Por Darlene Menconi
A enchente que inundou parte da Grã Bretanha no início desta semana criou um novo tipo de emergência, o desastre causado pelo clima do século 21. A chuva torrencial equivalente a um mês de precipitação caiu em pouco mais de uma hora, deixando mais de 300 mil ingleses sem água potável, 50 mil pessoas sem energia, milhares desabrigados e um saldo de 2 bilhões de libras de prejuízo (mais de R$ 7,6 bilhões).
É um desastre sem precedentes na história britânica moderna. De acordo com a agência ambiental, mesmo as extensas enchentes de 1947, as piores ocorridas em 200 anos, não tiveram a magnitude do aguaceiro desta semana, agravadas pelo degelo ocorrido depois de um inverno excepcionalmente intenso.
Um único dia de chuva provocou um cenário de guerra, com áreas gigantescas submersas e infra-estrutura totalmente paralisada. Tantas vezes antecipada pelo noticiário ambiental, a tragédia que inundou as regiões de Yorkshire, Gloucestershire e Worcestershire são conseqüência direta do aquecimento global. Eventos extremos, como chuvas de maior intensidade, assim como frios ou calores fora do normal, são algumas das primeiras manifestações das mudanças climáticas agravadas pela emissão de gases de efeito estufa, segundo as previsões científicas.
Para a comunidade de cientistas, as enchentes catastróficas que assustaram os britânicos não têm nada de novo. Um relatório do principal representante do tema, o consultor científico Sir David King, divulgado em 2004, já alertava para o risco de enchentes severas em conseqüência das mudanças climáticas.
Na prática, o que ocorreu é que já estamos testemunhando o futuro com as enchentes de 2007. Assim como já foi premonitória a onda de calor que marcou o verão europeu de 2003, deixando milhares de mortos. A realidade é que os efeitos da mudança climática, há tempos antevistos pelos cientistas e meteorologistas, hoje deixaram as pranchetas para se tornar as surpresas da realidade.
A grande enchente dos tempos modernos na Grã Bretanha deve pautar as decisões governamentais daqui para frente. “Como qualquer país industrializado, estamos nos adaptando às questões relacionadas às mudanças climáticas”, resumiu o primeiro-ministro britânico Gordon Brown. Segundo ele, a situação ficou mais grave porque foi um choque de tempo: uma infra-estrutura do “século 19″ incapaz de resistir à uma demonstração do que será o clima do século 21.
