“ABAIXO A ECOLOGIA DO DECLINIO!”, diz, Allégre.

quinta-feira, 08 de fevereiro de 2007.

“ABAIXO A ECOLOGIA DO DECLINIO!”, diz, Allégre.Em 2006, muito antes do IPCC – Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas – ter declarado em Paris o apocalipse ambiental, a Casa Branca, o Parlamento Inglês, o Alvorada, o Eliseu, o Knesset, o Kremlin e todos os outros palácios de governos do mundo já tinham em mãos o veredito. Tanto é verdade que as melhores publicações semanais do planeta trouxeram capa draculianas e encharcaram suas páginas com mares poluídos, algas assassinas e gases mortíferos entre secas, desertos e espec-tros de crianças buscando as tetas murchas de leite de suas mães.

Chegou janeiro de 2007. O irlandês Bono Vox (U2), grande defensor da ecologia, estava em Davos, na Suíça. Mas ninguém, nem a mídia, deram importância a suas reivindicações. Tudo convergia para Paris, para dois de fevereiro de 2007. O planeta queria saber, de fato a interpreta-ção das pesquisas do IPCC. A expectativa era imensa pelo resultado final, que já era conhecido–perigo e horror.

Duas vezes, anteriormente, o mundo contemporâneo conheceu tais sentimentos de impotência e terror: o primeiro foi com a ascensão e pratica do nazismo por Hitler, depois, com a bomba atômica lançada pelos EUA sobre Hiroshima e Nagasaki, no Japão.

Já era dia 2 de fevereiro, e para dar mais ênfase ao grande veredito do IPCC, as luzes da torre Eiffel, monumento máximo da França, ficaram apagadas por 5 minutos. Em solidariedade a Paris, Madri e Roma também deixaram apagados os seus mais famosos monumentos. E muitas outras cidades seguiram o exemplo da capital francesa. E o mundo se sensibilizou!

Aproximava-se a hora do anúncio. O IPCC, que aglutina a nata dos pesquisadores (2500) em mudanças climáticas, que se reúnem regularmente, desde 1988, para atualizar informações sobre o clima, levando resultados de milhares de pesquisas realizadas nos mais sofisticados centros e mais renomadas universidades do mundo, tem como objetivo trazer à tona verdades descobertas nas pesquisas para apresentar em seus relatórios.

A partir de ondas de calor no verão e temperaturas acima da média no inverno europeu; dezenas de furacões nos EUA e, em especial, o Katrina, que destruiu New Orleans; a pior temporada de ciclones na China; dez anos de seca seguidos na Austrália, provocando processo de desertificação e incêndios florestais de grande porte. Nestes e em outros desastres ambientais, basearam-se os cientistas para expor os resultados obtidos através de suas experiências.

Sabia-se que viria chumbo grosso. Só não se sabia que o susto seria tão grande diante daquelas previsões apocalípticas… sem saída! Eis o veredito do IPCC:

– furacões e ciclones mais fortes — mais chuvas, mais ventos, mais destruição;
– a capa de gelo do Ártico desaparecerá;
– 50% aproximadamente da fauna e da flora não se adaptarão às mudanças climáticas;
– 3,2 bilhões de pessoas viverão com abastecimento precário de água;
– ondas de calor e chuvas escassas interferirão na agricultura. A fome atingirá cerca de 1,4 bilhões de pessoas;
– derretimento de geleiras e elevações dos níveis dos mares. Ressacas tragarão 7 milhões de casas e deixarão 170 milhões de desabrigados.

Apesar dos pesares, o IPCC trouxe uma verdade que ninguém poderá negar: a culpa é do homem, que lança na atmosfera o CO2 – dióxido de carbono –, vilão do efeito estufa, que causa o aumento da temperatura global, sem a qual não haveria tantas catástrofes pipocando em pontos tão diferentes, atacando o que há de mais vital no ecossistema do lugar. Um exemplo próximo: a seca de 2005 na Amazônia, que isolou cerca de 40 cidades do Amazonas e do Acre sem água, sem luz, sem comida, sem transporte…

Se por um lado a divulgação do relatório do IPCC aterrorizou o mundo, o ex-ministro da Educação da França Claude Allègre, cientista mundialmente respeitado e ecologista, escreveu no jornal Le Figaro, admitir mudanças climáticas, porém, temer que os radicais da ecologia viessem a propor remédio pior que a doença, referindo-se ao IPCC.

Segundo ele, o aquecimento existe. As medidas, porém, a serem tomadas hoje só surtirão efeito depois de 50 anos. “E as previsões são de que, em um século teremos um aquecimento de 2ºC apenas e uma elevação dos mares de 30 a 40 cm. Ora, pedem-nos para reduzir em ¾ as emissões de gases estufa, o que desempregaria 200 mil pessoas por ano na França.”

Allègre critica em seu artigo os ecologistas franceses extremados que dizem que o uso da energia nuclear não é muito seguro e responde: “Desenvolvamos, pois, reatores de quarta geração.” E continua: “Se substituirmos o chumbo pela gasolina, banimos os CFC – aerossóis — para proteger a camada de ozônio, substituindo-os por outro produto. Diminuímos a chuva ácida. Em cada caso isso criou empregos e estimulou a economia. São exemplos a serem seguidos.” E concluiu: “Viva a ecologia, motor do crescimento! Abaixo a ecologia do declínio.”

 
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