Darlene Menconi
O futuro promete grandes imbróglios diplomáticos entre países ricos e pobres, agora que o aquecimento do planeta se tornou a maior ameaça global. Já foi difícil e demorado implantar o Protocolo de Kyoto, um acordo internacional que nasceu modesto e incapaz de reduzir a emissão de poluentes aos níveis que desejariam os cientistas. Imagine-se como será delicado definir as novas regras para os países lançarem na atmosfera menos gases de efeito estufa, que aquecem o planeta, mas também provocam a desaceleração da economia.
No início deste mês, durante a cúpula do G-8, na cidade alemã de Heiligendamm, os líderes dos oito países mais influentes do mundo (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão, Reino Unido e Rússia) fracassaram em chegar a um acordo para combater as mudanças climáticas. O grupo rejeitou, em seu documento final, algumas medidas que impunham limites para suas economias, de maneira a reduzir a emissão de gases de efeito estufa.
Do outro lado do embate ficaram as nações emergentes, o G-5, representado por África do Sul, Brasil, China, Índia e México, que sugerem que num primeiro momento os países desenvolvidos façam a maior parcela de sacrifícios, já que suas economias cresceram durante anos à base da poluição e da destruição da natureza.
Responsável por um quarto (25%) das emissões de gases de efeito estufa do planeta, os Estados Unidos não estão obrigados a cumprir o que determina o Protocolo de Kyoto, já que retiraram sua assinatura em 2001, quando Bush assumiu a presidência. Mais uma vez, os americanos se mantêm à margem das soluções viáveis contra o aquecimento.
Agora, a administração Bush se opõe à meta dos 2º C como teto admissível para o aumento médio da temperatura até o fim deste século, em relação à era pré-industrial. Para isso, seria preciso reduzir à metade a emissão dos gases que causam o aquecimento global até 2050.
Durante esta semana, na cidade de Riksgransen, na Suécia, 200 quilômetros ao norte do Círculo Ártico, representantes de cerca de 30 países se reuniram para debater as metas de controle ambiental a partir de 2013, quando o Protocolo de Kyoto deixa de ter validade. Os ministros do Meio Ambiente de três dezenas de países buscaram debater soluções para conter o aquecimento do planeta sem comprometer o crescimento das nações. E ainda manter a competitividade de cada nação no mercado globalizado.
O encontro deve servir de base para preparar o encontro da Organização das Nações Unidas em novembro, na Indonésia, quando o desafio volta a ser a discussão sobre os detalhes do que vem depois do Protocolo de Kyoto, que vence em 2012.
Apesar de o Brasil contribuir para a emissão dos gases do efeito estufa por meio do desmatamento e das queimadas, o país desponta como um dos principais atores na ordem ambiental internacional. Cerca de 80% da energia elétrica nacional são gerados a partir de hidrelétricas. Além de ser responsável pela geração de 35% de todo o etanol do planeta, o Brasil se dedica à produção e exportação de biodiesel, e ainda leva adiante projetos que já evitaram a emissão de 25 milhões de toneladas de CO2 nos últimos sete anos.
Um dos esforços brasileiros no sentido de reverter a situação do clima está apoiada na promessa dos biocombustíveis. Segundo dados do Ministério do Meio Ambiente (MMA), a substituição de combustíveis fósseis por renováveis, como o etanol, já alcançou 45% de nossa matriz energética.
A Comissão Européia alerta que há riscos de que uma plantação generalizada de cana poderia ter efeitos negativos para o meio ambiente se Brasil e outros países emergentes utilizarem suas áreas de floresta para o cultivo. Bruxelas anunciará ainda em novembro as exigências ambientais que irá impor aos países que queiram exportar etanol para o mercado europeu. É um exemplo da eficácia da pressão econômica.
