Lições da super bactéria

sexta-feira, 10 de agosto de 2007.

Lições da super bactériaUma bactéria resistente a vários antibióticos obrigou o Hospital das Clínicas (HC) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior de São Paulo, a fechar suas portas durante uma semana. Desde 23 de julho, quando uma variante da bactéria Enterococcus faecium foi descoberta nos pacientes que passaram por cirurgia gástrica, os exames detectaram a presença da bactéria em 61 dos 380 pacientes do hospital.

Há pelo menos três razões para explicar a contaminação pela bactéria super resistente. A primeira hipótese é que o microorganismo veio de fora da cidade, trazido por um paciente do pronto atendimento. A segunda é que a contaminação foi resultado de uma transmissão convencional, por contato físico, e o paciente foi atendido no hospital. A última hipótese seria a manipulação equivocada dos resíduos do tratamento de algum desses pacientes.

De acordo com o hospital, a bactéria faz parte da flora natural do sistema digestivo do ser humano, mas a encontrada nos pacientes do HC da Unicamp se mostrou resistente ao antibiótico Vancomicina, o mais indicado para esse tipo de microorganismo.

As internações foram suspensas no HC assim que a contaminação foi detectada. O hospital voltou às atividades no início de agosto e, segundo nota distribuída pela entidade, vai começar a desinfecção dos leitos de enfermaria onde a contaminação pela bactéria Enterococcus faecium foi controlada, num trabalho de esterilização que pode consumir meses – e ainda assim ser insuficiente.

“Sempre que acontece um caso como esse, de mutações e bacilos mais resistentes, a preocupação é que o resíduo gerado do tratamento desses pacientes seja tratado para não virar um problema de saúde ainda mais grave”, alerta Edson Rodriguez, Diretor de Operações da Silcon Ambiental. A atual resolução da Anvisa, a agência brasileira de vigilância sanitária, orienta e determina que muitos desses resíduos, que deveriam ser tratados, sejam levados para um aterro sem cuidado especial.

Na realidade, os organismos vivos estão em constante mutação porque entram em contato com diferentes reagentes e produtos farmacêuticos e vão adquirindo resistência. É como o vírus da gripe, que é mutante, resistente e se renova sempre, e por isso se toma uma vacina diferente todos os anos. “O que acontece hoje em dia é que a população é muito maior, as condições são mais propícias para a transmissão e a interação de agentes que não existiam antigamente, como pessoas de outros cantos do mundo trazendo incubados vírus que não existiam aqui”, diz Edson Rodriguez, da Silcon, que é também vice-presidente da Abrelpe (Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais). Por isso a importância de redobrar os cuidados e questionar a atual recomendação da Anvisa, de não submeter todo o lixo hospitalar a tratamento especial.

 
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