Os estudos mais avançados traçam um cenário desolador se não houver medidas comprometidas para reverter os efeitos das mudanças climáticas. Só os países industrializados devem reduzir entre 25% e 40% as suas emissões de gases causadores do efeito estufa após 2012, disse Yvo de Boer, secretário-executivo da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática.
Entrevistado na Áustria, durante a reunião que definiu os rumos das negociações climáticas para depois do Protocolo de Kyoto, de Boer diz que as emissões de gases causadores do efeito estufa devem alcançar seu grau máximo nos próximos 10 a 15 anos para depois diminuir pela metade a partir daí e até 2050. Segundo ele, este é o único modo de evitar catástrofes ambientais e humanitárias associadas com o aquecimento global.
De Boer participou da rodada de negociações sobre mudanças climáticas em Viena, encontro preparatório para a próxima conferência das partes da Convenção, que acontecerá em dezembro na ilha de Bali, na Indonésia. Espera-se que os participantes dessa reunião avancem em um novo plano internacional para a redução de emissões depois de 2012, quando expira o Protocolo de Kyoto.
As conversações na capital austríaca proporcionarão à conferência de Bali informação sobre necessidades financeiras para minimizar a mudança climática e suas conseqüências sociais e econômicas.
As medidas de mitigação necessárias para a redução das emissões requerem entre US$ 200 bilhões e US$ 210 bilhões por ano, avalia o especialista. Para os otimistas, o engajamento de muito mais gente é uma baliza que demonstra o aumento da consciência ambiental.
Até o presidente americano George W. Bush decidiu fazer a lição de casa e apresentou uma proposta que será discutida pelos governos dos maiores emissores de gases que provocam o efeito estufa este mês em Washington. As nações mais industrializadas, especialmente os Estados Unidos, junto com China e Índia, representam 85% das emissões globais. Estes países também representam 70% da população global e 85% do Produto Interno Bruto (PIB) global. Mas o Brasil, com as queimadas de floresta nativa, está entre os cinco países que mais emitem gases de efeito estufa.
Como o aquecimento global afeta a população do mundo todo, suas conseqüências são sentidas em forma de inundações, furacões, secas e maior incidência de doenças como malária e dengue.
Um novo modelo climático desenvolvido por cientistas da agência espacial americana (Nasa) indica que tempestades violentas poderão se tornar cada vez mais freqüentes à medida que aumenta a temperatura do planeta. Estudos feitos com outros modelos haviam indicado que chuvas fortes se tornariam mais comuns, mas a nova análise é a primeira conduzida em escala global a simular diferenças entre tempestades em terra e em oceanos.
O estudo foi elaborado pelos pesquisadores Tony Del Genio, Mao-Sung Yao e Jeff Jonas, do Instituto Goddard para Estudos Espaciais dos Estados Unidos. E verifica, além dos episódios de tempestades violentas globalmente, a alta prevalência de raios sobre regiões tropicais, especialmente na África e na Amazônia.
A grande preocupação com essa previsão é que os raios produzidos por fortes tempestades muitas vezes causam incêndios em áreas secas. Os autores do estudo estimam que algumas regiões terão, em um cenário de clima mais quente, menos ar úmido, o que as tornaria mais propensas à ocorrência de queimadas. As condições mais secas já implicam naturalmente em menos chuvas ou tempestades. Um círculo vicioso que só para se houver boa vontade.
