Discutida em várias camadas da sociedade, a questão do gerenciamento de resíduos, a redução dos desperdícios e as alternativas técnicas para a gestão ambiental nas indústrias foi tema de um seminário estratégico realizado em São Paulo no mês de agosto. Com reconhecido esforço para atuar de forma responsável nessa área, o setor produtivo nacional tem investido no tratamento, no gerenciamento e na disposição de resíduos, mas ainda precisa de ações específicas.
Uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos (Abetre), em parceria com a PricewaterhouseCoopers e revelada pela revista Meio Ambiente Industrial, mostra que as empresas brasileiras gastam mais de R$ 400 milhões por ano com a correção de seus passivos ambientais apenas com serviços especializados, sem incluir custos internos, multas, indenizações e despesas judiciais.
Ao analisar a realidade de várias Federações das Indústrias dos Estados, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) também detectou a necessidade de desenvolver ações na divulgação, capacitação, assistência técnica e pesquisa e desenvolvimento para contornar eventuais lacunas. Por isso a importância do evento que apresentou soluções estratégicas para a gestão ambiental e o gerenciamento de resíduos nas empresas.
Para discutir o aspecto tecnológico do co-processamento como alternativa para destinação de resíduos perigosos, falaram a bióloga Thais Helena Rodrigues, atualmente responsável pela área comercial de co-processamento da Camargo Correa Cimentos, e Marcos Carrara, gerente de co-processamento da Silcon Ambiental, que trabalhou por mais de duas décadas em indústria cimenteira e atua na área de meio ambiente com ênfase em co-processamento de resíduos industriais.
Carrara discutiu e detalhou todo o processo de co-processamento, blendagem e o transporte do material já processado até a porta da cimenteira. Já Thais inverteu a ordem e se debruçou sobre o processo da porta da cimenteira para dentro, até a incorporação do material processado.
Sobre os novos desafios e as perspectivas para a gestão de resíduos sólidos no Brasil, os debatedores foram Diógenes Del Bel, diretor presidente da Abetre, e Walter Capello Jr, que trabalha na Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) há 12 anos e é um dos responsáveis pelo levantamento de dados do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil.
Participaram ainda do seminário sobre gestão de resíduos alguns clientes especiais da Silcon Ambiental, entre os quais representantes da Pepsico, da Natura, das Indústrias Romi e da Gerdau.

