consideram os resíduos sólidos um dos determinantes da estrutura epidemiológica da comunidade, exercendo sua ação sobre a incidência das doenças, ao lado de outros fatores. Com o objetivo de estudar o acondicionamento e coleta dos resíduos sólidos domiciliares e os impactos na saúde de crianças, Luiz Roberto Moraes da Universidade Federal da Bahia realizou um estudo em assentamentos periurbanos da cidade de Salvador (BA), entre julho de 1989 e dezembro de 1990.Como indicadores epidemiológicos foram utilizados, em 1.893 crianças entre 5 e 14 anos, a infecção por nematóides intestinais, expressa pela prevalência de Ascaris lumbricoides, Trichuris trichiura e ancilostomídeos, e em 1.204 crianças menores de cinco anos, a incidência de diarréia e o estado nutricional, este expresso por indicadores antropométricos. De acordo com artigo publicado no suplemento 4 dos Cadernos de Saúde Pública, “do ponto de vista sanitário, a importância dos resíduos sólidos como causa direta de doenças não está muito comprovada. Porém, como fator indireto, eles têm grande importância na transmissão de doenças como, por exemplo, por meio de vetores como artrópodes – moscas, mosquitos, baratas – e roedores que encontram nos resíduos sólidos alimento e condições adequadas para proliferação”.
No trabalho, Moraes constatou que é a maior prevalência dos três nematóides nas crianças dos domicílios que não dispõem de acondicionamento adequado e de coleta de resíduos sólidos do que naquelas de domicílios com acondicionamento adequado e coleta regular. O mesmo foi observado em relação aos indicadores epidemiológicos, incidência de diarréia e estado nutricional.
Desse modo, os resultados sugerem, segundo ele, que tanto medidas de domínio doméstico como o tipo de acondicionamento domiciliar, quanto medidas de domínio público como a prestação de serviço de coleta domiciliar regular de resíduos sólidos, contribuíram para controlar a transmissão das doenças estudadas. “A universalização do serviço de coleta regular de resíduos sólidos domiciliares torna-se então necessária, visando a contribuir para a redução do quadro de morbidade das crianças residentes em áreas carentes deste importante serviço de saneamento ambiental. Importância também deve ser dada à educação sanitária e ambiental visando à sua contribuição para o processo de mudança de atitudes e práticas das pessoas quanto ao manejo e acondicionamento domiciliar dos resíduos sólidos”, afirma no artigo.
(Fonte: Agência Notisa)
