No princípio, as cidades

quinta-feira, 24 de maio de 2007.

No princípio, as cidadesPor Darlene Menconi

Prefeitos de mais de 30 metrópoles do mundo, empresários, representantes do setor público e especialistas em questões ambientais debateram juntos, em Nova York, algumas das principais soluções para reduzir as emissões de dióxido de carbono nas grandes cidades. Durante a C40 – Cúpula Climática das Grandes Cidades, o ex-presidente americano Bill Clinton anunciou um esforço concentrado de quatro corporações multinacionais e cinco bancos para ajudar as 15 maiores cidades do mundo a melhorar a eficiência energética de suas velhas edificações e reduzir suas emissões de carbono.

A iniciativa de Clinton deve criar um fundo de US$ 5 bilhões para financiar suas idéias. Envolve empresas como Honeywell, Johnson Controls, Siemens e Trane, para fazer auditorias e melhorias energéticas, e os bancos ABN AMRO, Citi, Deutsche Bank, JPMorgan Chase e UBS para financiar projetos. As cidades que se comprometeram com o projeto são Bangcoc, Berlim, Chicago, Houston, Johanesburgo, Karachi, Londres, Melbourne, Cidade do México, Nova York, Roma, São Paulo, Seul, Tóquio e Toronto.
A aliança para reduzir os efeitos das mudanças climáticas nas zonas urbanas vai tornar financeiramente viável para as cidades o ajuste de seus edifícios a práticas mais eficientes no consumo de energia. O programa vai ainda permitir que os proprietários de edifícios privados tenham acesso a fundos especiais para utilizar produtos eficientes do ponto de vista energético.

Neste ano, pela primeira vez, a população urbana mundial, de mais de 3,2 bilhões de pessoas superou a população rural. As cidades consomem três quartos da energia mundial e são responsáveis por 80% das emissões de gases causadores do efeito estufa, aos quais a maioria dos cientistas atribui o aquecimento do planeta. As edificações são vilãs à sua maneira. Elas respondem por quase 40% das emissões de gases de efeito estufa – em cidades como Nova York e em Londres é quase 70%.

Em seu discurso durante a C40, o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, anunciou o seu quinhão de compromisso contra os efeitos do aquecimento global. Prometeu substituir os 13 mil táxis amarelos da cidade por veículos híbridos, mais eficientes no consumo de combustível. Até 2012, ele espera trocar toda a frota, composta 90% por carros Ford Crown Victoria, por modelos acionados por uma combinação de gasolina e eletricidade capaz de rodar até 14,5 quilômetros com um litro de combustível.

Táxis em Nova YorkHoje os táxis Ford Crown Victoria fazem entre 4,2 e 6,3 quilômetros com um litro de combustível. Nas ruas de Nova York já circulam 375 táxis híbridos, número que Bloomberg planeja triplicar até outubro de 2008, e depois, ampliar todos os anos a frota de veículos híbridos em 20%.

Bloomberg também destacou seu objetivo de reduzir em 30% as emissões desses gases até 2030. Para isso, detalhou um plano baseado em três elementos: incentivar combustíveis mais limpos para a calefação, substituir as velhas usinas de energia por outras mais novas eficientes e diminuir as emissões de dióxido de carbono causadas pelo transporte através da restrição veicular.

Muito criticado por uma medida de restrição de automóveis, em 2003, Ken Livingstone, o prefeito de Londres, relatou o sucesso de sua iniciativa. A proposta inicial, ele disse, partiu de um consórcio londrino que calculou o custo do congestionamento do trafego em termos de perda de produtividade em quase US$ 4 bilhões por ano. Em um ano, por meio de multas, ele conseguiu reduzir em 38% a circulação de veículos particulares em Londres, o dobro do previsto.

Os resultados são vários. A quantidade de ciclistas aumentou 80% e a de passageiros do transporte coletivo passou de quatro milhões de pessoas para seis milhões. Essa medida foi acompanhada de uma substancial redução das emissões de gases que causam o efeito estufa, incluindo a queda de 20% nas emissões de dióxido de carbono. O prefeito londrino assegurou aos seus colegas prefeitos que essas medidas não prejudicaram sua popularidade: a aprovação da gestão Livingstone aumentou 12% na primeira semana de implantação do programa. Esse, sim, um grande temor entre os administradores públicos.

 
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