Salve a baleia. Mais uma vez

quinta-feira, 29 de novembro de 2007.

Salve a baleia. Mais uma vezA história das baleias-jubarte pode ser comparada a uma tragédia grega. Conhecida como baleia-corcunda, a jubarte foi um dos primeiros cetáceos a ser protegido. Conseguiu escapar da extinção em 1963, mas este mês volta a ser alvo de uma nova expedição de caça.

Espécie que consegue alcançar 19 metros de comprimento e pode pesar até 48 toneladas, essa baleia é particularmente vulnerável porque gosta de se aproximar de embarcações. Na realidade, as jubarte protagonizam um dos mais espetaculares shows naturais do planeta.

Costumam saltar com a cabeça e parte do corpo para fora da água, girar suas enormes nadadeiras peitorais, que parecem desproporcionais em relação ao corpo, para em seguida mergulhar novamente, deixando sua cauda à mostra. A cauda é uma espécie de impressão digital das baleias, cada animal traz ali registradas as marcas de sua história.

As baleias-jubarte costumam nadar sozinhas, em pares ou em grupos de até 15 animais. Comem peixes, invertebrados e costumam passar pelas águas de Fernando de Noronha, onde podem ser vistas nadando na companhia de golfinhos.
As jubarte ficaram sob proteção por mais de 40 anos, desde muito antes da entrada em operação da moratória proibindo a caça das baleias, que entrou em vigor em 1986. Ela foi tão intensamente caçada nas décadas anteriores, que sua população caiu para perto de mil animais, em 1963. Até mesmo os baleeiros concordaram em deixar as jubarte em paz.

Desde então, essa espécie se tornou um ícone do turismo de observação de baleias em várias partes do mundo. O Japão ignora a moratória à caça e há vários anos vem matando cetáceos sob o argumento de realizar com eles “pesquisas científicas”, embora a carne desses animais seja vendida abertamente nos mercados.

Este ano, pela primeira vez, os japoneses se autorizaram a caçar uma cota de 50 baleias-jubarte, que serão mortas na próxima temporada de caça no verão do oceano Atlântico sul. A cota de matança do Japão também prevê o abate de 935 minke, 50 fin, além de outras dezenas de baleias-sei e azul-de-bryde.

A Sociedade Americana de Cetáceos estima que a população de baleias-jubarte, chamada de humpback whale, em inglês, se recuperou até alcançar a marca de 30 mil a 40 mil animais, o que representa cerca de um terço do que já existiu no planeta. Essa espécie continua sendo listada como “vulnerável” pela World Conservation Union, que elabora o ranking de animais mais ameaçados da Terra. Mas para os japoneses, isso não importa tanto assim.

 
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