Matéria publicada no último dia 4 de dezembro, no jornal Valor Econômico, destaca o crescente uso do co-processamento como método de destinação final de resíduos e geração de energia na indústria cimenteira. De acordo com o jornal, 80% dos produtores de cimento brasileiros já adotam a prática, difundida há cerca de 30 anos em países da Europa e nos EUA, quando a crise do petróleo forçou a busca por alternativas, e que agora começa a se consolidar no País.
O co-processamento permite que resíduos de diferentes setores da indústria — tais como pneus, borras e solo contaminado, por exemplo — sejam completamente destruídos e reaproveitados como fonte de energia e matéria-prima nos fornos de alta temperatura onde ocorre a produção de cimento, em substituição aos combustíveis tradicionais. A prática é considerada estratégica no setor, uma vez que reduz a dependência por combustíveis fósseis não renováveis, além de contribuir com uma conseqüente diminuição dos custos e ganho em competitividade.
A produção de cimento, por suas características, consome uma grande quantidade de matéria-prima e energia. Os combustíveis respondem por algo em torno de 15% a 20% no custo final do clínquer (a matéria-prima do cimento). Segundo estimativa da Associação Brasileira de Cimentos Portland (ABCP) com o aumento no uso de resíduos no setor, houve, no último ano, uma redução de aproximadamente 500 mil toneladas na utilização de coque de petróleo.
A geração anual de resíduos industriais perigosos no País representa algo em torno de 2,7 milhões de toneladas. Atualmente são co-processados cerca 800 mil toneladas de resíduos por ano, o que corresponde a 30% do total. A expectativa é que esse volume possa chegar, em breve, a 1,5 milhão de toneladas.
Por proporcionar destinação correta ao lixo, o co-processamento contribui para a diminuição do passivo ambiental das empresas, além da economia gerada com a redução no uso de combustíveis convencionais.
Cada vez mais, o co-processamento mostra-se como uma opção correta para o tratamento e destinação final de resíduos, colaborando, inclusive, como apontam pesquisas, na redução de gases poluentes e tóxicos que são formados pela atividade industrial, sendo capaz de destruir termicamente os resíduos perigosos, prevenindo, assim, impactos negativos no meio ambiente.
