Se o descaso continuar, a Represa Guarapiranga morrerá em 15 anos. Essa foi a conclusão a que chegaram cientistas ambientais. Por isso, o governador do Estado, José Serra, e o prefeito da Cidade de São Paulo, Gilberto Kassab, resolveram tomar medidas sérias e urgentes, antes que as águas da Guarapiranga se transformem em areia.
Como sabemos, hoje se gasta de 7 a 10 vezes mais com a água da Guarapiranga do que com a da Cantareira para torná-la potável, o que faz da água de São Paulo uma das mais caras do mundo. Em pouco tempo, se não forem tomadas medidas radicais, São Paulo vai ter de gastar bilhões de dólares para que a água suba a serra, vinda do Vale do Ribeira. Aí sim, será de longe, a água mais cara do mundo.
Para se dar mais ênfase ao que está acima registrado, São Paulo produz a mesma quantidade de água que o desértico Estado de Israel e o não me-nos desértico semi-árido pernambucano.
Devido a todas estas informações e pedidos, a Câmara Municipal de São Paulo aprovou, no final de 2006, a isenção do IPTU – Imposto Predial e Territorial Urbano – a moradores de Áreas de Preservação Ambiental.
Pela nova lei, sancionada pelo prefeito Gilberto Kassab, ficam isentos os imóveis situados na Zona Especial de Preservação Ambiental. Segundo a prefeitura o objetivo é manter o solo permeável na região dos mananciais para evitar novas construções.
O beneficio isenta quem mantiver terreno sem edificações ou cimentados, portanto, “O risco de invasões não existe, ainda que qualquer interpretação possa levar a essa conclusão, ela será totalmente anulada na regulamentação da lei”, informou a Assessoria de Imprensa da Prefeitura, devido a um substitutivo elaborado e aprovado minutos antes da lei ser aprovada em plenário.
A partir do final de fevereiro, Estado e Prefeitura de São Paulo prevêem a retirada de parte dos 800 mil moradores do entorno da Guarapiranga, para preservar o local e a produção de água para a cidade.
Para se ter uma idéia, fazem parte da Guarapiranga as sub-prefeituras de M´Boi Mirim, Capela do Socorro e Parelheiros, ao todo mais de 1,5 mi-lhão de pessoas. Cerca de 50% não pagam IPTU. E não existem matrículas de imóveis regularizados na Secretaria da Fazenda.
Chico Graziano e Eduardo Jorge, sucessivamente, secretários do Meio Ambiente do Estado e da Prefeitura, reuniram-se com ambientalistas e re-presentantes comunitários da Guarapiranga e resolveram que as famílias a serem retiradas serão remanejadas em programas habitacionais de gover-nos estadual e municipal.
O secretário do meio ambiente do Estado ainda afirmou que o governo de São Paulo deverá remanejar recursos de outras secretarias e órgãos públicos para aplicar no plano de ação na Guarapiranga, que servirá de exemplo para programas em outras áreas de preservação ambiental na Região Metropolitana de São Paulo, dando como exemplo as represas Billings e Cantareira.

