Durante este verão, algumas regiões do Ártico experimentaram uma onda de calor sem precedentes. Uma estação canadense de pesquisa registrou temperaturas recordes acima dos 20º C, ou 15º C mais quente do que a média de longo prazo. As altas temperaturas vieram acompanhadas por um dramático derretimento do gelo em setembro, um sinal de quanto essa região é vulnerável e sensível aos efeitos do aquecimento global.
Cientistas da Universidade Queen´s, em Ontário, no Canadá, informaram que na ilha Melville, em geral um dos lugares mais frios da América do Norte, a temperatura média é de 5º C, mas este ano durante o dia os termômetros oscilavam entre 10º C e 15º C. Em alguns dias, atingiu-se a marca dos 22º C.
A alta temperatura na ilha causou deslizamentos catastróficos. A paisagem foi literalmente caindo aos pedaços diante dos olhos dos cientistas canadenses. Outras partes do Ártico tiveram os mesmos problemas da ilha Melville. Isso indica o verão mais quente que a região polar já enfrentou.
O serviço de pesquisa em neve e gelo do Colorado, nos Estados Unidos, informa que a temperatura ártica em junho, julho e agosto ficou de 3º C a 4º C superior aos registros históricos. E no norte da Sibéria, o verão foi de 4º C a 5º C mais quente do que a média histórica.
Ao contrário do que sempre ocorreu no Ártico, o verão de céu estranhamente claro foi uma das razões que provocaram o aumento da temperatura. A incidência maior dos raios solares acelerou a perda do gelo do mar, que caiu para a taxa mais baixa até hoje, de 4,28 milhões de quilômetros quadrados, ou 39% inferior à média de longo prazo para o período de 1979 a 2000.
Um grupo internacional de cientistas a bordo do navio de pesquisa Polar Stern também sentiram os efeitos de um verão excepcionalmente quente para o Ártico. Os cientistas antecipavam que grandes áreas do Ártico eram cobertas por uma camada de gelo com a espessura de dois metros. No meio das investigações, eles descobriram que essa camada ficou ainda menor, com um metro de espessura.
Por enquanto, as constatações da expedição científica do Polar Stern são alarmantes. Eles dizem que estamos no meio de uma mudança dramática no Ártico. A cobertura de gelo no mar polar norte está sumindo, o oceano e a atmosfera estão esquentando, e as correntes do oceano estão mudando.
Um cientista da equipe recentemente relatou que chovia no Ártico. “Isso me faz pensar que jamais alguém registrou chuva no Pólo Norte”, disse David Carlson, diretor do Ano Polar Internacional, um esforço para desvendar as questões climáticas no Ártico e na Antártica.
