Oscar Verde

quinta-feira, 01 de março de 2007.

Oscar VerdePor Darlene Menconi

O tapete vermelho por onde passam as estrelas de Hollywood em direção à cerimônia de entrega do Oscar, no domingo dia 25, foi marcado pelo tom esverdeado. Pelo menos três dezenas de celebridades chegaram ao Teatro Kodak, na Califórnia, a bordo de limusines movidas a eletricidade. Num esforço de marketing conjunto pelo uso de fontes alternativas ao petróleo, atores, atrizes e profissionais do cinema emprestaram sua imagem para disseminar mensagens em defesa do meio ambiente.

Já são 330 as estrelas do show business, entre elas o ator George Clooney, que encomendaram carros elétricos para ter na garagem. Um desses modelos fez sua estréia na noite do Oscar. Movido a bateria elétrica, o protótipo Tesla Roadster foi inventado e financiado por empresas do Vale do Silício, o berço americano da tecnologia, e alcança a velocidade de 0 a 100 km\h em quatro segundos.

“Mais rápido do que a maioria dos Porsches”, disse Darryl Siry, presidente da Tesla Motors, desmentindo o mito de que motor com combustível alternativo é sinônimo de lerdeza no asfalto. Detalhe: o carro esportivo, reservado primeiro ao público de Hollywood, deve estar disponível em 2009 pela bagatela de US$ 92 mil. Para os demais mortais, a Tesla promete um modelo mais em conta, a partir de US$ 50 mil.

Os recados em defesa de políticas e ações para reverter o atual estágio de mudança climática foi tema dentro e fora da maior cerimônia de premiação do cinema. Na platéia, brilhavam ecologistas declarados, como a atriz Julia Roberts – que dirige um carro híbrido Prius da Toyota – e os atores Robert Redford e Leonardo DiCaprio, dois ferrenhos militantes da causa.

Aliás, foi DiCaprio, o protagonista de Titanic, quem anunciou que, pela primeira vez, a festa de entrega das estatuetas era 100% ecológica. Na prática, significa que a produção do evento optou por produtos e serviços de empresas que buscam reduzir seus efeitos sobre a natureza. E que trabalham em prol da preservação de espécies ameaçadas, da redução dos desmatamentos, do despejo de lixo tóxico e da contaminação química de água e solo.

Al GoreBrincando com sua condição de “ex-quase presidente dos Estados Unidos”, Al Gore foi outra figura carimbada na noite do Oscar. Garoto propaganda das mudanças climáticas e da importância da adesão ao Protocolo de Kyoto, Gore é o elemento principal do melhor documentário do ano. Uma Verdade Inconveniente, dirigido por Davis Guggenheim, mostra os cenários futuros e os efeitos esperados do aquecimento global. Sobretudo, o filme aponta saídas, desde que haja a colaboração de todos.

Numa noite de glamour, onde o grande assunto costuma ser o desfile de trajes e adereços de estilistas famosos, a mobilização ambiental é um bom sinal. Várias empresas e eventos realizados ao redor do mundo já pegaram carona nessa onda, querendo demonstrar sua preocupação com o mundo.

CouromodaNo Brasil, os exemplos recentes de atitude ecologicamente correta foram dois eventos ligados à moda: a maior feira de calçados da América Latina, a Couromoda, e a semana de moda de São Paulo, o SP Fashion Weeek. Realizada em janeiro, a Couromoda foi a primeira feira neutra em carbono no país. Ou seja, ao adotar uma gestão socioambiental, ela procurou ser economicamente viável, socialmente justa e ambientalmente correta.

Além do processo de destinação de resíduos produzidos, o evento buscou gerar trabalho e renda para cooperativas de reciclagem. E promover a neutralização do carbono por meio do plantio de árvores suficientes para compensar o gás carbônico emitido no período de montagem, realização e desmontagem da feira. O cálculo das emissões de dióxido de carbono (CO2) e o número de árvores que deverão ser plantadas será feito por uma consultoria, a Key Associados, e o plantio das árvores ficará a cargo da Fundação SOS Mata Atlântica.

Na onda da sustentabilidade, o Fashion Week usou a mesma tônica em seus desfiles. Boa parte dos estilistas exibiu na passarela suas coleções com peças feitas de material reciclado e artigos elaborados por artesãs. O potencial ecológico se via em muitos cantos, desde nas lixeiras para coleta seletiva até no uso de materiais reciclados na montagem da feira, como o sobrepiso feito de caixa de leite reutilizada, e as instalações construídas a partir de blocos de papelão encaixados como peças de Lego.

O objetivo do evento que apresentou a coleção Inverno 2007 foi disseminar a cultura da moda brasileira onde todos ganhem, tendo a sustentabilidade como um dos pilares principais. Por isso valia a regra de só subir na passarela o estilista que apostasse em um modelo de negócios com inclusão, que estimule a indústria local e projete as características da cultura brasileira em peças de roupa.

Um exemplo prático se viu na coleção do estilista Lino Villaventura, um dos destaques do prêt-à-porter brasileiro. Neste ano, ele inseriu em algumas de suas criações sementes de peroba amarela, bordadas, delicadamente, uma a uma. Show de bom gosto e ousadia.

 
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