Especialista propõe destinar recursos da exploração petrolífera para combate a efeitos de mudanças climáticas

sexta-feira, 23 de novembro de 2007.

Especialista propõe destinar recursos da exploração petrolífera para combate a efeitos de mudanças climáticasO secretário-executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, Luiz Pinguelli Rosa, propôs nesta quarta-feira (21) que parte “significativa” dos recursos obtidos com a exploração da reserva de petróleo no Campo de Tupi, na Bacia de Santos (SP), seja destinada a iniciativas de combate aos efeitos das mudanças climáticas e também para criar fontes alternativas de energia.A proposta foi apresentada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o encontro do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, quando foi assinado o decreto que cria um comitê para elaborar o Plano Nacional sobre Mudança do Clima.

O ministro interino do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, explicou já está em análise uma proposta semelhante. Segundo ele, 10% dos recursos de royalties do petróleo são destinados para projetos de preservação ambiental, mas falta ajustar a lei para que o dinheiro, estimado em R$ 1 bilhão por ano, seja usado para ações referentes às mudanças climáticas.

“A indústria do petróleo é considerada a principal responsável pelo efeito estufa e, portanto, seria justificável que a atividade gerasse recursos para resolver os problemas que ajuda a criar”, explicou Capobianco.

Brasil quer reduzir desmatamento e emissões de gás carbônico, diz ministro interino do Meio Ambiente

O ministro interino do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, disse hoje (21) que o governo pretende criar metas internas para reduzir a emissão de gás carbônico na atmosfera. E antecipou que o desmatamento na Amazônia, medido até julho de 2007, terá o menor índice desde 1988, quando começou o monitoramento.

Nos últimos meses, admitiu, houve um aumento no desmatamento, mas Capobianco assegurou, após participar do encontro do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, no Palácio do Planalto, que serão implementadas medidas emergenciais para reverter a tendência.

“O Brasil está disposto a fazer um esforço adicional para aumentar a contribuição [na redução de emissão de gás carbônico]. Entendemos que o Brasil pode definir políticas, estratégias e metas para estimular a redução do desmatamento”, disse.

Segundo Capobianco, o Brasil deixou de emitir 500 milhões de toneladas de gás carbônico entre os anos de 2004 e 2006. O volume equivale a 14% do que os países desenvolvidos deveriam reduzir em emissão nos quatro primeiros anos do Protocolo de Quioto.

Na conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre mudanças no clima, prevista para o início de dezembro em Bali, na Indonésia, o governo brasileiro pedirá aos países desenvolvidos que cumpram a meta de redução nas emissões, acrescentou o ministro interino.

“O Brasil vai insistir em um maior compromisso desses países, no sentido de apoiar as ações dos países em desenvolvimento na redução do desmatamento. Não se trata de pagar para não desmatar, mas sim de reconhecer que mudar o padrão de produção implica investir”, explicou.

(Envolverde/Agência Brasil)

 
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