Álcool de cana polui menos que o de milho

quarta-feira, 09 de maio de 2007.

Álcool de cana polui menos que o de milhoEtanol de cana emite 80% menos gases do aquecimento estufa do que combustível à base de petróleo; com grão, redução é de 30%.

A produção de etanol a partir da cana-de-açúcar é não só mais rentável economicamente que a feita com base no milho, mas também menos agressiva para o meio ambiente. Dados da Agência Internacional de Energia a serem apresentados durante a conferência Iniciativa Global sobre Commodities, que acontece até sexta-feira, em Brasília, mostram que um veículo movido a álcool de cana gera 80% menos gases do efeito estufa do que um movido a derivado de petróleo. Com álcool de milho, a redução não é tão intensa (30%).

“A cana-de-açúcar produz sacarose, um carboidrato simples. Já o milho produz amido, que apresenta uma estrutura química mais complexa. No processo de fabricação do etanol a partir desses açúcares, a sacarose mostra-se menos poluente, pois, por ser mais simples, dispensa algumas fases industriais”, afirma o chefe da Embrapa Energia, Frederico Durães, um dos conferencistas do evento. “Todo processo industrial com queimas libera resíduos na atmosfera, mas a cana faz isso em escala menor”.

Além disso, a cana absorve mais gás carbônico da atmosfera, segundo o agrônomo: ela apresenta mais matéria vegetal que o milho e, por isso, pode fazer mais fotossíntese — procedimento no qual a planta retira gás carbônico da atmosfera e devolve oxigênio. A cana possibilita, ainda, maior produção em menor espaço. “Cada hectare cultivado com milho produz cerca de oito toneladas de grãos. A mesma área cultivada com cana-de-açúcar produz 85 toneladas do produto”, afirma Durães. “Um terço dessa produção vira caldo de cana, com o qual se faz etanol”.

Ele ressalva, porém, que, para não empobrecer o solo em que se planta cana, é preciso fazer rotação de culturas e adubação. “Os resíduos podem ajudar nessa etapa, pois, a partir deles, é possível produzir adubo para o solo”, afirma Durães. “Posteriormente, esses resíduos também podem ser usados para geração de energia para a propriedade produtora”. Além disso, segundo o agrônomo, é necessário atentar para as questões trabalhistas e para o desenvolvimento de políticas sociais nas regiões produtoras.

A conferência, que tem apoio do PNUD, também vai discutir os impactos dos biocombustíveis na segurança alimentar. “O milho é matéria-prima para vários alimentos e é nutricionalmente mais sofisticado que o açúcar. Por isso, é importante privilegiar a utilização do grão como alimento”, defende Hairdi Vieira, economista de desenvolvimento do Common Fund for Commodities, um dos organizadores do evento.

O mercado internacional de cana também será um dos temas do evento. Países produtores terão dificuldades de concorrer com o Brasil, líder mundial em etanol produzido a partir da cana-de-açúcar — 17,4 bilhões de litros no ano passado (os Estados Unidos produziram ainda mais — 18,5 bilhões —, mas a partir do milho). “O ideal é encaixá-los na cadeia produtiva do etanol”, avalia Vieira.

Economicamente, o etanol tem se mostrado mais rentável. Segundo dados da Agência Internacional de Energia, em 2004 cada litro de etanol produzido com cana custava entre US$ 0,22 e US$ 0,30, enquanto a mesma produção com milho tem valor entre US$ 0,40 e US$ 0,60. (PrimaPagina)

Por Sarah Fernandes, do Pnud

Crédito da imagem: INMETRO/Divulgação
(Envolverde/Pnud)

 
Categorias relacionadas: notícias da semana
Voltar para o topo