Primeiramente a extraordinária beleza natural do Rio de Janeiro fez o estrangeiro não mais procurar o Brasil no mapa da Argentina. Depois veio a Bossa Nova que mostrou para o mundo a cara do Rio, a maciez do cantar o mar, o amor, o “Cristo Redentor braços abertos sobre a Guanabara”. E o mundo foi para o Rio. E o mundo em cores, começou a assistir ao carnaval cada vez mais grandioso, colorido, criativo…
Embora o Rio de Janeiro continue lindo, as notícias que se espalham pela Internet, pelas TVs a cabo, pelas agências de notícias chegam a ser petrificantes – arrastões nas praias de Copacabana e Ipanema; assaltos a ônibus de turistas; assassinatos em bairros nobres da Zona Sul; balas perdidas matando inocentes…
A falta de cuidado com o Rio de Janeiro está esvaziando os hotéis, aumentando o número de desempregados e o pior, levando pânico à população. Agora entre tantos outros problemas, surge um que poderá ser até catastrófico. Quase escondido, pouca gente vê. Entre os poucos que vêem, uns não tomam conhecimento, outros, não sabem o perigo que correm. E está tudo lá aos pés do “Cristo Redentor, braços abertos sobre a Guanabara”, num aterro de mais de 1.000km2 ou 1 milhão de metros quadrados, chamado Aterro de Gramacho, em Duque de Caxias, Baixada Fluminense. Gramacho recebe 85% do lixo hospitalar da cidade do Rio de Janeiro. São dezenas de toneladas de lixo do mais perigoso despejadas diariamente, sem mínimo cuidado.
A FEEMA – Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente – proíbe o uso de aterros sanitários como depósitos de lixos classificados como classe um(1), devido ao alto risco de contaminação, porém a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente, ao investigar, reuniu evidências de que o lixo sanitário tem sido despejado em Gramacho. Por isso, o MP – Ministério Publico – vai convocar a COMLURB – Companhia Municipal de Limpeza Urbana – e os hospitais da rede pública para firmar ajustamento de termo de conduta sobre o assunto.
Segundo o jornal O Globo, em imagens cedidas pela polícia, aparecem, no Aterro de Gramacho, sacos plásticos com lixo hospitalar espalhados pelo chão – cerca de 60 toneladas despejadas todos os dias – que, segundo a Lei, deveriam estar confinados em área preservada para lixo químico hospitalar. Estão, todavia, separados do lixo orgânico por uma cerca de arame farpado, rompida em vários pontos. Além disso tudo, os catadores de lixo “garimpam” sem luvas nem máscaras; o trator que circula em meio a esses resíduos não tem a proteção dos vidros; os urubus voam livremente sobre Gramacho e ainda há o chorume, uma espécie de banha, de gordura em estado líquido que se forma no lixo, penetra no solo e que um vazamento poderá contaminar com muito perigo áreas adjacentes.
Este é o Rio de Janeiro do perigo invisível. Segundo a COMLURB, “a empresa faz o despejo, ainda que o mesmo não esteja licenciado pela FAEMA….da forma mais segura e adequada possível. A FEEMA, por sua vez, responde que não existe licença para o despejo do lixo hospitalar no Aterro de Gramacho, porém como não há outro lugar, os fiscais autorizam depois de analisarem o material.
Caso a rede pública e COMLURB não cumpram o ajuste de conduta proposto pelo MP, uma ação civil pública por crime ambiental prevê cinco anos de prisão para os responsáveis pelo despejo ilegal de lixo hospitalar.
As secretarias municipal e estadual e o ministério da Saúde só se pronunciarão sobre o tema de ajustamento, quando forem notificados pelo MP – Ministério Público. Enquanto isso não acontece, o Rio de Janeiro que já foi notícia por ser a capital de Portugal (época do Império) e, hoje, o é por motivos nada agradáveis que se sabem através da mídia. O Rio do perigo invisível das seringas, agulhas, algumas ainda com sangue, vestimentas de feridos, gazes, rejeitos de diálises…tudo o que sai de hospitais, clínicas médicas e veterinárias, ambulatórios médicos de empresas, laboratórios…–que podem causar doenças graves como tétano, hepatite, aids, doenças venéreas, tuberculose, entre outras tantas infecções e até epidemias.
E o chorume? Antes de se saber que chorume consiste em aglutinar numa gordura líquida toda a sujeira dos curativos, do sangue e dos restos de órgãos e pele do pós-operatório, que penetram no solo e o contaminam. O CREA informou que a COMLURB não apresentou programa de monitoramento do chorume. Segundo o jornal O Globo: “é fundamental evitar o risco de contaminação do solo e um possível vazamento do chorume na Baía da Guanabara”, o que poderia trazer inúmeros danos na fauna e na flora do Rio de Janeiro.
Há também, neste Rio desprotegido, o perigo dos urubus – os animais mais temidos pelos aeronautas. Todos sabem que o Aeroporto Santos Dumont está localizado junto à Baía de Guanabara. Gramacho também. Todos também sabem que se o urubu for sugado pela turbina de um avião, o acidente é certo. Quantas decolagens e aterrissagens há por dia em Santos Dumont? Centenas!!
