Depois de três anos de pesquisa e estudo para avaliação das exigências de mercado e do tipo de tecnologia a ser utilizada, a unidade de armazenamento e tratamento de resíduos da Silcon Ambiental em Juquiá começa a funcionar com plena autorização governamental. A Licença de Operação Definitiva para a Plataforma de Tratamento instalada no Vale do Ribeira foi expedida em 27 de março, sob o número 49.000.169, e terá validade até março de 2012.
Através do co-processamento, ela vai destruir resíduos industriais líquidos, sólidos e pastosos sem deixar passivos ambientais, incorporando-os na indústria cimenteira como energia alternativa, em substituição aos combustíveis fósseis não-renováveis. Desde junho de 2006, a unidade trabalha com a anuência de licenças provisórias.
Com capacidade para tratar e armazenar até 98 mil toneladas por ano, a unidade de Juquiá está preparada para receber resíduos industriais de classe I e classe II-A. Os elementos de classe I são considerados resíduos perigosos contaminados, como por exemplo as sobras de material da indústria química, petroquímica e de base. Já os resíduos de classe II-A são considerados perigosos, mesmo que sejam não-inertes, possuindo capacidade de degradar e reagir sem interferir na saúde do ser humano e no meio ambiente de forma hostil. Com essa unidade em pleno funcionamento, o Estado de São Paulo passa a ter uma nova opção para o tratamento de resíduos para a técnica de co-processamento.
Os produtos resultantes desse processamento são utilizados como matéria-prima ou combustível na fabricação de clínquer, principal matéria-prima na produção do cimento. Na prática, a unidade de Juquiá recolhe resíduos de diversas indústrias e mistura tudo num processo chamado de blendagem. O resultado é uma mistura que atende às exigências das cimenteiras no que diz respeito à umidade, ao seu poder calorífico e à concentração de enxofre e de cloro, bem como metais pesados, compostos orgânicos voláteis e óxidos.
Ao término do processamento, a mistura pode ser utilizada como combustível, substituindo recursos não-renováveis, ou como matéria-prima, substituindo o uso de minerais como calcário ou argila, explica Marcelo Lacerda, gestor da unidade. “Além da redução do lançamento de resíduos em aterros e no solo, é possível poupar minerais e combustíveis não-renováveis”, resume o gestor da planta que tem 18 funcionários. “É uma vitória para o Estado de São Paulo possuir uma destinação que usa tal tecnologia, conquista esta, após de mais de três anos de esforços, contando com a colaboração de profissionais das mais diversas áreas que tangem o tema meio ambiente”, resume Lacerda.

